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Belo Horizonte e Brumadinho, Minas Gerais

Roteiro de 3 dias em Belo Horizonte, com um dia inteiro no Inhotim

Roteiro de 3 dias em BH: os dias da semana certos para o Inhotim e a Igrejinha, o barco na Pampulha e fígado com jiló no Mercado Central.

Foto: Stephanie Torres from Belo Horizonte, Brazil · CC BY 2.0

No alto de um morro do Inhotim, em Brumadinho, um pavilhão redondo de vidro guarda um poço de 202 metros de profundidade, com microfones lá no fundo. O som que enche a sala é o da terra, transmitido ao vivo. A obra é o Sonic Pavilion, de Doug Aitken, e fica a uma hora de carro de Belo Horizonte, num parque de 140 hectares de arte contemporânea e jardim botânico que completou 20 anos em 2026.

O Inhotim toma um dia inteiro, do ônibus das 8h15 ao da volta. Belo Horizonte enche os outros dois: um com o Mercado Central e a Praça da Liberdade, outro com a Pampulha de Niemeyer.

Escolha os dias da semana antes da passagem

O Inhotim abre de quarta a domingo: das 9h30 às 16h30 de quarta a sexta e até as 17h30 nos sábados, domingos e feriados. Segunda e terça, fecha. A exceção são janeiro e julho, quando abre também às terças, no horário da semana. Na cidade, a maior parte dos museus fecha às segundas, e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade, fecha às terças.

A Igrejinha da Pampulha é a outra trava: a visita ao interior é de terça a sexta. Por isso o encaixe que mais funciona é de quarta a sexta: cidade na quarta, Inhotim na quinta e Pampulha na sexta, quando também sai o barco da lagoa e abrem a Casa do Baile e a Casa Kubitschek.

Quem viaja de sexta a domingo troca a ordem: Pampulha na sexta e Inhotim no sábado, quando às vezes há ônibus direto. O domingo começa cedo na Feira Hippie, com mais de 1,5 mil barracas de artesanato na Avenida Afonso Pena, das 8h às 14h. Siga para o Mercado, que fecha às 13h aos domingos, e deixe a Praça da Liberdade para a tarde.

Toda quarta-feira o Inhotim é gratuito, assim como o último domingo de cada mês. O ingresso grátis é retirado antes no Sympla, sujeito a lotação, e não há fila de espera na recepção para desistências. É dia de parque cheio; para ver as galerias com calma, pague e vá numa quinta ou sexta.

Dia 1: Mercado Central, Praça da Liberdade e boteco

Manhã no Mercado Central, com fígado com jiló antes do meio-dia

O Mercado Central ocupa um quarteirão inteiro da Avenida Augusto de Lima, no Centro, e está ali desde 1929. Abre das 8h às 18h de segunda a sábado e das 8h às 13h aos domingos e feriados. Chegue cedo e ande antes de comer: queijos de Minas para provar no balcão, doce de leite, goiabada, cachaça, pimenta em conserva, raízes e ervas, e as lojas de aviário, com bicho vivo à venda no meio do Mercado.

A entrada do Mercado Central, na Avenida Augusto de LimaFoto: Paulo SP/ Wikimedia · CC BY-SA 4.0

No fim da manhã, sente num dos bares de balcão. O prato da casa é o fígado com jiló, servido em porção para dividir. Para ele, o endereço mais lembrado é o Bar da Lora, e o Bar Fortaleza também o tem entre os carros-chefes. No Casa Cheia, mais restaurante que bar, o clássico é o mexidoido chapado.

Tarde na Praça da Liberdade, de museu em museu

A Praça da Liberdade fica a pouco mais de 1 km do Mercado em linha reta, ladeira acima, a caminho da Savassi. Em volta dela, os antigos prédios das secretarias do governo de Minas viraram museus e centros culturais, quase todos gratuitos: é o Circuito Liberdade.

Comece pelo Palácio da Liberdade, antiga sede do governo, com entrada gratuita: o interior abre das 12h às 17h de quarta a sexta e das 10h às 16h30 nos fins de semana, e os jardins ficam abertos até as 18h. Depois escolha dois entre o MM Gerdau Museu das Minas e do Metal, o CCBB e a Casa Fiat de Cultura, que mudam de exposição ao longo do ano. O MM Gerdau abre de terça a domingo, das 10h às 17h, e às quintas vai até as 22h.

A Praça da Liberdade vista do MM GerdauFoto: Tet · CC0

Bom saber

Os horários do circuito mudam com as exposições; confira no site de cada espaço.

Noite de boteco, na Savassi ou em Santa Tereza

Da Praça da Liberdade até a Praça da Savassi, cercada de bares com mesa na calçada, são uns dez minutos a pé. Para um boteco de bairro, vá de aplicativo a Santa Tereza, na região leste, o bairro onde Milton Nascimento e os irmãos Borges formaram o Clube da Esquina.

Se a viagem cair entre abril e maio, procure o Comida di Buteco, o concurso em que os bares da cidade criam um petisco para o público votar. Em 2026, a edição de BH foi de 10 de abril a 10 de maio, com mais de 120 bares, petisco a R$ 40 e verduras como tema.

Dia 2: o Inhotim, galeria por galeria

Quatro jeitos de chegar a Brumadinho

São uns 60 km de Belo Horizonte até o Inhotim.

  • Ônibus da Cia Coordenadas. Sai da Rodoviária de BH às 8h15 e volta às 16h30 de quarta a sexta e às 17h30 nos fins de semana e feriados, no horário em que o parque fecha. Na tabela de 2025 divulgada pelo Inhotim, a ida custava R$ 60,67 e a volta, R$ 53,80; confira no site da empresa, que também vende no guichê da rodoviária.
  • Ônibus direto de fim de semana. Em alguns sábados e domingos, um executivo da Olympus vendido pela Buser sai às 8h de um ponto na região oeste de BH (o Expominas ou um posto na BR-040, conforme a data), chega à portaria do Inhotim às 9h15 e volta às 17h na maioria das datas. Em outubro de 2026, custava R$ 39,90 por trecho.
  • Transfer da Belvitur, a agência oficial do Inhotim. Sai às 8h de um ponto na Rua Professor Moraes, 600, na Savassi, e volta nos mesmos horários do ônibus da Coordenadas. Na mesma tabela de 2025, custava R$ 130 ida e volta. Reserve com pelo menos 24 horas de antecedência e pague antes; para sábado e domingo, até as 15h de sexta.
  • Carro. O caminho mais curto é pela BR-381, passando por Contagem e Betim. A alternativa é a BR-040, com saída pela Serra da Moeda, mais longa e mais bonita. Desde setembro de 2026, o estacionamento custa R$ 35 por carro, com 50% de desconto nos dias gratuitos, e pode ser reservado pelo app Zul+.

Ingresso, passaporte e quem não paga

Em outubro de 2026, a inteira custava R$ 65 e a meia, R$ 32,50, no Sympla ou na bilheteria da recepção. O app do Inhotim dá 10% de desconto no ingresso de um dia. Para dois dias, o passaporte sai a R$ 114; para três, R$ 150. Pagam meia estudantes, professores, maiores de 60 anos, crianças e adolescentes de 6 a 18 anos, e pessoas com deficiência e seu acompanhante. Crianças até 5 anos não pagam, mas precisam de ingresso retirado nos dias gratuitos.

Os próximos dias grátis de 2026 são as quartas de 21 e 28 de outubro, as quartas de novembro e dezembro e os domingos 25 de outubro, 29 de novembro e 27 de dezembro.

O carrinho elétrico e por onde começar

O parque é grande e cheio de subidas, e as galerias mais distantes ficam no alto dos morros. O carrinho elétrico, em rotas fixas, custa R$ 45 por pessoa e roda das 10h às 16h nos dias de semana e até as 17h nos fins de semana. Compre junto com o ingresso no Sympla: na recepção, só se sobrar vaga. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e um acompanhante usam o carrinho de graça, com credenciamento na recepção.

Sem o carrinho, escolha uma parte do parque e deixe o resto. Uma ordem que funciona, e dá para parar em qualquer ponto:

  1. Galeria Praça, logo depois da recepção, com Forty Part Motet, de Janet Cardiff: 40 caixas de som em roda, cada uma com a voz de um cantor do coro da Catedral de Salisbury. São 14 minutos.
  2. Galeria Cosmococa, de Hélio Oiticica e Neville D'Almeida: cinco salas de projeção em que o visitante entra no trabalho. Numa delas você deita numa rede, em outra pisa entre balões, e na CC4 Nocagions entra numa piscina de água fria sob luz verde e azul. Leve roupa de banho.
  3. Galeria Yayoi Kusama, ao lado, inaugurada em 2023, com duas instalações imersivas da artista japonesa. A lotação é limitada: vá cedo.
  4. Sonic Pavilion, no alto do morro, para ouvir a terra. Daqui em diante, sem carrinho, a subida pesa.
  5. Galeria Adriana Varejão, um bloco de concreto suspenso sobre um espelho d'água.
  6. Narcissus Garden, de Kusama, a obra da foto do alto desta página: 750 esferas de aço inoxidável num espelho d'água, que o vento junta e espalha.
O Sonic Pavilion, de Doug Aitken, no alto do morroFoto: Caroline E. S. Sousa · CC BY-SA 4.0

Se sobrar fôlego, siga para a Galeria Psicoativa, com a obra de Tunga, a sala escura da Ttéia 1 C, de Lygia Pape, e a Galeria Claudia Andujar, com mais de 400 fotografias dos Yanomami. No caminho, Beam Drop, de Chris Burden, é um campo de 71 vigas de aço que um guindaste soltou de 45 metros de altura sobre concreto fresco.

A Galeria Adriana Varejão sobre o espelho d'águaFoto: régine debatty · CC BY-SA 2.0

Bom saber

Na metade de outubro de 2026, estavam em manutenção a Galeria Cildo Meireles, a Galeria Galpão, a Galeria Rivane Neuenschwander, a Vegetation Room, de Cristina Iglesias, e o meliponário. Confira a lista do dia no site antes de traçar o percurso.

Almoço no parque: comida mineira a quilo

A Comedoria Oiticica serve comida mineira a quilo das 12h às 16h (das 11h às 16h às quartas). O quilo custava R$ 122 às quartas, R$ 138 às quintas e sextas (e às terças de janeiro e julho) e R$ 148 nos fins de semana. O Prato Feito Igrejinha é a opção mais barata. Dá para levar lanche individual.

Dia 3: a Pampulha de Niemeyer, de barco ou a pé

O Conjunto Moderno da Pampulha foi encomendado nos anos 1940 pelo então prefeito Juscelino Kubitschek a um Oscar Niemeyer ainda jovem, com jardins de Burle Marx, em volta de uma lagoa artificial no norte da cidade. Desde 2016 é Patrimônio Mundial da Unesco. A Igrejinha fica a uns 10 km da Savassi em linha reta; vá de aplicativo ou de carro e chegue às 8h, quando ela abre.

A Igrejinha, que a Igreja demorou a aceitar

A Igreja de São Francisco de Assis, inaugurada em 1943, é a que todo mundo reconhece: abóbadas parabólicas de concreto revestidas de pastilhas e azulejos azuis e brancos, com a torre do sino separada da nave. As curvas e o painel de Portinari atrás do altar, em que um cachorro faz o papel do lobo ao lado de São Francisco, desagradaram a Arquidiocese, que só consagrou a igreja em 1959, 16 anos depois da inauguração.

A Igreja de São Francisco de Assis vista do outro lado da lagoaFoto: Allan Vigiano · CC BY-SA 4.0

Pelo guia de visitação que a UFMG publicou em 2025, o interior abre de terça a quinta, das 8h às 11h e das 13h às 17h, e às sextas, das 8h às 11h e das 13h às 16h30. Fora desses horários, e nos fins de semana, a igreja se vê por fora; nas missas de domingo, a entrada é livre. O horário muda com frequência: confirme com a paróquia antes de ir.

Casa do Baile, Casa Kubitschek e o barco Capivarã

Da Igrejinha, siga pela orla até a Casa do Baile, o antigo salão de dança de Niemeyer, com a marquise curva acompanhando a margem. Hoje é um centro de referência em arquitetura, urbanismo e design. A Casa Kubitschek, casa de fim de semana de JK, virou museu. As duas abrem de quarta a domingo, das 10h às 18h. O antigo cassino, que abriga o Museu de Arte da Pampulha, está fechado para reforma desde 2019 e só se vê por fora.

A marquise da Casa do Baile, à beira da lagoaFoto: Carmeladgl · CC BY-SA 4.0

A prefeitura retomou a navegação turística na lagoa com o Capivarã: desde 10 de outubro de 2026, o barco leva 71 pessoas em passeios de cerca de uma hora, às sextas, sábados e domingos, às 10h30, 13h30, 15h30 e 17h30. O último sai na hora do pôr do sol. A inteira custa R$ 20, a meia, R$ 10, e o morador de BH paga R$ 12; crianças até 12 anos não pagam.

Bom saber

Embarque no Centro de Atendimento ao Turista Veveco (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 855), meia hora antes. Ingresso no Portal Belo Horizonte ou no Sympla, com até seis meses de antecedência, ou no Veveco, se sobrar lugar.

Até janeiro de 2027, a Belotur também promove passeios guiados gratuitos pela cidade, um deles de micro-ônibus pela Pampulha; a agenda e a inscrição saem no Portal Belo Horizonte.

Volte para almoçar na região da Savassi e feche a viagem no fim da tarde na Praça do Papa, no Mangabeiras, aos pés da Serra do Curral, de onde se vê a cidade inteira no pôr do sol.

Onde ficar em BH: Savassi, Lourdes, Centro ou Brumadinho

  • Savassi. A base mais prática para quem chega pela primeira vez: bares e restaurantes na porta, a Praça da Liberdade a pé e o ponto do transfer para o Inhotim ao lado. Nas sextas e sábados, as ruas de bar fazem barulho até tarde.
  • Lourdes. Vizinho da Savassi, mais residencial e mais silencioso à noite, com boa oferta de restaurantes. É onde para o ônibus do aeroporto, na Avenida Álvares Cabral.
  • Centro. Costuma ser mais barato e fica ao lado da Rodoviária, de onde sai o ônibus da Coordenadas, e do Mercado. À noite o comércio fecha e as ruas esvaziam; prefira aplicativo depois das 20h.
  • Brumadinho, perto do Inhotim. Para quem quer o passaporte de dois dias ou abrir o parque sem pegar estrada de manhã. Exige carro, e a vida noturna é pouca.

Do Aeroporto de Confins a BH: três ônibus

O Aeroporto de Confins fica a uns 40 km do centro de BH. A Conexão Aeroporto tem três linhas, com bilhete no guichê da empresa no saguão. Em outubro de 2026:

  • Executivo (5240): R$ 49,50, cerca de uma hora até a Avenida Álvares Cabral, 387, em Lourdes. Nos dias úteis, são só seis saídas do aeroporto, a primeira ao meio-dia.
  • Semi-expresso (5241): R$ 28,70, cerca de 1h15 até o mesmo ponto em Lourdes, com 19 saídas nos dias úteis, a partir das 6h45.
  • Convencional (5250): R$ 22,75, cerca de 1h40 com várias paradas, até a Rodoviária, no Centro. Nos dias úteis são 24 saídas; a última da noite sai à 0h15, e depois só às 5h20 (aos domingos, às 6h).

Quando ir: o Inhotim é melhor na seca

Pela média de 30 anos do Climatempo, chove 268 mm em dezembro, 217 mm em janeiro e 195 mm em novembro. Em julho, são 6 mm. De junho a agosto quase não chove, e maio e setembro ainda são secos; a mínima média de julho fica em 11 °C.

Como o Inhotim é também jardim botânico e quase todo o percurso entre galerias é ao ar livre, a seca é a melhor época para ele. Na chuva, as trilhas ficam escorregadias e o carrinho vira necessidade. Se o dia do Inhotim amanhecer chovendo, troque-o pelo do Mercado e da Praça da Liberdade, quase todo sob teto.

Abril e maio juntam o fim das chuvas com o Comida di Buteco. Janeiro e julho são meses de férias escolares e os únicos em que o Inhotim abre às terças.

Se der para ficar um quarto dia

A extensão natural do roteiro é Ouro Preto, a umas duas horas de estrada. Outra opção é o passaporte de dois dias do Inhotim, com uma noite em Brumadinho.

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Esferas de aço espelhadas da obra Narcissus Garden, de Yayoi Kusama, num espelho d'água entre plantas roxas e papiros, no Inhotim

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