Capitólio, Minas Gerais
O que fazer em Capitólio depois do acidente de 2022: cânions, cachoeiras e quando ir
O que mudou nos cânions de Capitólio desde 2022, quanto custam lancha, mirante e cachoeiras, e os meses em que o Lago de Furnas está alto e a chuva já passou.
Por volta das 12h30 de 8 de janeiro de 2022, um bloco de quartzito se soltou da parede de um cânion do Lago de Furnas, em Capitólio, e caiu sobre uma lancha; a onda atingiu outras três. Dez pessoas morreram. Naquela manhã, a Defesa Civil de Minas Gerais tinha emitido alerta de chuva forte na região, com a frase: "Evite cachoeiras no período de chuvas".
A Polícia Civil concluiu, em março de 2022, que a queda foi um evento natural: anos de erosão na base do bloco, sem ninguém indiciado. Os cânions reabriram em 30 de março e voltaram a encher de lanchas. As regras para entrar neles mudaram duas vezes desde então.
O que mudou nos cânions depois da queda de rocha
O decreto da reabertura, em março de 2022, limitou a área dos cânions a poucas embarcações por vez: quatro no primeiro trecho e uma, sem parada, no segundo. Também proibiu barcos com mais de 32 pés, fixou velocidade máxima de 3 nós e mandou manter distância dos paredões e interromper os passeios com chuva. Capacete e colete passaram a ser obrigatórios, e uma equipe de geólogos contratada pela prefeitura vistoriava as paredes todos os dias antes da abertura.
Parte disso foi afrouxada. Em dezembro de 2023, outro decreto da prefeitura tornou facultativos o capacete e o colete. A vistoria dos paredões passou a dia sim, dia não até março de 2024, depois semanal na chuva e quinzenal na seca, até março de 2025; o regime seguinte não foi publicado. Outras regras não aparecem como revogadas. Em janeiro de 2025, o Estado de Minas listava entre as medidas adotadas o limite de lanchas nos cânions, a proibição de parar onde a rocha caiu, a de nadar em alguns trechos e o veto ao som alto.
Como a prefeitura não publica um resumo das regras em vigor, vale seguir três por conta própria:
- Contrate lancha com o selo da prefeitura. Toda embarcação de turismo precisa de cadastro anual e de um selo municipal à vista, emitido depois das vistorias. A lista das empresas regularizadas, com telefone, está no site da prefeitura.
- Vista o colete. Deixou de ser obrigatório, mas nada impede que você peça um e use.
- Com chuva forte, não entre no cânion. Nem logo depois dela. O alerta da Defesa Civil do dia do acidente continua valendo como conselho. Se o piloto quiser entrar com o tempo fechado, peça para voltar.
A lancha pelos cânions, a Lagoa Azul e os bares flutuantes
O passeio clássico dura umas três horas e junta o que Capitólio tem de mais fotografado: a entrada nos cânions, a parte baixa da Cachoeira Lagoa Azul, o Vale dos Tucanos e uma parada nos bares flutuantes, com tempo para banho onde é permitido. O Pauá Parque, o mesmo do Mirante dos Cânions, vende esse roteiro no próprio site, com saídas às 10h15 e às 13h15 de dentro do parque, no km 312 da MG-050, e um trecho motorizado pelo campo rupestre antes do barco.
A lancha custa R$ 130, mas só embarca quem tem o ingresso do parque (R$ 153). O combo do site sai por R$ 255 por adulto e já inclui o mirante, a ponte pênsil e as piscinas (valores de outubro de 2026). Dá para fazer tudo no mesmo dia: lancha das 10h15, almoço no restaurante do parque e mirante à tarde.
As outras empresas saem sobretudo da ponte do Rio Turvo, na MG-050, a uns 23 km do centro, onde se fecha o passeio na hora, em lancha compartilhada ou fechada para o grupo. Também há saídas do píer de Escarpas do Lago. Em feriado, como o número de barcos nos cânions é limitado, sair cedo poupa espera na entrada.
O Mirante dos Cânions agora fica dentro de um parque, com ingresso
A vista que aparece em quase toda foto de Capitólio, os paredões alaranjados com a água verde lá embaixo e as lanchas do tamanho de um grão de arroz, fica no mesmo Pauá Parque de onde sai a lancha. O ingresso inclui o mirante clássico, um segundo mirante de aço sobre o lago, uma ponte pênsil de 110 metros a 40 metros de altura, piscinas naturais e a Cachoeira dos Canyons.
Em outubro de 2026, o site do parque mostrava R$ 153 por adulto, R$ 76 de 6 a 10 anos e R$ 122 a partir de 60 anos, com entrada livre até 5 anos. Quem compra pelo site até a véspera paga menos que na bilheteria. Abre das 9h às 17h30 de segunda a sexta e das 8h às 17h30 nos fins de semana e feriados, com bilheteria até as 17h. Comida e bebida não entram, só água; para comer, há um restaurante com vista no próprio parque, o Cataguá Comes & Bebes. A tirolesa é vendida à parte.
Trilha do Sol: três cachoeiras e um cânion com água pela coxa
Na MG-050, no km 304, a pouco mais de 1 km da rodovia por estrada de terra, a Trilha do Sol junta três quedas numa caminhada de 3 a 4 km, ida e volta. A primeira parada é o Poço Dourado, onde se anda uns 80 metros por dentro de um cânion estreito, com a água na altura da coxa sobre um fundo amarelado. Depois vêm a Cachoeira do Grito e a No Limite, esta com um mirante sobre o cânion e um poço de água verde para banho.
O site oficial do parque lista R$ 60 por adulto e R$ 55 para quem tem mais de 60 anos, com crianças até 10 anos sem cobrança (consulta em outubro de 2026). O parque abre das 9h às 17h, e o restaurante funciona de terça a domingo. Não entram bebida alcoólica, cooler nem bolsa térmica, e nada de creme, sabonete ou xampu nos ribeirões.
O próprio parque avisa que, com mau tempo, há risco de tromba d'água, e que monitores podem mandar todo mundo sair. Não há reembolso quando o fechamento é por causa natural. Na estação chuvosa, deixe a Trilha do Sol para a manhã, antes das pancadas da tarde.
Cascatinha: 20 minutos de trilha ou banho de graça chegando de lancha
A Cascatinha despenca direto do paredão dos cânions no lago, com uns 24 metros de altura, perto do km 315 da MG-050. Há dois jeitos de chegar. Por terra, a entrada é pelo Cascata Eco Parque, com uma trilha fácil de uns 20 minutos, que passa por poços rasos, bons para crianças, e termina num mirante de frente para a queda. O guia Melhores Destinos indica R$ 40 por pessoa; listagens mais recentes, sem data, falam em R$ 50 no Pix e R$ 55 no cartão. Confirme na portaria. Pelo lago, as lanchas param no pé da cachoeira, e o banho ali não se paga.
Paraíso Perdido, um dia inteiro subindo o rio
Mais adiante, já em São João Batista do Glória, vizinha de Capitólio, o Paraíso Perdido é uma área particular com 18 cachoeiras e poços ao longo de um rio, numa trilha autoguiada de umas duas horas, com travessias na água, pedras e trechos íngremes; somando as paradas nos poços, o passeio ocupa o dia. Os pontos difíceis têm cordas e monitores. O Melhores Destinos indica R$ 50 por pessoa, com variação entre alta e baixa temporada; o perfil oficial, @paraisoperdidomg, é o lugar para confirmar valor e se o rio está liberado depois de chuva.
A represa sobe e desce, e a paisagem muda com ela
O Lago de Furnas é uma represa de hidrelétrica, e o nível dele depende de chuva e da operação da usina. Quando baixa, a água recua das margens e aparece uma faixa clara de terra e pedra entre o lago e o mato, como um anel de banheira, e as cachoeiras que caem direto no lago ganham altura.
Em 2026, o lago começou o ano abaixo de 758 metros, passou dos 762 metros no fim de março e ficou perto de 763,7 metros em junho e julho; no fim de julho estava com 67% do volume útil, segundo os boletins mensais da ANA sobre Furnas. Os 762 metros são a cota mínima que a Constituição de Minas fixou em 2020, ao tombar o lago, regra que o governo federal contestou no STF. Cheio de verdade, com 100% do volume, o lago só voltou a ficar em abril de 2023, depois de 12 anos.
O padrão é este: a represa desce ao longo da seca, chega ao fundo entre novembro e dezembro e volta a subir a partir de janeiro. No ciclo passado, o fundo veio no fim de novembro de 2025, com 757,5 metros; quem vai em outubro e novembro encontra o lago perto disso. O nível do dia está no painel de reservatórios do ONS.
Quando ir a Capitólio: abril e maio, com a chuva já longe e o lago no alto
A chuva se concentra de outubro a março. Pelas médias da Climatempo, dezembro e janeiro passam de 270 mm, novembro chega a 200 mm e fevereiro e março ficam perto de 180 mm. De junho a agosto chove menos de 20 mm por mês. Foi em janeiro, no meio da estação de chuva, que a rocha caiu.
Abril e maio juntam tudo: a chuva já foi embora, as cachoeiras ainda têm água e o lago está perto do ponto mais alto do ano. Junho e julho também têm céu firme, só que as mínimas descem a 13 °C e o banho de cachoeira gela. Setembro é quente, com cachoeiras magras e lago em queda. Na estação chuvosa, o verde fica mais forte e as quedas mais cheias, mas as pancadas da tarde fecham passeios e mudam o plano do dia.
Nos feriados prolongados, a cidade lota e a fila de lanchas cresce na mesma proporção.
Quatro horas de BH, seis de São Paulo
Capitólio não tem aeroporto com voo comercial. De Belo Horizonte, são uns 280 km e cerca de 4 horas de carro, quase tudo pela MG-050, que é concedida e tem pedágio. De São Paulo, a conta fica entre 440 e 460 km e de 5h30 a 6 horas: o caminho mais curto segue pela Bandeirantes e pela SP-340 até Mococa, entra em Minas por Guaxupé e pega a MG-050 em São Sebastião do Paraíso, passando por Passos. Os aeroportos mais próximos são o de Ribeirão Preto, a 238 km, e o de Confins, a mais de 300 km.
Há ônibus diretos de BH e de São Paulo. Da capital paulista, a viagem leva de 7h40 a 8h40. Só que, sem carro, Capitólio complica: as atrações ficam ao longo da MG-050, a 20 a 40 km do centro e longe umas das outras, e cada ida vira transfer ou táxi.
Onde ficar: centro, Escarpas do Lago ou São José da Barra
O centro de Capitólio fica a leste dos cânions; Trilha do Sol, Mirante e Cascatinha estão para oeste, entre 23 e 33 km de estrada, e o Paraíso Perdido um pouco além, a uns 40 minutos.
- Centro de Capitólio. Restaurantes, agências e mercado a pé, e a maior oferta de pousadas. Em troca, todo passeio começa com 20 a 35 minutos de carro, e em feriado há som alto até tarde nas ruas do centro.
- Escarpas do Lago. Condomínio à beira do lago, a uns 7 km do centro, com píer de onde saem lanchas, mercadinho e poucos restaurantes. É o lugar mais calmo e o que mais tem hospedagem com piscina e área de lazer, mas tem trechos de terra que escorregam na chuva. Pela estrada, fica do lado oposto aos cânions, a uns 36 km do Mirante: quem dorme ali faz os cânions de barco e o resto de carro.
- São José da Barra. A cidade vizinha, refeita perto da barragem de Furnas depois que a sede antiga ficou debaixo d'água, fica a uns 17 km do Mirante pela estrada. Tem pouca estrutura turística e está a uns 45 km do centro de Capitólio: serve para quem quer silêncio, cozinha em casa e passa o dia na MG-050.
Uma quarta opção é ficar na MG-050, perto da ponte do Rio Turvo: cânions e cachoeiras a poucos minutos, mas nenhum restaurante a pé à noite.
Três dias cobrem tudo, quatro na época de chuva
Três dias inteiros bastam. No primeiro, lancha das 10h15 e Mirante dos Cânions à tarde, no combo do Pauá Parque. No segundo, Trilha do Sol de manhã e Cascatinha à tarde, as duas a poucos quilômetros uma da outra na MG-050. O terceiro vai para o Paraíso Perdido, que não divide a data com mais nada. De outubro a março, acrescente um dia de folga no meio: se o tempo fechar no dia marcado para a lancha, é ele que salva o passeio.
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