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Bahia

Salvador em 4 dias: Pelourinho, ilhas da baía e três pores do sol

Roteiro de 4 dias em Salvador para a primeira visita: Pelourinho a pé, escuna pelas ilhas, Bonfim, três pores do sol de frente para a baía e onde ficar.

Foto: Paul R. Burley · CC BY-SA 4.0

Boa parte de Salvador fica de frente para a Baía de Todos-os-Santos, e este roteiro guarda três fins de tarde para ver o sol baixar sobre ela: no Farol da Barra, na mureta do Santo Antônio e na Ponta de Humaitá. Para o resto entrar em quatro dias, aceite duas regras: Cidade Alta e Cidade Baixa não cabem com calma no mesmo dia, e o mar da baía pede um dia inteiro só para ele.

O plano é para a primeira visita e para quem gosta de andar a pé: manhãs cheias e uma folga no calor do começo da tarde.

Antes de ir: quando ir, onde ficar e por que dispensar o carro

Carro, não. Salvador se resolve com carro de aplicativo, e o centro histórico quase não tem onde parar. Alugar só compensa se você emendar com o Litoral Norte ou o Recôncavo.

Época. Pelas médias históricas do INMET, abril e maio são os meses mais chuvosos, e a temporada de chuva vai até julho. De setembro a março o tempo costuma ser mais firme. Janeiro e fevereiro têm festas de largo, a Lavagem do Bonfim e o Carnaval, e a cidade lota: para essas datas, reserve com meses de antecedência.

Base. São três bases boas (os prós e contras estão no fim): o centro histórico, no Pelourinho ou no Santo Antônio Além do Carmo, para acordar no casario; a Barra, para ter praia na porta; e o Rio Vermelho, para comer e sair à noite. Para quatro dias e primeira visita, a Barra é o meio-termo mais fácil.

Ordem dos dias. Os Dias 2 e 4 dependem do calendário. O Dia 2 rende mais de quarta a sexta, quando abrem o MAFRO, a Casa do Carnaval e a maior parte dos bares da Rua Direita; o Dia 4 pede qualquer dia menos domingo, quando o Comércio fecha. O Dia 3 é o coringa: se a escuna for cancelada por mar ruim, troque-o com o Dia 4 e tente o barco no dia seguinte.

Bom saber

Desde fevereiro de 2025, a Igreja de São Francisco, a famosa igreja forrada de ouro, está fechada: parte do forro desabou sobre visitantes e uma turista morreu. A Ordem Franciscana e o Iphan projetam a reabertura para 2029.

Dia 1: Porto da Barra, Farol e acarajé no Rio Vermelho

Chegando de manhã ou no começo da tarde, deixe as malas e vá para o Porto da Barra. É uma enseada entre o Forte de Santa Maria e o Forte de São Diogo, onde a cidade inteira toma banho de mar. A água é calma em qualquer época, e no fim de semana a enseada lota cedo.

Lá pelas 16h, caminhe uns 15 minutos pela orla até o Farol da Barra. Ele fica no Forte de Santo Antônio da Barra, sede do Museu Náutico da Bahia (inteira a R$ 20 em 2026). Na temporada das baleias, de julho a outubro, o ingresso dá acesso aos binóculos do Projeto Baleia Jubarte no alto da torre.

Bom saber

O forte tem restauro contratado, com término previsto para o primeiro semestre de 2027. Antes de ir, veja no site do museu se a visitação segue normal.

Fique no gramado do forte ou siga até o Morro do Cristo. É o primeiro dos três pores do sol do roteiro: na ponta da península, a Barra fica de frente para a entrada da baía.

O Farol da Barra no fim da tarde, visto das pedras ao lado do forteFoto: Ruy Carvalho · CC BY-SA 3.0

À noite, pegue um carro até o Rio Vermelho, uns 15 minutos, dependendo do trânsito, e comece pelo acarajé. As duas barracas mais famosas ficam a cinco minutos a pé uma da outra e continuam com as famílias das baianas que dão nome a elas. A da Dinha é tão antiga que o Largo de Santana passou a ser chamado de Largo da Dinha; a da Cira fica no Largo da Mariquita. Peça "quente" se quiser pimenta e "frio" se não quiser. Os bares dos largos enchem depois das 21h.

Dia 2: Pelourinho de manhã, Santo Antônio à tarde

Comece às 8h30, antes do calor e das excursões, pela Praça Municipal, ao lado do Elevador Lacerda. Dali, a Rua da Misericórdia leva à Praça da Sé e ao Terreiro de Jesus.

No Terreiro fica a Catedral Basílica, antiga igreja dos jesuítas, com visitação paga. Na mesma praça, no prédio da antiga Faculdade de Medicina, funciona o Museu Afro-Brasileiro da UFBA, o MAFRO. Se couber um museu só, que seja este: lá estão os 27 painéis de cedro em que Carybé entalhou os orixás. Abre de segunda a sexta (alguns guias incluem o sábado); leve dinheiro trocado, porque a bilheteria nem sempre aceita cartão.

Do Terreiro, passe pelo Cruzeiro de São Francisco para ver a fachada da igreja fechada e desça por uma das ruas de pedra que caem no Largo do Pelourinho. Na parte alta do largo, o prédio azul é a Fundação Casa de Jorge Amado. Lá embaixo, a Igreja do Rosário dos Pretos foi erguida pela irmandade de negros escravizados e libertos.

Bom saber

Se o Dia 2 cair numa terça: a missa do Rosário dos Pretos, às 18h, tem atabaques e cantos de tradição afro-brasileira; troque por ela o pôr do sol no Santo Antônio. No verão, a terça à noite também é do Olodum: em janeiro de 2026, a Terça da Bênção começava às 19h, com ingresso antecipado (fora da temporada, a agenda sai nas redes do bloco). Como vários bares da Rua Direita fecham nesse dia, jante depois da missa num dos largos do Pelourinho.

Para almoçar, o restaurante-escola do Senac, no próprio Largo do Pelourinho, serve um bufê com dezenas de pratos baianos, o jeito mais seguro de provar moqueca, vatapá, caruru e xinxim numa sentada só.

As torres da Igreja do Rosário dos Pretos no meio do casarioFoto: Paul R. Burley · CC BY-SA 4.0

Depois do almoço, na hora mais quente, suba de volta até a Praça Ramos de Queirós, entre a Sé e o Terreiro: a Casa do Carnaval conta a história da festa e tem um café no terraço (abre de terça a domingo). Por volta das 15h30, volte ao Largo do Pelourinho e suba a Ladeira do Carmo. No meio dela está a Escadaria do Passo, cenário de O Pagador de Promessas, o filme de Anselmo Duarte que ganhou a Palma de Ouro em 1962. No alto, no Largo do Carmo, começa a Rua Direita de Santo Antônio: cerca de um quilômetro de casarões até o Largo de Santo Antônio, passando pela Cruz do Pascoal, de 1743.

Casarões da Rua Direita de Santo Antônio, a caminho do largoFoto: Paul R. Burley · CC BY-SA 4.0

O Santo Antônio Além do Carmo é o pedaço do centro histórico que mais conserva cara de bairro: ainda tem morador, e no fim da tarde as crianças tomam a praça. Na ponta da rua fica o Forte de Santo Antônio Além do Carmo, o Forte da Capoeira, que abriga um centro de referência da capoeira e grupos que treinam ali. Para o segundo pôr do sol do roteiro, a mureta do largo, de frente para a baía, é o melhor lugar da Cidade Alta.

Jante na própria Rua Direita, onde vários bares e restaurantes do lado da baía têm varanda com vista. O La Lupa, do chef italiano Alessandro Narduzzi, nasceu no Pelourinho em 2001 e hoje fica no número 491; a cozinha é mediterrânea, de base italiana, e a casa costuma abrir de quarta a domingo. No Oliveiras Bar, aberto de quinta a sábado à noite, peça o gengibrinho: cachaça curtida com gengibre, limão e açúcar.

O trecho dos bares é policiado e cheio à noite, mas o movimento acaba poucos metros adiante. Não ande pelas transversais e volte para a base de carro.

Dia 3: de escuna até a Ilha dos Frades e Itaparica

As escunas pela Baía de Todos-os-Santos saem entre 8h e 9h do Terminal Náutico, em frente ao Mercado Modelo. Cerca de uma hora e meia depois vem a primeira parada, a Ilha dos Frades, com praia de água clara na Ponta de Nossa Senhora e uma capela no alto do morro. A segunda é Itaparica, para o almoço e mais um banho de mar. A escuna volta a Salvador perto das 17h.

A Ponta de Nossa Senhora, na Ilha dos Frades, primeira parada das escunasFoto: Tatiana Souza · CC BY 2.0

Morro de São Paulo fica de fora por um motivo prático. O catamarã do Terminal Náutico até Morro leva em média 2h20 por mar aberto, com horários que mudam conforme o tempo. Num bate-volta, são quase cinco horas de barco para umas quatro na ilha, com bom risco de enjoo; dentro da baía, a água é em geral mais calma. Some a isso a taxa de visitação de Cairu: R$ 70 desde dezembro de 2025 (o aumento para R$ 90 foi suspenso em julho de 2026 e está sem data). Morro merece pelo menos duas noites.

Bom saber

Reserve a escuna na véspera e pague só depois de confirmada a previsão do tempo. Pergunte se a taxa de embarque do terminal, a taxa de preservação da Ilha dos Frades e o almoço estão incluídos (muitas vezes não estão) e qual é a regra de remarcação se o mar virar.

Dia 4: Elevador Lacerda, Bonfim e o fim de tarde em Monte Serrat

Comece entre 9h e 10h na Praça Municipal e desça pelo Elevador Lacerda, que liga a Cidade Alta ao Comércio desde 1873. Com a reforma de 2025, a passagem passou de R$ 0,15 para R$ 1, e quem tem o cartão de transporte da cidade não paga. De graça, há o Plano Inclinado Gonçalves, reaberto em dezembro de 2025, que funciona em dias úteis das 7h às 18h e no sábado até as 13h.

O Elevador Lacerda, o Mercado Modelo e o Forte de São Marcelo no meio da baíaFoto: Raul Golinelli · CC0

Embaixo fica o Mercado Modelo, bom para comprar artesanato e fitas antes da Colina Sagrada. Dali, pegue um carro rumo ao Bonfim e pare no caminho, a uns 10 minutos, na Feira de São Joaquim, em Água de Meninos. Ela começa de madrugada e vai até o fim da tarde; no meio da manhã ainda está cheia de frutas, folhas e temperos, e tem uma ala inteira de artigos religiosos do candomblé.

Da feira até o Bonfim são mais uns 15 minutos. A Basílica do Senhor do Bonfim tem entrada gratuita, e a parte que mais impressiona fica ao lado da nave: a sala dos ex-votos, com fotos, cartas e réplicas de partes do corpo deixadas por quem recebeu uma graça. As fitas você amarra na grade da frente, com três nós e três pedidos. Na segunda quinta-feira depois do Dia de Reis, a escadaria é lavada pelas baianas na Lavagem do Bonfim (em 2026 foi em 15 de janeiro; em 2027 deve cair no dia 14).

As fitas do Senhor do Bonfim na grade em frente à basílicaFoto: Paul R. Burley · CC BY-SA 4.0

Desça a colina até a Ribeira para almoçar nas barracas de peixe frito da orla. De sobremesa, vá à Sorveteria da Ribeira, que funciona desde 1931 e em 2023 entrou na lista das 100 melhores sorveterias do mundo do TasteAtlas. O sabor mais famoso é o de tapioca: peça esse e mais um que você nunca viu em outro lugar, como cajá ou umbu.

Bom saber

Entre o almoço e o pôr do sol sobram umas três horas. Para não ficar esperando, comece o dia mais perto das 10h e estique a feira e o Mercado Modelo, ou vá a Monte Serrat logo depois do almoço e guarde o pôr do sol para o Farol da Barra.

No fim da tarde, vá até a Ponta de Humaitá, em Monte Serrat, a 10 minutos de carro. Ali ficam a pequena Igreja de Monte Serrat e o forte de mesmo nome, numa ponta de terra dentro da baía. É o último pôr do sol da viagem, e com bem menos gente que no Farol.

Se o seu voo sai à noite, leve as malas no carro e saia de Monte Serrat logo depois do pôr do sol: até o aeroporto, a cerca de 30 km, conte de uma hora a uma hora e meia no fim da tarde.

Se chover: MAFRO, Mercado Modelo e a casa de Jorge Amado

Em abril e maio a chuva pode durar o dia inteiro. Debaixo de teto ficam o MAFRO, a Catedral Basílica, a Casa do Carnaval, o Mercado Modelo e a Casa do Rio Vermelho, onde Jorge Amado e Zélia Gattai viveram, hoje um memorial na Rua Alagoinhas (pelo último horário divulgado, abre de terça a domingo).

O Museu de Arte Sacra da UFBA, que costuma aparecer nas listas de dia de chuva, está fechado desde agosto de 2024; a licitação do telhado, aberta em 2025, não teve interessados, e a obra não tem data.

Onde ficar em Salvador: praia, casario ou noite

Barra: praia na porta e o meio-termo mais fácil

Praia a pé, orla plana para caminhar, muitos restaurantes e 15 a 20 minutos de carro até o Pelourinho. Em troca, é a área mais cheia da cidade no verão e vira circuito do Carnaval, com ruas bloqueadas. Fora da orla e da Avenida Sete, algumas ruas internas ficam escuras à noite. Na orla movimentada, o cuidado é o de toda cidade grande: celular guardado na areia e na calçada.

Santo Antônio e Pelourinho: acordar no casario

Dos dois, o Santo Antônio é a melhor opção: mais silencioso, com hospedagens pequenas em casarões e vista para a baía. O Pelourinho é animado de dia e esvazia à noite fora dos largos principais. A região fica longe da praia, tem ladeira por todo lado (ruim para quem tem mobilidade reduzida ou mala grande) e ruas laterais vazias depois das 22h: à noite, fique nos largos com movimento e volte de carro. Não desça a pé as ladeiras que ligam a Cidade Alta ao Comércio, como a da Montanha e a da Conceição.

Rio Vermelho: para quem viaja pela comida e pela noite

Primeiro, o barulho: nas noites de fim de semana, os largos ficam cheios até tarde e o som chega às janelas. O mar ali é de pedras e ondas (para banho, a Barra é melhor), e o centro histórico fica a 20 ou 30 minutos de carro. Em compensação, há bar ou restaurante em quase todo quarteirão, acarajé na esquina e a Festa de Iemanjá no dia 2 de fevereiro.

Do aeroporto ao centro: carro ou metrô

O Aeroporto Internacional de Salvador fica a cerca de 30 km do centro histórico e da Barra. De carro, conte de 40 minutos a mais de uma hora, dependendo do trânsito na Avenida Paralela. O metrô tem estação no aeroporto: a Linha 2 vai até o Acesso Norte, onde você troca para a Linha 1 até a Lapa, a pouco mais de um quilômetro do Pelourinho. Com mala ou à noite, prefira o carro.

Com menos (ou mais) dias

  • Três dias: corte o barco; a baía você vê do Elevador Lacerda e de Monte Serrat.
  • Cinco ou seis dias: troque o passeio de escuna por duas noites em Morro de São Paulo, ou faça um dia no Recôncavo, em Cachoeira, a cerca de duas horas de carro.
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Sobrados coloridos do Largo do Pelourinho, em Salvador, sob céu azul

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