Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul
O que fazer em Bonito (MS): os passeios que valem a vaga, onde ficar e quando ir
Gruta do Lago Azul e Rio da Prata têm vaga contada. Veja o que reservar primeiro em Bonito, um roteiro de quatro dias, onde ficar e quando ir.
A Gruta do Lago Azul recebe no máximo 305 pessoas por dia, guias incluídos, em grupos de até 14 visitantes. A primeira descida é às 7h e a última às 14h. Esses números, fixados em portaria do Imasul, resumem como Bonito funciona: quase nada se visita por conta própria, quase tudo tem vaga contada, e quem chega sem reserva em julho ou no Réveillon descobre que os horários já acabaram.
Para quem gosta de improvisar, isso irrita, mas é o que mantém a água limpa. Na prática, os passeios se reservam antes da passagem.
Sem voucher, não passa da porteira: como reservar os passeios
Em Bonito, as atrações ficam em fazendas e áreas protegidas fora da cidade, e a entrada só é liberada com o voucher único, emitido pelo município ou por uma agência de turismo credenciada. Você escolhe o passeio, a data e o horário, paga na agência e recebe o voucher, que é conferido na porteira da atração. Não há venda de ingresso na entrada, e todo passeio tem guia.
O preço final de cada passeio soma três partes: o valor do passeio, definido pela própria atração, igual em qualquer agência e mais alto na alta temporada; o transporte, que a agência costuma cobrar à parte se você não tem carro; e a taxa diária da cidade, explicada abaixo. Como o passeio custa o mesmo em todo lugar, escolha a agência que responde rápido e monta a logística com você.
Nas férias de julho, no fim de ano e no Carnaval, os horários bons da Gruta do Lago Azul e das flutuações mais procuradas são os primeiros a sumir. Feche passeios e hospedagem juntos: não adianta garantir a pousada e descobrir que o Rio da Prata só tem vaga depois do seu voo de volta.
Bom saber
Desde 20 de dezembro de 2025, Bonito cobra a Taxa de Conservação Ambiental: R$ 15 por pessoa, por dia de estadia, pagos no site turistapornatureza.com.br. A agência confere o pagamento ao emitir os vouchers. Menores de 7 anos, moradores e quem trabalha no município são isentos. A cobrança é contestada na Justiça, mas continua valendo enquanto o mérito não é julgado.
O que fazer em Bonito, em ordem de prioridade
Rio da Prata e Buraco das Araras, no mesmo dia
Se o orçamento só permitir uma flutuação, faça a do Rio da Prata. São umas quatro horas: uma caminhada pela mata e depois cerca de 2,3 km rio abaixo, de bruços, com máscara e snorkel, em grupos de até 10 pessoas com guia. Desses, 1,7 km são no Rio Olho d'Água, que nasce numa piscina natural de água cristalina, e os últimos 600 m, no Prata. Embaixo, passam cardumes de piraputangas, dourados e curimbatás entre plantas aquáticas. Não precisa saber nadar. O equipamento, com roupa e botas de neoprene, vem no pacote, e o colete salva-vidas é opcional.
Bom saber
O Rio da Prata fica em Jardim, a 45 km de Bonito por asfalto; se for por conta própria, saia pelo menos 45 minutos antes do horário marcado. A idade mínima é 5 anos. O almoço está incluído e é servido das 11h30 às 15h30, então quem pega horário à tarde almoça antes.
O Buraco das Araras fica a uns 15 minutos dali. É uma dolina enorme de paredões de arenito vermelho, onde araras-vermelhas fazem ninho. O passeio leva pouco mais de uma hora, por trilha e mirantes na borda.
Gruta do Lago Azul, no primeiro horário
Do fim de novembro a janeiro, por volta das 8h, um raio de sol entra pela boca da gruta e toca o lago lá embaixo; fora dessa época, a luz da manhã ainda é a melhor. Peça o horário mais cedo que a agência conseguir. A gruta fica a uns 21 km do centro, com o fim do caminho em terra, e a descida tem cerca de 300 degraus, com capacete, calçado fechado e máscara de proteção obrigatórios. Ninguém entra na água: é passeio de olhar, e tudo, da orientação à subida, leva pouco mais de uma hora.
Rio Sucuri ou Aquário Natural, para a tarde da Gruta
Duas flutuações de meio período, mais perto da cidade. O Aquário Natural está a uns 7 km, com percurso curto, de 800 a 900 metros; o Rio Sucuri, a cerca de 18 km, tem perto de 1,8 km de flutuação entre plantas aquáticas. São trajetos mais calmos que o do Prata, bons para quem viaja com criança ou tem receio de água.
Boca da Onça, se tiver perna
A Cachoeira Boca da Onça, em Bodoquena, a cerca de 60 km de Bonito, tem 156 metros e é a mais alta de Mato Grosso do Sul. O acesso termina em estrada de chão, e as trilhas completas, de 4,5 ou 6,5 km, passam por várias quedas e poços e incluem uma escadaria de mais de 800 degraus. É programa de dia inteiro e cansa. No fim da estação seca, o volume de água pode cair muito: em 2022, a queda principal ficou sem água.
Abismo Anhumas, para a segunda viagem
O Abismo Anhumas, com descida de 72 metros até um lago subterrâneo, é o passeio mais caro e mais restrito da região, com poucas vagas por dia e treino obrigatório na véspera. Na primeira viagem, o mesmo dinheiro paga duas flutuações; deixe o Anhumas para quando o resto já estiver visto.
Roteiro de 4 dias em Bonito (ou de dois)
Com quatro dias inteiros, a divisão que funciona é esta:
- Gruta do Lago Azul cedo e, à tarde, Rio Sucuri ou Aquário Natural.
- Rio da Prata e Buraco das Araras, na mesma saída para Jardim.
- Boca da Onça, o dia inteiro.
- Dia leve: o Balneário Municipal, à beira do Rio Formoso e a 6 km do centro (fecha quando o rio enche depois de chuva), ou as cachoeiras de meio período da Estância Mimosa e do Parque das Cachoeiras.
Com dois dias, fique com o Prata, a Gruta e uma flutuação perto da cidade.
Onde ficar em Bonito: centro a pé ou pousada com carro
Bonito é pequena, e a escolha fica entre o centro, a área rural ao redor e, para encurtar algum passeio, as cidades vizinhas.
Centro, para quem não vai alugar carro
O comércio, as agências e quase todos os restaurantes estão na Rua Coronel Pilad Rebuá e nas ruas em volta da Praça da Liberdade. Ficar a poucas quadras dali significa jantar a pé, resolver vouchers na hora e ser buscado pelo transfer das agências, que atende principalmente essa área. Para quem não aluga carro, não há alternativa real. O contra é que a estrutura de lazer da hospedagem costuma ser menor do que nas pousadas de fora da cidade.
Zona rural e Rio Formoso: piscina e verde, com carro
Fora do centro aparecem pousadas e hotéis com piscina, área verde e às vezes agência própria, o que agrada famílias com crianças. O preço disso é depender de carro para tudo, inclusive para jantar, em estrada escura e às vezes com animais na pista. Com carro alugado, compensa; sem carro, cada saída vira um táxi com preço combinado.
Jardim e Bodoquena, só para encurtar um passeio
Uma noite em Jardim encurta o dia do Rio da Prata e do Buraco das Araras. Bodoquena, a cidade da Boca da Onça, fica a uns 40 km da cachoeira, contra uns 60 km de Bonito, e os últimos 13 km são de terra nos dois casos: a economia é pequena e não justifica trocar de base. Para a viagem inteira, as duas ficam devendo, com bem menos restaurantes e serviços que Bonito.
Bom saber
Antes de reservar, olhe no mapa a distância real até a Rua Coronel Pilad Rebuá. Em Bonito, "perto do centro" pode significar um trecho de estrada de terra sem calçada.
Quando ir a Bonito: maio para tudo, setembro com ressalvas
Bom saber
Melhor relação entre água, clima e vaga: maio, ou setembro fora do feriado do dia 7. A chuva já diminuiu ou ainda não voltou com força, e os passeios principais costumam ter horário. Em setembro, as cachoeiras podem estar com pouca água, e há risco de fumaça de queimadas; se a Boca da Onça for prioridade, prefira maio.
De outubro a março chove muito, e dezembro e janeiro são os meses mais chuvosos. Uma tempestade forte pode deixar as cachoeiras barrentas por alguns dias. Os rios de flutuação sofrem menos, mas também turvam depois de dias seguidos de chuva, e alguns passeios, como a Lagoa Misteriosa, nem funcionam nessa época.
De junho a agosto é a seca, com água mais transparente e frentes frias que podem derrubar o ar para menos de 10 °C. A água das nascentes é fria o ano todo, e por isso o neoprene vem no equipamento das flutuações.
A alta temporada coincide com férias e feriados: janeiro, Carnaval, Semana Santa, julho e as festas de fim de ano. Abril, maio e setembro, fora dos feriados, são a meia estação, com menos disputa por vaga e preços menores. Junho e agosto também tendem a ser mais tranquilos que julho.
O Festival de Inverno de Bonito, com shows e programação gratuita, costuma acontecer na última semana de agosto (em 2026, de 26 a 30). Nessa semana, a cidade enche mesmo fora das férias.
Como chegar: voo direto ou 3h20 de estrada a partir de Campo Grande
O Aeroporto Regional de Bonito está a cerca de 13 km do centro e recebe voos diretos de São Paulo (Congonhas e Guarulhos) e de Campinas, cada rota com poucos voos por semana. Quando a tarifa não fecha, a alternativa é voar para Campo Grande.
De lá são cerca de 260 km, em umas 3h20: BR-262 até Anastácio e depois a MS-345, a Estrada do 21, asfaltada em 2024. O caminho antigo, pela BR-060, Guia Lopes da Laguna e Jardim, tem perto de 300 km e leva meia hora a mais. De ônibus, a Cruzeiro do Sul faz o trajeto com poucos horários por dia, em quatro a cinco horas.
Bom saber
Na Estrada do 21, a ponte do Rio Miranda está em obra até janeiro de 2027, pelo previsto, com pare e siga e fechamentos ocasionais, e o asfalto voltou a ter buracos. Veja as notícias da Agesul antes de sair.
Carro alugado não é obrigatório, mas facilita. As atrações ficam entre 6 e 60 km da cidade, várias com trecho de terra, e o transporte das agências soma custo a cada passeio. Aplicativo de transporte é raro, e táxi trabalha com preço combinado.
Cinco jeitos de perder (ou estragar) um passeio
- Mato Grosso do Sul fica uma hora atrás de Brasília. Confira o horário do voo e do voucher no fuso local.
- Cada flutuação tem sua regra para protetor e repelente. No Rio Sucuri, nenhum produto químico é permitido; no Rio da Prata, pede-se o mínimo, de preferência ecológico, só no rosto, na nuca e atrás das pernas. Na dúvida, chegue sem nada no corpo e leve camiseta de manga longa para o resto do dia.
- No Rio da Prata, celular só dentro de saco estanque preso ao pulso, mesmo que seja à prova d'água; câmera profissional com caixa estanque e drone não entram.
- O voucher tem dia e hora. Chegar atrasado pode custar a vaga, e remarcar na alta temporada pode ser impossível.
- Não marque duas flutuações longas no mesmo dia. Entre neoprene, deslocamento e almoço, o segundo passeio vira correria.
Continue lendo

Costa Verde, Rio de Janeiro
O que fazer em Paraty: a maré nas ruas, um dia de barco, Trindade e o Mamanguá
Em que dia a maré entra nas ruas de Paraty, que barco pegar, como chegar ao Cachadaço e ao Mamanguá e onde ficar: prós e contras de cada bairro.

Serra dos Pireneus, Goiás
O que fazer em Pirenópolis: cachoeiras com hora marcada e onde dormir sem barulho
As cachoeiras de Pirenópolis têm porteira e hora de última entrada. Veja o que reservar, quando ir, a Festa do Divino e onde ficar longe da Rua do Lazer.

Campo das Vertentes, Minas Gerais
O que fazer em Tiradentes em dois ou três dias, a pé e de Maria Fumaça
Dois ou três dias em Tiradentes: a Matriz e o Chafariz a pé, horários e preços da Maria Fumaça, a serra com condutor e onde ficar sem depender do carro.