Cartagena das Índias, Colômbia
Cartagena das Índias: onde ficar, o que fazer e como encarar Playa Blanca
Cidade Murada, Getsemaní ou Bocagrande? Onde ficar em Cartagena, quando ir, como fugir do assédio em Playa Blanca e entrar na Colômbia só com o RG.
No fim da tarde, quem sobe na muralha pelo baluarte de Santiago vê duas cidades ao mesmo tempo. De um lado, os telhados de barro e as cúpulas da Cartagena colonial, erguida com pedra coralina. Do outro, os arranha-céus de Bocagrande acendendo as luzes do lado de lá da enseada.
A Cidade Murada é a Cartagena das fotos, Patrimônio da Humanidade desde 1984. Mas a cidade que se vive à noite está em Getsemaní, o forte que impressiona fica num morro do lado de fora, e a praia boa exige barco ou estrada até Barú.
Cidade Murada, Getsemaní ou Bocagrande: onde ficar em Cartagena
Dentro da muralha, para quem quer sair a pé
O Centro e San Diego, os dois bairros dentro dos muros, concentram as casas coloniais transformadas em hotéis pequenos, os restaurantes mais caros e as praças que enchem à noite. Tudo se faz a pé.
O preço é alto para o padrão colombiano, e há música nas praças até tarde. Peça quarto voltado para o pátio interno.
Getsemaní, para quem prefere bairro com gente
Getsemaní fica colado à muralha, do lado de fora, a poucos minutos a pé da Torre del Reloj. Foi bairro de artesãos e de gente pobre. Em 1811, puxados por Pedro Romero, um deles, os getsemanenses pressionaram a junta da cidade a declarar a independência. Hoje tem hostels, pousadas, bares de salsa e paredes cobertas de murais.
O centro da vida é a Plaza de la Trinidad: no começo da noite, ela enche de moradores, carrinhos de comida e turistas sentados no meio-fio. Custa menos que dormir dentro da muralha e tem comida barata na porta. O contra é o barulho até tarde nas ruas de bar e, longe dos trechos movimentados, algum assédio de quem oferece droga ou "ajuda" não pedida.
Bocagrande, para quem quer prédio, piscina e areia na porta
Bocagrande é a península dos arranha-céus, entre o mar e a baía, a dez minutos de táxi do Centro. Tem os hotéis grandes, apartamentos com piscina, supermercados e shoppings. Para família com criança, é a escolha mais fácil.
A praia é a ressalva: areia acinzentada, cortada por espigões de pedra, e água que parece turva mesmo quando está limpa. O mar azul do Caribe fica nas ilhas.
Bom saber
Para quatro ou cinco dias, durma dentro da muralha ou em Getsemaní e reserve um dia para as ilhas.
O que fazer na Cidade Murada, de manhã cedo ou depois das quatro
Entre o fim da manhã e as quatro da tarde, o sol bate de cima nas ruas estreitas e a pedra devolve o calor: é hora de almoço demorado ou cochilo.
Comece pela Torre del Reloj, a porta principal da muralha, que dá na Plaza de los Coches. Dali, as ruas levam à Plaza de Bolívar.
Na praça ficam dois museus. O Palácio da Inquisição, sede do tribunal do Santo Ofício de 1610 a 1821, hoje é o Museo Histórico de Cartagena. Em frente, o Museo del Oro Zenú expõe peças de ouro dos povos que viviam na costa, com entrada gratuita. Fecha às segundas; aos domingos, só até as 14h.
Perto dali, a igreja de San Pedro Claver guarda os restos do jesuíta que dedicou quarenta anos aos escravizados que chegavam ao porto. A Plaza de Santo Domingo, com a igreja mais antiga da cidade e uma escultura de mulher deitada de Fernando Botero, é o ponto de encontro da noite.
O programa que não custa nada é aquele do começo: andar sobre a muralha no fim da tarde, entre os baluartes de Santiago e Santo Domingo, com o mar de um lado e os telhados do outro. As palenqueras, vendedoras de frutas com vestidos coloridos e bacias na cabeça, posam para foto em troca de dinheiro: combine o valor antes de apontar o celular.
San Felipe às 8h e a Popa de táxi: os dois morros fora da muralha
O Castillo de San Felipe de Barajas fica no morro de San Lázaro, a uns 20 minutos a pé do centro, ou poucos minutos de táxi. É uma das maiores fortalezas que os espanhóis construíram nas colônias, ampliada no século 18, e resistiu ao cerco inglês do almirante Vernon em 1741.
Abre das 8h às 17h. Na rampa de pedra quase não há sombra, então vá logo cedo. Estrangeiro paga ingresso; a entrada gratuita do último domingo do mês vale só para colombianos e residentes.
Logo atrás fica o Cerro de la Popa, de 150 metros, com o convento de Nossa Senhora da Candelária no topo e a melhor vista da cidade inteira. Suba de táxi, combinando ida, espera e volta. A pé, não: o caminho não é seguro.
Ilhas do Rosário e Playa Blanca, sem cair na ostra de presente
As Ilhas do Rosário ficam a uns 40 km a sudoeste da cidade, diante da ponta de Barú, e fazem parte do Parque Nacional Natural Corales del Rosario y San Bernardo. As lanchas saem pela manhã do Muelle de la Bodeguita, ao lado da muralha, e levam de 45 minutos a uma hora até Playa Blanca, fora as paradas no caminho.
Os passeios de um dia costumam juntar ilhas, uma parada para snorkel ou para o aquário e algumas horas em Playa Blanca, com almoço. Compre no guichê dentro do cais, não com quem aborda na calçada, e confirme por escrito o que está incluído: a taxa do porto e a entrada do parque costumam ser cobradas à parte.
Bom saber
Leve seguro de acidentes do parque: os Parques Nacionales o exigem desde 2024 nas ilhas e em Barú, inclusive para quem chega a Playa Blanca de carro, e a fiscalização voltou em junho de 2026. As seguradoras credenciadas são a Positiva (com a Magenta) e a Zurich. Pergunte ao operador qual apólice está no pacote.
Playa Blanca, na ilha de Barú, tem a areia mais clara e a água mais transparente perto da cidade. Também tem, entre o fim da manhã e o meio da tarde, dezenas de lanchas encostadas, fileiras de guarda-sóis e vendedores que não aceitam o primeiro não. O golpe clássico é a ostra de "presente": o vendedor abre uma, depois mais dez, e cobra todas. Diga não à primeira.
Desde 2014, uma ponte sobre o Canal del Dique liga Cartagena a Barú, e a viagem de carro ou táxi leva de uma hora a uma hora e meia. Quem chega assim não escapa do assédio: as ofertas de barraca e guarda-sol começam na descida do carro.
No meio da tarde, os barcos de excursão vão embora e a praia esvazia. Quem dorme numa das cabanas tem a areia quase só para si até a manhã seguinte.
Arepa de huevo, posta negra e peixe com arroz de coco
A comida de rua de Cartagena é frita e se come em pé. Nas barracas de fritos, que aparecem em qualquer bairro, procure a arepa de huevo, que lá também chamam de empanada de huevo. É um disco de massa de milho que vai ao óleo, é aberto, recebe um ovo cru (às vezes carne moída também) e volta para fritar. Ao lado dela está a carimañola, bolinho comprido de mandioca recheado de carne ou queijo.
No almoço, o prato da cidade é a posta negra cartagenera: carne cozida devagar com rapadura, que os colombianos chamam de panela, até ficar escura e brilhante. Vem com arroz de coco. Na praia, em Barú e nas ilhas, o almoço é peixe frito inteiro, mojarra ou pargo, com arroz de coco, patacones (banana-verde amassada e frita) e salada.
Para gastar pouco, procure o corrientazo, o almoço do dia dos restaurantes populares, com sopa, prato e suco. Os doces de coco ficam no Portal de los Dulces, ao lado da Torre del Reloj. Para beber, suco de corozo, fruto de uma palmeira da região.
Quando ir a Cartagena: calor sempre, chuva em outubro
As máximas ficam entre 31 e 32 graus o ano inteiro, com umidade alta; o que muda é a chuva. De dezembro a abril é a estação seca, e janeiro, fevereiro e março quase não têm chuva. De maio a novembro chove mais, em pancadas, e outubro é o mês mais molhado.
A alta temporada é o fim de dezembro e o começo de janeiro, quando os colombianos estão de férias, e a Semana Santa. Os preços sobem e Playa Blanca lota. Fevereiro e março juntam tempo seco e menos gente.
O Hay Festival, de literatura, ocupa a cidade no fim de janeiro (a edição de 2026 foi de 29 de janeiro a 1º de fevereiro). As festas da Independência, em torno de 11 de novembro, trazem desfiles e shows; em 2026, a agenda oficial tem o desfile em 12 de novembro e o Festival Náutico, na baía, em 13 e 14.
Roteiro de 4 a 7 dias em Cartagena: quando encaixar as ilhas
Com quatro dias inteiros, reserve um para a Cidade Murada, um para San Felipe, a Popa e Getsemaní, um para as ilhas e um de folga. Não marque as ilhas para o último dia: com mar agitado o barco não sai, e, quando sai, só volta no meio da tarde, apertado para quem tem voo.
Com cinco ou seis dias, dá para dormir uma noite em Barú ou numa das ilhas. Com uma semana, cabem dois bate-voltas, cada um a uma hora ou uma hora e meia de estrada. San Basilio de Palenque, ao sul, foi fundado por africanos que fugiram da escravidão, e a Unesco reconhece sua cultura como patrimônio imaterial. O vulcão de lama do Totumo, a nordeste, é um cone de uns 15 metros com uma cratera cheia de barro onde se boia.
Documentos para brasileiros: RG, Check-Mig e febre amarela
Documento. Para turismo de até 90 dias, não há visto: dá para entrar com passaporte válido ou com o RG em perfeito estado, com foto nítida. Carteiras funcionais e de conselhos, como OAB e CREA, não valem. Com RG de mais de dez anos, a Embaixada do Brasil em Bogotá recomenda levar o passaporte.
Check-Mig. É o pré-registro migratório da Colômbia, gratuito, feito no site da Migración Colombia entre 72 horas e 1 hora antes do voo. Em abril de 2026, o órgão informou que ele não é obrigatório, mas vale fazer: leva poucos minutos e encurta a fila na imigração. Há versão para a saída do país também.
Febre amarela. Desde o fim de 2024, a Colômbia não exige o certificado de quem chega do Brasil, mas a embaixada recomenda levá-lo: há companhias aéreas barrando passageiros no embarque em aeroportos brasileiros. O Certificado Internacional de Vacinação sai pelo portal da Anvisa para quem tem a vacina registrada; se ainda não tomou, a dose precisa ser aplicada pelo menos dez dias antes da viagem.
Seguro. A Colômbia não oferece sistema público de saúde ao visitante; a embaixada recomenda com ênfase o seguro-viagem.
Como chegar do Brasil: conexão em Bogotá, Lima ou Panamá e táxi sem taxímetro
Em outubro de 2026, não há voo sem escala entre o Brasil e Cartagena; a Avianca chegou a operar a rota a partir de Guarulhos em 2023. Os caminhos usuais passam por Bogotá (Avianca e LATAM), por Lima (LATAM) ou pela Cidade do Panamá (Copa). A conexão no Panamá exige passaporte mesmo para quem só troca de avião: com RG, fique em Bogotá ou Lima.
O aeroporto Rafael Núñez fica a uns 3 km da Cidade Murada, cerca de dez minutos de carro. Os táxis de Cartagena não têm taxímetro: a prefeitura fixa tarifas por zona. Pelo Decreto 0051 de 2026, a corrida mínima é de 12.250 pesos, com acréscimo de 1.100 pesos entre 19h e 5h; a corrida do aeroporto ao Centro custa mais que a mínima. Pergunte a tarifa antes de colocar a mala no carro.
Pesos, gorjeta na conta, tomada e chip
Pesos. Os preços vêm cheios de zeros: confira duas vezes antes de pagar. Hotéis e restaurantes da área turística aceitam cartão; táxi, ambulante e barraca de praia, só dinheiro. Pix não funciona lá. Recuse a conversão para reais quando a maquininha oferecer.
Gorjeta. A conta do restaurante costuma vir com uma linha de "propina voluntaria" sugerida. Pela lei colombiana, ela é opcional, não pode passar de 10% e só entra na conta se você aceitar. Não some outros 10% por cima.
Tomada e fuso. A voltagem é 110 V, com tomadas de pinos chatos dos tipos A e B: o plugue brasileiro não encaixa, então leve adaptador e confira se o carregador é bivolt. A Colômbia está no UTC-5, duas horas atrás de Brasília.
Chip. Um eSIM comprado antes resolve na chegada; as operadoras locais são Claro, Movistar e Tigo.
Segurança em Cartagena: celular, escopolamina e o falso policial
Nas áreas turísticas, com policiamento e movimento até tarde, o risco maior é o furto de celular e a cobrança abusiva. Na periferia, o risco de assalto é real, sobretudo à noite: depois que escurecer, circule de táxi.
A Embaixada do Brasil alerta para o aumento de estrangeiros dopados com escopolamina, droga que causa sonolência e amnésia, misturada a bebida, comida ou cigarro, muitas vezes em encontros marcados por aplicativo. Não aceite bebida aberta de desconhecidos. Desconfie também da oferta de droga na rua: comprar dá cadeia na Colômbia, e há armações em que falsos policiais aparecem logo depois para exigir "multa" no caixa eletrônico.
Os vendedores insistentes são o incômodo mais comum. Responda "no, gracias" sem parar de andar; parar para explicar é convite para a segunda oferta. Deixe o passaporte ou o RG no cofre do hotel e ande com uma cópia.
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