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Jijoca de Jericoacoara, Ceará

O que fazer em Jericoacoara agora que a Duna do Pôr do Sol acabou

Sem a duna, o dia em Jeri gira em torno da maré e do buggy: Pedra Furada na hora certa, lagoas a leste, Tatajuba a oeste, época do vento, taxa e onde ficar.

Foto: Rosanetur from Rio de Janeiro, Brazil · CC BY 2.0

Durante décadas, o dia em Jericoacoara terminava do mesmo jeito: no fim da tarde, todo mundo andava para o canto esquerdo da praia, subia a Duna do Pôr do Sol, esperava o sol cair no mar e descia correndo pela areia fofa. Esse ritual acabou. A duna já não existia em 2023: a areia fez o que sempre fez e andou em direção ao mar, empurrada também pelas construções e pelos cursos d'água, segundo um guia de geoturismo que o Serviço Geológico do Brasil e o ICMBio publicaram em 2026.

O pôr do sol continua, agora visto da própria praia. O resto do dia em Jeri é montado em volta da maré, que decide o caminho até a Pedra Furada, e do passeio de buggy, que vai para as lagoas a leste ou para o Rio Guriú a oeste. E, de agosto a novembro, o vento entra na conta, soprando forte o dia todo.

O pôr do sol desceu da duna para a areia

Em Jeri o sol se põe no mar, e qualquer ponto da orla serve de arquibancada. A faixa de areia em frente à vila é larga, escura e batida, e o mar é tão raso que é preciso andar bastante para a água chegar à cintura. Para ver o sol cair, é perfeita; para banho, as lagoas são melhores.

O mirante mais disputado passou a ser um terraço de bar na Rua do Forró, com DJ de quarta a domingo a partir das 16h; na alta temporada, chegue cedo para pegar lugar.

Fim de tarde na praia da vila, que virou o mirante do pôr do sol depois do fim da dunaFoto: Diogo Jorge Basso · CC BY-SA 4.0

Depois que escurece, a festa é na areia em frente à Rua Principal, todas as noites. Barraquinhas de drinques em volta de um palco pequeno, com DJ tocando forró eletrônico, brega e arrocha até o começo da madrugada.

Pedra Furada: a maré escolhe o caminho

O arco de pedra que virou símbolo de Jeri fica a leste, a 30 ou 40 minutos de caminhada. É quartzito de 600 a 850 milhões de anos, segundo o guia de geoturismo, e o furo foi aberto pelas ondas. Subir na pedra é proibido.

Há dois caminhos. O da beira-mar, pela Praia da Malhada, é plano e curto, mas só funciona com a maré baixa. Nos dias perto da lua cheia e da lua nova, a maré mais baixa cai no fim da manhã, perto das 10h ou 11h; saia uma hora e meia antes da baixa-mar e dá para ir e voltar pela areia. Para o horário, veja a tábua de marés da Marinha, no porto cearense mais próximo, ou pergunte ao anfitrião ou à recepção, que costumam ter a do mês.

O outro caminho sobe o Morro do Serrote, o ponto mais alto do parque nacional, com 98 metros e um farol de 1952 no topo. Funciona com qualquer maré, mas você desce o morro do outro lado para chegar à pedra e sobe de novo na volta.

Bom saber

Vá de manhã, com o sol de frente para o arco. À tarde ele fica contra a luz, a não ser por algumas semanas no meio do ano, por volta de julho, quando o sol se põe alinhado com o furo; pergunte na vila se já está na época, e aí compensa voltar no fim do dia.

Passeios de buggy, a leste e a oeste

Fora da vila, os passeios se dividem em dois circuitos. Os dois levam de cinco a seis horas, com parada para almoço, e o motorista costuma buscar na hospedagem entre 9h30 e 10h. O buggy cobra por carro e leva até quatro pessoas. Quem viaja só ou em dupla pode entrar num buggy compartilhado ou na jardineira, caminhonete com bancos cobertos na carroceria, que cobra por pessoa. Dá para fechar na véspera, com o anfitrião, na recepção ou nos balcões de Jeri.

Bom saber

Preços de setembro de 2026, segundo o guia Mala de Aventuras: a partir de R$ 450 o buggy fechado, em qualquer dos dois circuitos; R$ 80 por pessoa no compartilhado do oeste. A leste, a entrada do Buraco Azul custava R$ 40 a R$ 50 por pessoa; a oeste, a balsa do Guriú, R$ 40 a R$ 50 por veículo, ida e volta, e a canoa dos cavalos-marinhos, R$ 20 a R$ 30 por pessoa.

Lado leste, das lagoas aos piscinões azuis

As fotos de redes dentro de uma água verde-clara com a legenda "Jericoacoara" quase sempre são da Lagoa de Jijoca, de água doce. Na cheia ela é uma lagoa só; na seca, os dois braços se separam e ganham nomes próprios: Lagoa do Paraíso, a 5 km da sede de Jijoca e a 18 km da vila, segundo as perguntas frequentes da prefeitura, e Lagoa Azul, mais perto da Praia do Preá.

Quiosques de palha no braço da Lagoa Azul, na Lagoa de JijocaFoto: Mauro Fernando Cardoso Peltier Freire · CC BY-SA 4.0

O circuito leste costuma reunir:

  • Árvore da Preguiça, um mangue-de-botão que o vento deitou rente ao chão. A parada é para foto, e quem sai cedo pega menos fila.
  • Praia do Preá, a primeira praia a leste, reta e extensa, onde se concentra o kitesurf.
  • Buraco Azul ou Lagun, dois piscinões de água azul-turquesa. O Buraco Azul nasceu de uma cava aberta para tirar areia e argila na obra da estrada do Preá, que se encheu com as chuvas; a explicação mais aceita para a cor é o tipo de solo do fundo. Os dois cobram entrada; o Lagun foi escavado depois.
  • Lagoa Azul ou Lagoa do Paraíso, com as redes na água.

De buggy, combine as paradas antes de sair. Os bugueiros ganham comissão dos clubes de lagoa e tendem a levar você até eles, e o roteiro fica mais leve com um piscinão e uma lagoa, em vez de dois de cada. Para passar o dia inteiro numa lagoa, sem o pinga-pinga, compre só o traslado de jardineira de ida e volta.

A Árvore da Preguiça, moldada pelo vento constante do litoral cearenseFoto: Bart van Dorp · CC BY 2.0

Lado oeste, do Guriú a Tatajuba

O passeio oeste, mais agreste, cruza a barra do Rio Guriú, que marca o limite oeste do parque nacional. Carros e buggies atravessam de balsa.

Antes ou depois da travessia, há canoas que entram no mangue do Guriú para mostrar cavalos-marinhos. Os canoeiros procuram o bicho na água, mostram e devolvem; nem sempre há canoeiro em todos os pontos de embarque.

A barra do Rio Guriú, limite oeste do parque nacionalFoto: Otávio Nogueira from Fortaleza, BR · CC BY 2.0

Depois vêm as dunas, com parada para a esquibunda, e Tatajuba, a uns 25 km de Jeri. A vila antiga foi soterrada pelas dunas, e o povoado de hoje se chama Nova Tatajuba. A Lagoa da Tatajuba muda muito de tamanho entre a cheia e a seca e, na seca, vira poças entre as dunas. No almoço, o peixe é escolhido na hora e assado numa das barracas de palha à beira d'água, na própria lagoa ou no Lago Grande, que também tem redes na água.

Água entre as dunas na região de Tatajuba, no circuito oesteFoto: Otávio Nogueira from Fortaleza, BR · CC BY 2.0

Com um dia só para passeio, faça o leste, onde estão as lagoas famosas. O oeste fica para quem tem um segundo dia.

Vento: o windsurf ficou com a vila, o kite foi para o Preá

Os windsurfistas chegaram primeiro e continuam velejando em frente à vila. O kitesurf, que veio depois, se concentrou no Preá, já no município de Cruz. Pelo Viaje na Viagem, a temporada de vento começa em meados de julho e vai até janeiro, mas sopra forte de verdade de agosto a novembro.

Para quem só quer praia, o vento refresca, mas à tarde joga areia em quem está deitado. Há escolas dos dois esportes em Jeri e no Preá.

Windsurf em Jeri em novembro, no auge da temporada de ventoFoto: Winniepix · CC BY 2.0

Quando ir a Jericoacoara: chuva até maio, vento de agosto a novembro

Faz de 25 °C a 29 °C o ano inteiro. De um mês para outro, mudam a chuva, o vento e o movimento. Pelas médias do Viaje na Viagem e do Climatempo:

  • De fevereiro a maio é a quadra chuvosa do Ceará, com o pico em março e abril (perto de 300 mm em cada um). Em ano normal, conte com dias nublados.
  • Em junho e julho o sol se firma. O vento volta em julho e aperta a partir de agosto. Julho é alta temporada, por causa das férias escolares.
  • De agosto a novembro quase não chove (menos de 10 mm por mês) e venta forte. É o período mais seguro para pegar sol.
  • Dezembro e janeiro têm as primeiras chuvas e o pico de movimento do Réveillon e das férias; o Carnaval cai já na quadra chuvosa.

Com data flexível, prefira setembro a novembro, com céu limpo e menos gente que em julho e janeiro.

Como chegar a Jeri: voo até Cruz ou estrada desde Fortaleza

De avião até Jeri. O Aeroporto Regional de Jericoacoara fica em Cruz, o município vizinho, e passou a ser administrado pela Fraport em setembro de 2026. Nesse mês, segundo o Movimento Econômico, Latam e Gol tinham voos diários de Guarulhos, e a Azul ligava o aeroporto a Confins na alta temporada.

Do aeroporto à vila são uns 30 km pelo Preá, 12 deles de areia batida, em cerca de 50 minutos. Há guichês de transfer no saguão; dá para fechar na chegada, menos no Réveillon, nas férias de janeiro e no Carnaval, quando convém reservar. O caminho mais econômico é um trecho curto de táxi até Jijoca e jardineira até Jeri, que leva uns 45 minutos e passa por dentro do parque.

Por Fortaleza. Fortaleza, a uns 300 km, tem muito mais voos, e chegar por lá pode sair mais barato. O transfer em 4x4 leva até cinco horas, e o de van, com troca de veículo em Jijoca, umas seis. O ônibus da Expresso Guanabara faz o último trecho de jardineira, e a viagem toda leva de sete a oito horas. De carro, são 280 km de asfalto pela CE-085; evite dirigir à noite.

Carro de visitante não entra na vila e fica no estacionamento autorizado na entrada. Para chegar até ele, a trilha do Preá aceita carro comum em tempo seco, segundo o Viaje na Viagem; depois de chuva forte, há risco de atolar.

Para juntar Jeri ao Delta do Parnaíba e aos Lençóis Maranhenses, veja a Rota das Emoções em 7 dias.

A taxa da prefeitura e a do parque, que a Justiça barrou

Todo visitante paga a Taxa de Turismo Sustentável da prefeitura de Jijoca de Jericoacoara. Em outubro de 2026, segundo as perguntas frequentes da prefeitura, ela custa R$ 41,50 por pessoa e vale dez dias; cada dia a mais sai por R$ 4,15. Pague antes de viajar, no gerador da taxa no site da prefeitura, ou nos postos de atendimento na entrada da sede de Jijoca e da vila.

Guarde o comprovante da taxa no celular. A hospedagem pode pedir no check-in, e o controle na entrada da vila também. Crianças de até 12 anos e pessoas com mais de 60 estão entre os isentos, com documento apresentado na chegada.

A diária que a concessionária do Parque Nacional de Jericoacoara queria cobrar de quem entra na vila está suspensa desde janeiro de 2025. Em outubro de 2025, o TRF-5 decidiu que quem só atravessa o parque para chegar à vila não paga; em 3 de outubro de 2026, o tribunal negou à concessionária a subida do caso ao STJ, decisão da qual ela ainda pode recorrer. Cobrar nos atrativos dentro do parque continua possível, mas, segundo o jornal O Povo, em outubro de 2026 a única taxa em vigor era a da prefeitura.

Onde ficar em Jericoacoara: o miolo, as bordas, o Preá ou a lagoa

Quem fica dentro da vila resolve tudo a pé. Fora dela, as noites são mais calmas, mas cada jantar ou passeio depende de caminhada longa na areia ou de transporte.

Rua de areia no centrinho de JeriFoto: Jorge Brazilian from Rio de Janeiro, Brazil · CC BY 2.0
  • Miolo, entre a Rua Principal, a Rua do Forró e a Rua São Francisco: perto da praia e dos restaurantes. Junto da praia da Rua Principal, o forró eletrônico da festa na areia entra no quarto até o começo da madrugada; becos a duas ou três quadras resolvem isso.
  • Frente para o mar: as diárias mais caras de Jeri. Com sono leve, evite as que ficam perto da Rua Principal.
  • Fora do miolo: Jeri cresceu para o oeste, em direção às dunas, e para os fundos. Ali as noites são silenciosas e as hospedagens ocupam terrenos maiores, com piscina e jardim; em troca, a caminhada até a praia e o jantar é mais longa.
  • Preá: destino à parte, com comércio próprio, para quem vai praticar kite. Fica fora da vida de Jeri, e cada ida até lá depende de transporte.
  • Lagoa do Paraíso, em Jijoca: duas ou três noites com a lagoa na porta, boas para o começo ou o fim da viagem. Para os passeios e a noite de Jeri, você depende de jardineira ou transfer. O centro de Jijoca, a 45 minutos de jardineira da praia de Jeri, só serve de pernoite de passagem.
  • Guriú: vilarejo rústico à beira do rio, a oeste, com acesso por estrada de chão desde a CE-085. Para quem quer isolamento.

Quantos dias ficar em Jeri

Quatro noites cobrem o essencial. No primeiro dia, chegue, deixe as malas e vá para a areia no fim da tarde. No segundo e no terceiro, os circuitos leste e oeste, que saem entre 9h30 e 10h. O quarto é da Pedra Furada. Se a baixa-mar cair de manhã, saia uma hora e meia antes e vá pela praia; se não, vá cedo pelo Serrote, que funciona com qualquer maré e pega o arco com o sol de frente. O resto do dia fica para uma lagoa, uma aula de kite ou nada além da praia.

Com uma ou duas noites a mais, divida a estadia e comece ou termine na Lagoa do Paraíso, a 5 km da sede de Jijoca, no caminho entre o aeroporto e a vila. Com menos de três noites, corte o oeste e não tente encaixar os dois circuitos no mesmo dia.

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A Pedra Furada de Jericoacoara, arco de rocha escura na beira do mar, contra a luz do fim de tarde

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