Ilha de Santa Catarina, SC
Florianópolis em 7 dias: roteiro do norte ao Ribeirão, um pedaço da ilha por dia
Roteiro de 7 dias em Florianópolis, um pedaço da ilha por dia: da Ponte Hercílio Luz às ostras do Ribeirão, com Ilha do Campeche e Lagoinha do Leste.
A Ilha de Santa Catarina tem cerca de 54 km de norte a sul e poucas estradas ligando uma ponta à outra. Quem tenta ver o norte de manhã e o sul à tarde passa as férias na SC-401 e na SC-405. Esta semana em Florianópolis segue a geografia: um pedaço da ilha por dia, duas bases (Lagoa da Conceição e Campeche) e o último dia perto do aeroporto.
Serve para casal ou amigos que querem praia, trilha e comida boa sem maratona.
Antes de reservar: carro, época e base
Carro faz diferença. O ônibus funciona por terminais de integração e resolve trechos curtos, mas cruzar a ilha com baldeação toma boa parte do dia. Sem carro, o mais prático é ficar na Lagoa e completar com aplicativo.
A época muda a viagem inteira. De dezembro ao Carnaval a ilha recebe gente do Brasil, da Argentina e do Uruguai, as diárias sobem e as rodovias das praias travam nos fins de semana de sol. Nessa época, saia antes das 9h e aceite que estacionar na Joaquina ao meio-dia é loteria. Março e abril são o melhor momento: a água ainda está agradável e restaurantes e barcos seguem funcionando. Novembro também serve, com mar mais frio e mais vento.
Entre maio e julho, quando a tainha sobe a costa, é época dos lanços de arrasto de praia no Pântano do Sul, na Barra da Lagoa e na Praia Brava. O arrasto pode parar antes do fim quando a cota nacional se esgota, como aconteceu por quatro dias em junho de 2026.
No inverno, praia vira paisagem: as frentes frias trazem vento sul e dias cinzentos, e o norte, feito para o verão, fica com cara de cidade fechada.
Duas bases economizam horas. Quatro noites na Lagoa da Conceição, que fica no meio da ilha e alcança centro, norte e leste em 20 a 40 minutos fora da temporada. Depois, três noites no Campeche, perto das trilhas do sul e do aeroporto.
Bom saber
Olhe o mar antes de escolher a praia do dia. As do norte, voltadas para a baía, são as mais calmas e menos frias; leste e sul pegam mar aberto, com ondas, água mais gelada e ressaca nas frentes frias. Com previsão de mar grosso, inverta os dias e deixe a Ilha do Campeche para depois.
Dia 1: centro, Mercado Público e a Ponte Hercílio Luz
Faça este dia de terça a sábado: no domingo o comércio do centro fecha e o Mercado Público abre só peixarias e restaurantes. Chegue até o fim da manhã e vá direto ao Mercado Público, o prédio amarelo de arcos perto da antiga Alfândega. São mais de cem boxes entre peixarias, empórios e bares; o Box 32 é o mais famoso deles.
À tarde, atravesse a Praça XV de Novembro, com a figueira enorme que é símbolo da cidade, e entre no Palácio Cruz e Sousa, sede do Museu Histórico de Santa Catarina, depois de conferir o horário no site do museu. Dali, caminhe até a cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz. Inaugurada em 1926 e interditada em 1982, teve uma breve reabertura parcial entre 1988 e 1991 e reabriu de vez em 30 de dezembro de 2019. Dá para cruzá-la a pé; vá no fim da tarde, com o sol se pondo do lado do continente.
Da ponte até a Lagoa da Conceição são de 20 a 30 minutos pela SC-404, que sobe o Morro da Lagoa. Na temporada, saia do centro antes das 17h ou depois das 19h; no meio disso, a fila começa no Itacorubi.
Dia 2: o norte, de Santo Antônio de Lisboa à Fortaleza da Ponta Grossa
Saia da Lagoa por volta das 8h30. Até Santo Antônio de Lisboa são 40 minutos sem trânsito, quase todo o percurso pela SC-401.
Santo Antônio de Lisboa é um dos núcleos açorianos mais antigos da ilha: casario baixo colorido, calçamento de pedra e a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades de frente para a baía. De manhã cedo as ruas ainda estão vazias: dê uma volta curta pelo casario, porque você volta aqui para o pôr do sol.
Às 10h30, siga para a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, erguida a partir de 1740 no morro entre Jurerê e a Praia do Forte e hoje sob os cuidados da UFSC. O acesso final é estreito e íngreme; na temporada, muita gente prefere deixar o carro em Jurerê Internacional e subir a pé. A entrada custa R$ 16 (meia, R$ 8; valores da UFSC desde maio de 2022). De março a novembro, costuma ser gratuita no último domingo do mês.
Desça para a Praia do Forte e, colada a ela, a Daniela, de mar quase parado e raso por muitos metros, bom para criança pequena. Jurerê Internacional, na sequência, com seus beach clubs e mansões, rende uma tarde, não mais que isso.
No fim da tarde, volte para Santo Antônio ou para Sambaqui, logo depois. A baía norte está virada para o oeste: peça uma porção de ostras num dos bares da beira e fique até o sol sumir atrás do continente.
Dia 3: o leste, das dunas da Joaquina ao Mirante da Lagoa
Comece cedo nas dunas da Joaquina, parte do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. Antes das 10h a areia ainda não queima. Há aluguel de prancha de sandboard na beira da estrada. Depois, desça para a Praia da Joaquina, de ondas fortes e água fria, que já recebeu etapas do circuito mundial de surfe.
Perto das 11h, siga para a Praia Mole, entre dois costões e com o morro verde atrás; o mar tem ondas e pede atenção com criança. Do canto norte sai a trilha curta pelo costão até a Galheta, praia de naturismo opcional, sem construções e bem menos cheia.
Almoce no centrinho da Lagoa e reserve a tarde para descansar. Perto das 17h, suba de carro até o Mirante da Lagoa, no alto do Morro da Lagoa, na SC-404, o mesmo caminho do dia 1. Lá de cima se entende este pedaço da ilha: a lagoa comprida, as dunas, a restinga e o mar aberto atrás.
Para jantar, desça de volta ao centrinho ou à Avenida das Rendeiras, à beira da lagoa.
Dia 4: Costa da Lagoa de barco e a Barra da Lagoa
A Costa da Lagoa é uma comunidade na margem oeste da lagoa que até hoje não tem estrada: só se chega de barco ou pela trilha antiga, de cerca de 7 km, que começa no Canto dos Araçás e leva umas três horas. O barco coletivo sai do centrinho da Lagoa e leva de 40 a 55 minutos, parando nos trapiches numerados.
Bom saber
Há também a travessia de 5 minutos a partir do Terminal Lacustre do Rio Vermelho, no km 4 da SC-406. Cada ponto tem sua cooperativa, e a volta é pelo mesmo ponto da ida.
Pegue um dos primeiros barcos da manhã, ande entre as casas até a cachoeira, almoce num deque sobre a água e volte no começo da tarde.
À tarde, dirija até a Barra da Lagoa, onde o canal liga a lagoa ao mar. Atravesse a ponte pênsil sobre o canal e siga a trilha pelo costão até a Prainha da Barra e as piscinas naturais formadas entre as pedras. Com mar calmo são ótimas para nadar; com ressaca, fique olhando de cima. A Barra continua sendo vila de pescadores: jante peixe ali, perto do canal.
Dia 5: mudança para o sul e a Ilha do Campeche
O carro vai passar o dia parado na Armação, então faça o check-out cedo e deixe as malas antes na hospedagem do Campeche. Combine isso com o anfitrião na hora de reservar. Da Lagoa até lá é meia hora sem trânsito, pelo Rio Tavares.
A Ilha do Campeche é o passeio de barco mais disputado da cidade. As regras:
- A ilha é tombada pelo Iphan e a visitação tem limite diário: 800 pessoas de dezembro a março e 700 no resto do ano.
- Desde janeiro de 2025, cada visitante precisa de uma autorização individual, reservada antes no site da prefeitura (ilhadocampeche.pmf.sc.gov.br). Na temporada 2025/2026 ela custou R$ 15 por pessoa, à parte do barco.
- A autorização é nominal e conferida com documento na travessia. A prefeitura não remarca nem devolve o valor se o mar fechar, e o comprovante só sai 24 horas depois que o pagamento compensa: reserve com pelo menos dois dias de antecedência.
- Os barcos credenciados saem da Armação, da praia do Campeche e da Barra da Lagoa. A associação de pescadores da Armação (APAAPS) tem a maior cota diária. Na temporada 2025/2026, a prefeitura fixou em R$ 150 por pessoa o teto da travessia de ida e volta.
- A permanência vai das 9h às 17h, sem pernoite e sem animais. A ilha fecha com mar ruim.
- As trilhas e as mais de cem gravuras rupestres só podem ser visitadas com monitores credenciados pelo Iphan.
Embarque cedo e leve água e lanche: a estrutura é mínima. Fora da temporada as saídas dependem de procura e de tempo; confirme com a APAAPS na véspera.
Volte num dos barcos do meio da tarde (combine o horário na ida; o último sai antes das 17h) e caminhe pela praia do Campeche, longa e quase reta. A avenida principal se chama Pequeno Príncipe por causa do campo de pouso que a Aéropostale francesa manteve no bairro entre o fim dos anos 1920 e o começo dos 1930. A tradição local diz que Saint-Exupéry pousava ali e fez amizade com os pescadores.
Dia 6: trilha da Lagoinha do Leste e almoço no Pântano do Sul
A Lagoinha do Leste é uma praia sem casas nem estrada, dentro de um parque municipal, com uma lagoa de água doce encostada na areia. Só se chega a pé ou, na temporada, de barco a partir do Pântano do Sul. Há dois caminhos de trilha:
- Pelo Pântano do Sul: cerca de 2,2 km, uma hora de caminhada, quase toda na sombra, com uma subida longa e trechos de pedra.
- Pela Armação e o Matadeiro: quase 6 km pelo costão, com vista para o mar o tempo todo. Leva pelo menos duas horas para quem anda rápido, e muita gente demora o dobro com as paradas.
O ideal é ir pela Armação, cedo, e voltar pelo Pântano do Sul: o mar na ida, a sombra na volta. Quem tiver fôlego sobe o Morro da Coroa, uma subida curta e forte a partir da praia, de 30 a 40 minutos, para ver de cima a lagoa e o mar lado a lado. Leve água para o dia todo: no período seco não há fonte na trilha, e o bar da praia é simples e nem sempre está aberto.
Almoce no Pântano do Sul, no Bar do Arante, aberto desde 1958 e conhecido pelos milhares de bilhetes que os clientes deixam pregados nas paredes. Peça o peixe do dia. Para voltar ao carro na Armação são cerca de 4 km de asfalto, que dá para fazer de ônibus ou de aplicativo.
Dia 7: Naufragados de manhã, ostras no Ribeirão da Ilha
Com voo antes do fim da tarde, pule Naufragados e passe a manhã no Ribeirão. Se o voo for à noite, saia às 8h, já com as malas, rumo à Caieira da Barra do Sul, onde a estrada termina. Do Campeche são de 40 minutos a uma hora, contornando a baía sul. Deixe o carro num dos estacionamentos pagos com vigia no começo da trilha, que lotam cedo na temporada.
Dali parte a trilha para Naufragados, a praia da ponta sul da ilha, dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro: de 40 minutos a uma hora de caminhada pela mata, com alguns trechos de subida. Depois da praia, um caminho leva ao farol e a canhões antigos. Esteja de volta ao carro perto do meio-dia.
O almoço é no Ribeirão da Ilha, o distrito que mais produz ostras no Brasil, com um centrinho açoriano de casas coloridas em volta da igreja. O Ostradamus, no deque sobre as fazendas de ostras, tem sistema próprio de depuração e aparece há anos nas listas dos melhores restaurantes do país; reserve. A água da baía sul é parada e pouco transparente: o programa aqui é comer e andar pelo casario, e o banho de mar fica para os outros dias.
Bom saber
A Cidasc suspende a retirada e a venda de moluscos quando aparece toxina de alga acima do limite; em 2024, a proibição chegou a valer para todo o litoral catarinense. Consulte o mapa da Cidasc antes de montar o dia em torno do almoço no Ribeirão.
Do Ribeirão ao aeroporto, meia hora.
Se chover: centro, almoço longo e a Fortaleza
Troque o dia de praia pelo centro, por um almoço longo em Santo Antônio de Lisboa ou no Ribeirão, ou pela Fortaleza da Ponta Grossa, que rende mesmo com céu fechado. Não faça a Lagoinha do Leste nem Naufragados logo depois de chuva forte: pedra e barro deixam as descidas escorregadias.
Onde se hospedar: Lagoa para circular, Campeche para o sul, norte com criança
Lagoa da Conceição
A base mais equilibrada para quem não conhece a ilha: fica no meio do caminho para quase tudo e tem a maior oferta de restaurantes fora do centro. O centrinho, por outro lado, é barulhento à noite, vira gargalo na temporada e não tem mar: para praia, é preciso pegar o carro. Quem quer o mar na porta pode trocar pela Barra da Lagoa, mais sossegada e um pouco mais longe do norte.
Campeche
Praia longa e bairro residencial, perto do aeroporto e das trilhas do sul. O bairro é espalhado e depende de carro, tem pouca vida à noite e o mar aberto não é o mais tranquilo para criança.
Jurerê e o norte
Para família com criança pequena, o norte compensa: mar calmo e água menos fria. Jurerê Internacional é o trecho mais caro; Canasvieiras e Ingleses são mais populares. O preço é a distância: o aeroporto fica a mais de 35 km e o sul vira bate-volta longo.
Ficar no continente sai mais barato, mas cada dia começa e termina numa ponte; para uma semana de praia, não compensa.
Como chegar: o aeroporto fica no sul, a menos de 10 km do Campeche
O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, com terminal novo desde 2019, fica no sul da ilha: de 12 a 15 km do centro, menos de 10 km do Campeche e mais de 35 km de Jurerê. De carro, a chegada é pela BR-101: cerca de 300 km de Curitiba, 470 km de Porto Alegre e 700 km de São Paulo.
Se tiver menos dias
- Cinco dias: faça os dias 1, 3, 4 e 5 e deixe o norte de fora; com criança, troque um deles pelo dia 2. No último dia, passe a manhã no Ribeirão da Ilha e almoce antes do aeroporto. A Lagoinha do Leste fica de fora ou entra no lugar da Ilha do Campeche.
- Quatro dias: fique só na Lagoa. Faça centro, leste, Costa da Lagoa e um dia no sul, escolhendo entre a Ilha do Campeche e a Lagoinha do Leste.
- Três dias: base na Lagoa, com leste, Costa da Lagoa e um dia no sul. O centro fica para a próxima.
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