Atenas e Cíclades, Grécia
Roteiro de 9 dias na Grécia: Atenas, Naxos e Santorini de ferry
Acrópole às 8h, o interior de mármore de Naxos e a trilha da caldeira até Oia: 9 dias na Grécia de ferry, com onde ficar e quando ir.
A Acrópole abre às 8h, e quem entra nesse horário sobe o caminho de mármore com o sol ainda baixo, antes dos grupos e do calor. O ingresso agora tem hora marcada, e o resto do dia se organiza em volta dela. Nas ilhas, quem decide é o vento. O meltemi sopra do norte no verão, fica mais forte à tarde e, nos dias ruins, segura os barcos no porto.
Nove dias dão para Atenas e duas ilhas das Cíclades sem passar metade da viagem dentro de um ferry: três noites em Atenas, três em Naxos e duas em Santorini, com volta de avião.
Por que Naxos e Santorini, e não Milos ou Mykonos
Santorini entra pela caldeira, um paredão vulcânico com vilas brancas penduradas na borda, centenas de metros acima do mar. Também é cara e lotada, com navios de cruzeiro na baía quase todo dia da alta temporada. Duas noites bastam.
Naxos é o contrário. É a maior e mais verde das Cíclades, com praias de areia longas perto da cidade, vilas de montanha calçadas de mármore e movimento moderado. E fica no caminho: os barcos do Pireu para Santorini costumam parar em Paros e Naxos, então a rota segue em linha reta.
Milos, vulcânica e com algumas das praias mais bonitas das Cíclades, seria a alternativa mais forte, mas fica no lado oeste do arquipélago, fora dessa linha, e pede mais barco. Mykonos tem as praias e a noite mais agitadas da Grécia, com a mesma lotação e os mesmos preços de Santorini.
Quando ir: o calor de julho e o meltemi
Maio, junho, setembro e o começo de outubro são os melhores meses: mar bom para nadar a partir de junho, calor suportável e preços abaixo do pico.
Julho e agosto juntam calor forte em Atenas, ilhas lotadas, diárias no topo e o meltemi. Esse vento sopra de junho a meados de setembro, às vezes já em maio, com força maior em julho e agosto. Chega a 7 ou 8 na escala Beaufort, de 50 a 74 km/h, costuma enfraquecer à noite e às vezes dura dias. Nessas condições, os barcos rápidos são os primeiros a ficar no porto; os grandes costumam sair, com atraso e mar grosso.
No fim de outubro, a grade de ferries já encolhe, e de novembro até a Páscoa a maioria dos hotéis de Santorini fecha.
Bom saber
Nunca dependa do último barco para pegar um voo. Deixe pelo menos uma noite de folga entre a última travessia e o voo internacional.
Ferries: quem opera, quanto tempo leva e quando comprar
Não há bilheteria única: cada operadora vende os seus bilhetes. Na rota, as principais são a Blue Star Ferries, com navios grandes convencionais, e a SeaJets, com barcos rápidos; Minoan Lines, Golden Star Ferries e outras aparecem conforme o dia e a temporada. Os horários mudam a cada estação: confira no site da operadora antes de fechar as hospedagens.
- Pireu–Naxos: de 5h a 5h50 no convencional e de 3h15 a 3h45 no rápido.
- Naxos–Santorini: cerca de 2 horas no convencional.
- Santorini–Pireu: de 7 a 9 horas no convencional e de 4 a 5 no rápido. Por isso a volta é de avião, em menos de uma hora.
O convencional demora mais, mas balança menos e é o último a ter a saída cancelada com mar grosso. O rápido custa bem mais. Em julho e agosto, compre as travessias assim que tiver as datas, sobretudo para fins de semana e feriados. Fora do pico, poucos dias antes resolve.
No Pireu, chegue uma hora antes: o porto é enorme, e o portão de embarque, que você confere no site da operadora, pode ficar longe. A linha 1 do metrô (verde) termina em frente ao porto, e a 3, a do aeroporto, também chega lá.
Dia 1: chegada a Atenas e a primeira volta pela Plaka
Não há voo direto do Brasil; a conexão costuma ser numa capital europeia ou no Oriente Médio. Do aeroporto, a linha 3 do metrô custa 9 euros e aceita cartão por aproximação, mas só alguns trens vão até lá, em intervalos de mais de meia hora. O táxi tem tarifa fixa até o centro: 40 euros de dia e 55 de madrugada (valores de 2025).
O fuso é de cinco horas à frente de Brasília, seis no horário de verão europeu (do fim de março ao fim de outubro), e o primeiro dia rende pouco. Ande pela Plaka e por Anafiotika, casas grudadas na encosta norte da Acrópole, erguidas por gente da ilha de Anafi.
Dia 2: Acrópole às 8h e o museu à tarde
Desde setembro de 2023, a Acrópole só recebe com horário marcado, e desde abril de 2025 o ingresso custa 30 euros (15 o reduzido, que quase sempre exige documento da União Europeia) no site oficial, o hhticket.gr. Abre às 8h o ano todo e fecha entre 17h e 20h, conforme o mês; a última entrada é meia hora antes. O ingresso vale de 15 minutos antes a 15 minutos depois do horário escolhido.
Compre o das 8h. Às 10h o Partenon já está cheio de grupos, e no verão a pedra devolve o calor sem sombra nenhuma; em ondas de calor, o sítio já fechou nas horas mais quentes. Leve água, chapéu e sapato de sola que não escorrega: o mármore do caminho é liso de tanto uso.
Depois do almoço, atravesse a rua para o Museu da Acrópole. No último andar, os frisos do Partenon estão montados na orientação do templo, que aparece pelas janelas de vidro. O ingresso é próprio (20 euros, 10 o reduzido); de abril a outubro, abre das 9h às 20h, até as 17h às segundas e até as 22h às sextas.
No fim da tarde, suba o morro de Filopapo, do outro lado da avenida Dionysiou Areopagitou, de onde se vê a Acrópole inteira, com o Odeon de Herodes Ático na base.
Dia 3: Ágora, Monastiraki e o Museu Arqueológico
A Ágora Antiga, ao pé da Acrópole, guarda o templo de Hefesto, um dos mais inteiros da Grécia, com bem menos gente que o morro. Desde 2025 não existe mais ingresso combinado: a Ágora tem bilhete próprio. Depois, Monastiraki e Psyrri, de feira de rua e bares.
À tarde, o Museu Arqueológico Nacional, na rua Patission, o maior de Atenas, tem parte dos afrescos de Akrotiri, a cidade da Idade do Bronze que você vai ver em Santorini. Durma cedo: o barco sai de manhã.
Onde ficar em Atenas: Plaka, Koukaki ou Monastiraki
- Plaka e Makrygianni: a pé de tudo, ruas de pedestre e casarões neoclássicos. A região mais turística e mais cara.
- Koukaki: residencial, ao sul da Acrópole, com cafés de bairro e metrô (Akropoli e Syngrou-Fix). Costuma custar menos que a Plaka.
- Monastiraki e Psyrri: bares e restaurantes até tarde. Bom para sair à noite, ruim para sono leve.
- Syntagma: principal nó do metrô, prático para o aeroporto.
Há batedores de carteira nas aglomerações e na linha 1 do metrô, e o entorno de Omonia fica degradado à noite.
Dia 4: Pireu–Naxos e o pôr do sol na Portara
Daqui em diante, quem manda é o mar. O barco da manhã chega a Naxos no começo da tarde. A Chora, a cidade principal, sobe branca até o castelo veneziano, e numa ilhota ligada por uma passarela fica a Portara, porta de mármore de 2.500 anos, tudo o que restou de um templo de Apolo. No fim da tarde, é ali que se junta gente para ver o pôr do sol.
Dia 5: praias de areia na costa oeste
Agios Georgios começa onde termina a Chora. Para areia mais longa, pegue o ônibus para Agios Prokopios, a uns 5 km, e siga para Agia Anna e Plaka, numa faixa contínua de praias. Os ônibus saem da ponta norte da orla, com bilhete comprado antes, em máquina ou quiosque. Em dia de meltemi forte, as praias expostas ficam com areia voando: pergunte na hospedagem qual está mais protegida.
Dia 6: o interior de mármore, de Halki a Apiranthos
O interior é o que separa Naxos das outras ilhas. O roteiro completo só funciona de carro, alugado por um dia (pedem a Permissão Internacional para Dirigir). Os ônibus chegam a todas as vilas, algumas com só três horários diários: com eles, escolha entre a trilha do Zas e as vilas.
Na ida, desvie por Melanes, onde um kouros, estátua de mármore de um jovem, está deitado num pomar, inacabado desde o século 6 a.C. Depois, Halki, de telhados vermelhos, onde a destilaria Vallindras faz o kitron, licor de folha de cidra. Em Filoti começa a trilha do monte Zas, o mais alto das Cíclades, com cerca de 1.000 metros: da fonte de Aria, são de 1h30 a 2h30 só de ida, passando pela caverna ligada ao mito de Zeus. Saia cedo e leve água.
Termine em Apiranthos, com becos de mármore, quatro pequenos museus e tavernas debaixo das árvores.
Onde ficar em Naxos: Chora ou praia
- Chora: tudo a pé, do porto às tavernas e à praia de Agios Georgios, com os ônibus saindo dali. A melhor escolha sem carro.
- Agios Prokopios e Agia Anna: pé na areia e ônibus frequentes no verão, com menos opções de jantar e transporte até o porto.
- Vilas do interior: silêncio e preço menor, só com carro.
Dia 7: Naxos–Santorini e a primeira tarde em Fira
São cerca de duas horas de barco até Athinios, o porto no pé do paredão, de onde uma estrada de sete curvas fechadas sobe a encosta. Os ônibus da KTEL esperam cada chegada e levam uns 20 minutos até Fira, e a passagem é paga em dinheiro dentro do ônibus. Para Oia ou Imerovigli, combine o transfer com a hospedagem.
Quase toda linha de ônibus passa por Fira. No fim da tarde, siga a pé pela borda da caldeira até Firostefani e Imerovigli.
Em fevereiro de 2025, uma série de tremores esvaziou a ilha e levou a um estado de emergência, encerrado em março. Hoje tudo funciona normalmente.
Dia 8: Akrotiri de manhã, a caldeira a pé até Oia
Akrotiri é uma cidade da Idade do Bronze soterrada entre 1620 e 1530 a.C. pela erupção minoica, a mesma que deu à caldeira a forma atual. Casas, ruas e jarros de armazenamento ficam sob uma cobertura enorme, que permite a visita mesmo no calor. Dá para emendar um almoço e um mergulho em Perissa, de areia preta, antes de voltar a Fira para descansar.
A trilha de Fira a Oia pela borda da caldeira tem uns 10 km e leva de 3 a 4 horas com paradas, com subidas íngremes e trechos sem proteção junto ao abismo. O sentido inverso é mais puxado.
Saia de Fira umas quatro horas antes do pôr do sol: por volta das 16h30 em junho e julho, das 15h30 em meados de setembro e das 14h45 em outubro. Volte de ônibus ou táxi e conte com fila no ponto. Quem foge da multidão de Oia para em Imerovigli, na primeira hora de trilha, e vê o sol cair dali. Se o voo do dia 9 for à tarde, volte a Oia de manhã cedo, antes dos grupos.
Quem prefere o mar à trilha pode trocar a tarde pelo passeio de barco ao vulcão de Nea Kameni, que sai do porto velho de Fira e leva meio dia. Ao porto velho se desce pela escadaria de 588 degraus ou pelo teleférico, que tem fila quando há navio na baía.
Navios na baía, taxa de cruzeiro e a taxa por noite
Desde julho de 2025, quem desembarca de cruzeiro em Santorini paga uma taxa: 20 euros de junho a setembro, 12 em abril, maio e outubro e 4 de novembro a março. Quem chega de ferry ou avião não paga, mas sente o efeito: em dias de várias escalas, milhares de pessoas enchem Fira e Oia até o fim da tarde, mesmo com o teto de 8.000 cruzeiristas por dia combinado com as companhias.
Em toda a Grécia, a hospedagem cobra à parte a taxa de resiliência climática, por noite, conforme a categoria e a temporada: de abril a outubro, de 2 a 15 euros em hotel. Confira na reserva se está incluída.
Onde ficar em Santorini: caldeira ou praia
- Fira: a mais prática, com ônibus para tudo e vista da caldeira. A mais cheia quando os navios estão na baía.
- Firostefani e Imerovigli: a mesma vista, mais silêncio e caminho a pé até Fira pela borda.
- Oia: a vila mais bonita e mais cara, longe do terminal de ônibus.
- Kamari e Perissa: lado das praias de areia preta, quartos maiores, piscina e diária menor, sem vista da caldeira. Boa para famílias.
Na borda, os hotéis são pequenos, com escada para todo lado, e alguns não aceitam menores de 13 anos. Reserve cedo.
Dia 9: voo para Atenas e a conexão de volta
O terminal do aeroporto de Santorini é pequeno e lota: chegue duas horas antes. Se a passagem internacional for separada, deixe folga generosa em Atenas ou durma lá a última noite.
Passaporte, EES e o ETIAS que ainda não começou
Brasileiro não precisa de visto: a Grécia é Schengen, com até 90 dias de turismo a cada 180. O passaporte precisa valer pelo menos três meses depois da saída da Europa e ter menos de dez anos de emitido.
Desde 12 de outubro de 2025, a Europa registra digitais e foto do rosto de estrangeiros na primeira entrada, pelo sistema EES, no lugar do carimbo; a implantação terminou em 10 de abril de 2026. A primeira fila de imigração pode demorar mais.
O ETIAS, autorização eletrônica que vai ser exigida de brasileiros, ainda não está em funcionamento. A Comissão Europeia diz que não recebe pedidos e que vai anunciar a data com meses de antecedência; a imprensa europeia aponta 2027 como o mais cedo. Vai custar 20 euros, valer três anos e começar com um período de transição em que ainda não será obrigatório. Até lá, não pague site nenhum que diga vendê-lo.
Leve impressos a passagem de volta, as reservas e um seguro-viagem com cobertura médica. A imigração pode pedir esses papéis na chegada.
Dinheiro, tomada, chip e gorjeta
A moeda é o euro. Cartão passa em quase todo lugar, mas tavernas pequenas, quiosques e os ônibus de Santorini pedem dinheiro. No cartão brasileiro, além da cotação e da tarifa do banco, entra o IOF de 3,5%.
A tomada é de 230 V, com pinos redondos. O plugue brasileiro de dois pinos finos costuma entrar; o de três pinos precisa de adaptador. Chip europeu ou eSIM resolve os dados por menos que o roaming brasileiro.
Gorjeta não é obrigatória; o costume é deixar umas moedas, 1 ou 2 euros, na mesa. Muitos restaurantes trazem água sem pedir e cobram; recuse antes de abrirem a garrafa.
O que cortar se você tiver menos dias
- Sete dias: tire o dia 3 em Atenas e o dia 5 em Naxos. Ficam a Acrópole, o interior de Naxos, Akrotiri e a trilha da caldeira.
- Cinco ou seis dias: uma ilha só. Naxos dá praia e sossego; Santorini, a paisagem.
- Em qualquer versão: o passeio de barco ao vulcão e a fila do pôr do sol em Oia saem primeiro. A noite de folga antes do voo internacional fica.
Continue lendo

Amsterdã, Países Baixos
Amsterdã: onde ficar, ingresso da Anne Frank e as novas regras do Red Light
O ingresso da Anne Frank sai às terças, 10h no horário local, e o Rijksmuseum exige reserva até de quem entra grátis. Onde ficar em Amsterdã e quando ir.

San Pedro de Atacama, Chile
Atacama em 5 dias: roteiro que sobe aos poucos até as lagunas e o Tatio
Roteiro de 5 dias em San Pedro de Atacama que sobe aos poucos: Valle de la Luna de bicicleta, lagunas a 4.120 m, Tatio abaixo de zero e céu de lua nova.

Buenos Aires, Argentina
Buenos Aires em 2026: onde ficar, como pagar e o que fazer
O que fazer em Buenos Aires em 2026: o bairro certo para ficar, cartão ou Pix, parrilla às 22h, milonga de bairro e bate-volta a Colonia.