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Lisboa, Sintra, Porto e Douro, Portugal

Portugal de trem em 7 dias: roteiro de Lisboa ao Porto com Sintra e Douro

Roteiro de uma semana sem carro: Lisboa, Sintra e Porto de trem, com Douro ou Coimbra no sexto dia, o que reservar antes e onde ficar.

Foto: Dale Cruse - 10M views from San Francisco, CA, USA · CC BY 4.0

Sete dias em Portugal cabem num trilho de trem: Lisboa, Sintra num bate-volta de 40 minutos, o Porto a menos de três horas de Alfa Pendular e, de lá, um dia no Douro ou em Coimbra. Sem carro, e a mala só muda de cidade uma vez. O que decide se a semana anda bem são quatro reservas feitas antes de embarcar: Pena, Regaleira, Livraria Lello e o trem entre as duas cidades.

O roteiro chega por Lisboa e volta pelo Porto. Na hora de comprar a passagem, cote a opção "multidestino", chegando por um aeroporto e saindo pelo outro. Isso poupa três horas de volta até Lisboa no último dia.

Antes de embarcar: as quatro reservas que não esperam

  1. Palácio da Pena. A entrada no palácio é por horário marcado, comprada no site da Parques de Sintra. Quem sobe de ônibus deve marcar o das 10h; o primeiro, às 9h30, só dá chegando de táxi da estação. Na tabela do site em outubro de 2026, a Visita Essencial, que inclui o palácio, sai por €20 para adultos, e só o parque, por €12. O transfer da entrada do parque até a porta do palácio é pago à parte, €4,50.
  2. Quinta da Regaleira. Também tem bilhete com hora, vendido no site oficial da quinta, com uma hora de tolerância. Compre pelo link do site dela, porque a quinta avisa que tem recusado bilhetes de sites paralelos.
  3. Livraria Lello. Só se entra com o bilhete-voucher, vendido com data e hora no site da livraria. Vale até 60 minutos depois do horário escolhido; o valor é descontado de qualquer livro que você levar. Mochila e bolsa de viagem não entram, então não vá direto da estação com a bagagem. Fecha em 1º de janeiro, na Páscoa, em 1º de maio, 24 de junho e 25 de dezembro.
  4. Trem Lisboa–Porto. A CP vende lugar marcado numa partida específica; os bilhetes promocionais, com alguns dias de antecedência, custam bem menos e acabam primeiro.

Se a opção do sexto dia for Coimbra, acrescente a Biblioteca Joanina, que também tem entrada com data e hora (veja o Dia 6).

Onde ficar em Lisboa e no Porto: duas bases, uma troca de mala

Em Lisboa, durma na Baixa, no Chiado ou perto do Rossio. O trem para Sintra sai do Rossio, e a linha azul do metrô leva da Baixa-Chiado a Santa Apolónia, de onde partem os Alfa e Intercidades para o Porto. A comparação bairro a bairro está no guia de Lisboa.

No Porto, quatro opções:

  • Baixa e Aliados. A mais prática, plana para o padrão do Porto e a poucos minutos a pé da estação de São Bento, com metrô nos Aliados e na Trindade (onde chega a linha do aeroporto).
  • Ribeira. A da vista, na beira do rio, de frente para Gaia. É também a mais cara e a mais cheia, barulhenta à noite e íngreme, já que tudo o que não está no cais fica no alto de uma escadaria.
  • Cedofeita e Miguel Bombarda. Mais calma e mais local, com galerias de arte e lojas pequenas, a uns 15 minutos a pé da Baixa.
  • Vila Nova de Gaia. É outro município, na margem oposta. Tem a melhor vista do Porto e as caves na porta, mas a volta do cais é uma ladeira forte.

Dia 1: chegada e Lisboa a pé, sem pressa

Não marque nada para as primeiras horas. Com o novo sistema europeu de entrada e saída, a fila da imigração em Lisboa já passou de uma hora em vários dias de 2026.

O metrô leva do aeroporto à Baixa em uns 25 minutos (detalhes no guia de Lisboa). Passe a tarde no plano: Rossio, Rua Augusta, o arco e a Praça do Comércio, aberta para o Tejo. No fim da tarde, suba ao Chiado e veja o sol se pôr no Miradouro de Santa Catarina.

A Praça do Comércio vista do Tejo, com o castelo no alto da colinaFoto: Jakub Hałun · CC BY 4.0

Dia 2: Alfama, castelo e Belém

Comece cedo, no elétrico 28 ou no 12E antes das 9h. Suba aos miradouros da Graça e de Santa Luzia, passe pelo castelo e desça a Alfama a pé. Depois do almoço, siga para Belém de elétrico 15E ou de trem do Cais do Sodré; os Jerónimos e a Torre têm horário marcado. O passo a passo está no guia de Lisboa.

Atenção à segunda-feira, quando Jerónimos e Torre fecham. Se o Dia 2 cair numa segunda, troque-o com o Dia 3 e vá a Sintra, onde a Pena e a Regaleira abrem às segundas.

Dia 3: Sintra num bate-volta de trem

Na serra a oeste de Lisboa, Sintra esconde palácios e jardins românticos no meio da mata, mais do que cabem num dia. A dupla mais pedida é a Pena, lá no alto, e a Regaleira, perto do centro.

8h: Rossio. Os trens da linha de Sintra saem da estação do Rossio a cada 20 minutos, mais ou menos, e levam uns 40 minutos. O bilhete de 24 horas Carris, Metro e CP (€11,40 em 2026) cobre a ida e a volta e ainda o metrô do dia. O ônibus 434, lá em cima, é da Scotturb e se paga à parte. Carregue o cartão na véspera, porque de manhã as máquinas do Rossio têm fila.

9h: subida. O primeiro 434 sai da estação às 9h e roda a cada 15 minutos num circuito de mão única: centro histórico, Castelo dos Mouros, Pena. Da entrada do parque até a porta do palácio são uns 15 minutos de ladeira, ou o transfer de €4,50. Carro particular não chega ao palácio.

10h: Palácio da Pena. O palácio vermelho e amarelo no topo da serra foi construído para D. Fernando II no século 19, misturando neogótico, neomanuelino e mourisco. Depois, ande pelo parque, com lagos, mirantes e árvores trazidas do mundo inteiro.

O Palácio da Pena no topo da serra, visto do parqueFoto: Jakub Hałun · CC BY 4.0

Opcional, 12h: Castelo dos Mouros. Muralhas medievais na crista vizinha, com vista para a Pena e, em dia limpo, para o mar. Em vários trechos não há guarda-corpo. Custa €12 e é o primeiro a sair se o tempo apertar.

13h30: centro histórico. Desça para almoçar na vila, perto do Palácio Nacional de Sintra, o das duas chaminés brancas cônicas. Prove os travesseiros, massa folhada com recheio de amêndoa e ovo.

15h30: Quinta da Regaleira. Fica a uns 15 minutos a pé do centro. É um jardim cheio de grutas, túneis e torres, montado no começo do século 20 por um milionário apaixonado por esoterismo. O que todo mundo vai ver é o Poço Iniciático, uma escada em espiral de nove patamares que desce terra adentro até um túnel. Pegue o mapa na bilheteria.

O Poço Iniciático da Regaleira, visto do fundoFoto: Ji Soo Song · CC BY 2.0

18h: volta ao Rossio. Leve casaco, porque Sintra é mais fresca que Lisboa e muitas vezes amanhece na neblina.

Com chuva forte, o parque e a Regaleira viram lama; troque o Castelo dos Mouros pelo Palácio Nacional, que é coberto.

Dia 4: trem para o Porto e a primeira noite na Ribeira

Embarque depois do almoço e passe a manhã perto da estação. De Santa Apolónia se sobe a pé, em poucos minutos, ao Panteão Nacional (fechado às segundas) e ao Campo de Santa Clara, onde a Feira da Ladra, o mercado de pulgas da cidade, monta às terças e aos sábados. A mala fica na hospedagem até a hora de sair; quase todas guardam depois do check-out.

Alfa Pendular ou Intercidades

Os dois saem de Santa Apolónia pela mesma linha, com paradas em Oriente e Coimbra-B, entre outras:

  • Alfa Pendular é o rápido, que chega a 220 km/h. Leva cerca de 2h50 até Porto-Campanhã, com tomada, Wi-Fi e carro-bar. A classe Turística é a econômica; a Conforto, a primeira classe.
  • Intercidades é mais lento, com mais paradas, e chega em pouco mais de três horas. Custa menos e, para três horas sentado, o conforto quase não muda.

Se dormir perto do aeroporto ou da Expo, embarque em Oriente, que economiza uns dez minutos. Escolha assento do lado esquerdo no sentido do Porto, porque depois de Espinho a linha corre perto do mar.

O trem para em Campanhã, a uns 3 km do centro. Dispense o táxi. O mesmo bilhete da CP vale no trem urbano até São Bento, a cinco minutos dali, já no centro; use-o logo na chegada.

São Bento e os azulejos

Antes de sair da estação, olhe as paredes do saguão: são cerca de 20 mil azulejos pintados por Jorge Colaço no começo do século 20, com batalhas, a chegada de D. João I ao Porto e cenas do campo.

Os painéis de Jorge Colaço no saguão de São BentoFoto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0

No fim da tarde, desça à Ribeira, a beira-rio de casas coloridas e estreitas, e jante por ali ou atravesse a ponte para Gaia.

Dia 5: Porto de ponta a ponta, de Lello às caves de Gaia

9h: Livraria Lello. Marque o primeiro horário, antes que a fila da Rua das Carmelitas dobre a esquina. A livraria de 1906 tem fachada neogótica, vitral no teto e a escada vermelha em curva. A fama de ter inspirado Harry Potter foi desmentida por J. K. Rowling em 2020.

10h: Torre dos Clérigos. Na esquina de baixo. A torre barroca é o marco do centro, e lá de cima se vê o casario descendo até o rio, as pontes, as caves do outro lado. A plataforma do alto é estreita; quem chega cedo sobe com menos gente.

11h30: Aliados e Bolhão. Desça a Avenida dos Aliados e siga para o Mercado do Bolhão, reaberto em 2022 após longa reforma.

13h: almoço. É hora da francesinha, o sanduíche do Porto: pão de forma com linguiça, presunto e bife, coberto de queijo derretido e afogado num molho de tomate com cerveja. Pesada demais para a noite.

15h: a ponte. Suba até o tabuleiro de cima da Ponte Luís I, onde passam o metrô e os pedestres, bem acima do rio. Do outro lado, o Jardim do Morro e o mirante da Serra do Pilar dão a vista do Porto que está na capa.

16h: caves de vinho do Porto. Desça para o cais de Gaia, onde ficam os armazéns das casas produtoras. Quase todas fazem visita guiada com prova, em horários fixos; reserve no site da cave.

Pôr do sol: volte ao Porto pelo tabuleiro de baixo da ponte, rente à água, e fique no cais da Ribeira.

Com chuva, o dia quase não muda: Lello, Clérigos, Bolhão e caves são cobertos. Atravesse para Gaia de metrô (linha D, de São Bento ou Aliados até Jardim do Morro) em vez de pela ponte, e troque o pôr do sol no cais por uma segunda cave.

Dia 6: vale do Douro ou Coimbra

Escolha o Douro se a ideia é ver vinhedo e rio e provar vinho, sabendo que são cinco horas de trem no dia (de novembro a março, bem mais; veja o aviso abaixo). Escolha Coimbra se prefere cidade a pé e menos tempo sentado, com uma hora para ir e outra para voltar.

Douro: o trem até o Pinhão

O Pinhão é uma vila pequena no fundo do vale, cercada de vinhedos em socalcos, os degraus de pedra que sobem as encostas. A estação é coberta de azulejos de 1937 com cenas da vindima e da paisagem do Douro. Da vila saem passeios curtos de barco pelo rio, e várias quintas da região recebem visitas com prova, sempre com reserva.

O Pinhão, na beira do Douro, cercado de vinhedosFoto: Acediscovery · CC BY 4.0

Para chegar lá, a linha do Douro sai de São Bento, passa por Régua e segue colada ao rio. Até o Pinhão, contando a troca de trem que alguns horários exigem no Marco de Canaveses, são cerca de duas horas e meia. Sente do lado direito. Depois do Marco, o rio fica desse lado quase o caminho todo. Confira os horários no site da CP na véspera, porque são poucos trens por dia e o da volta não pode ser perdido.

Bom saber

De 3 de novembro de 2026 a 24 de março de 2027, por obras, o trecho entre Marco de Canaveses e Régua é feito em ônibus da CP. O trem segue de Régua ao Pinhão, mas a ida leva umas quatro horas, e o jeito é sair de Campanhã às 7h30 e voltar no das 17h15 do Pinhão. Nesse período, Coimbra ou um passeio de agência rende mais.

A vindima, a colheita da uva, costuma ir do começo de setembro ao começo de outubro, e é a época mais bonita e mais cheia. Agências do centro do Porto vendem passeios de um dia com van, barco e quinta, para quem não quer depender de horário de trem.

Coimbra: universidade e Biblioteca Joanina

O Alfa faz Porto–Coimbra-B em cerca de uma hora. Coimbra-B fica a uns 2 km do centro, e desde janeiro de 2025 nenhum trem segue até Coimbra-A, a estação central, porque o ramal virou via do metrobus da Metro Mondego. Na saída, pegue o metrobus ou o ônibus até a Baixa. A baldeação para quem chega de trem da CP era gratuita; confirme no guichê.

A Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa, ocupa o alto da colina. A visita inclui a Biblioteca Joanina, barroca, em madeira dourada, o Palácio Real e a Capela de São Miguel. O bilhete básico custa €16,50 em 2026 e vale dois dias, mas a Joanina tem entrada só na data e no horário marcados na compra, e no andar nobre dela não se fotografa. O mesmo bilhete inclui o Museu da Ciência, com o Laboratório Chimico e o Gabinete de Curiosidades; só a torre da universidade está fechada.

Coimbra vista da universidade, com o Mondego ao fundoFoto: Oren Rozen · CC BY-SA 4.0

Na descida, passe pela Sé Velha, uma catedral românica do século 12, e termine no Mosteiro de Santa Cruz, na Baixa, onde estão enterrados os dois primeiros reis de Portugal.

Dia 7: Foz do Douro e o caminho do aeroporto

No último dia, vá até onde o Douro encontra o Atlântico. O elétrico 1 sai do Infante, perto da Ribeira, e segue pela margem até o Passeio Alegre; o ônibus 500 faz caminho parecido e vai até a orla. Na Foz, o calçadão segue o mar até o farol e as praias de pedra.

Quem prefere arte e jardim, ou pegou chuva, pode trocar a Foz por Serralves, museu de arte contemporânea de Álvaro Siza num parque com uma casa art déco cor-de-rosa.

O metrô do aeroporto é a linha E, a violeta, que sai da Trindade e chega ao terminal em cerca de 30 minutos, com trens a cada 15 a 20 minutos, conforme o horário. Para voo ao Brasil, saia da Trindade umas quatro horas antes da decolagem. Compre o cartão Andante na máquina e valide antes de embarcar. A fiscalização entra nos vagões, e a multa é de dezenas de euros, mesmo para quem se confundiu com a zona.

Quando ir: de abril a junho e na vindima

As melhores semanas são de abril a junho e de setembro a meados de outubro, sem o calor e as filas de julho e agosto.

No Porto chove bem mais que em Lisboa, sobretudo de novembro a fevereiro; leve guarda-chuva mesmo com Lisboa seca. Em 23 de junho, véspera do São João, o Porto passa a noite na rua, com martelinhos de plástico e sardinha assada, e hospedagem nessa data some cedo.

Documentos e a taxa turística do Porto

Passaporte, EES, ETIAS, cartão, chip, tomada e fuso estão no guia de Lisboa e valem para o país inteiro. O Porto cobra taxa turística de €3 por pessoa por noite (a partir dos 13 anos, até sete noites), à parte da diária; a câmara discute subir para €4.

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Ponte Luís I sobre o rio Douro, com o casario da Ribeira do Porto na outra margem

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