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Cidade do México, México

Cidade do México: onde ficar, Teotihuacán de ônibus e o Día de Muertos

Roma, Condesa ou Polanco? Onde ficar na Cidade do México, Teotihuacán sem excursão, os museus que fecham na segunda e o Día de Muertos de 2026.

Foto: Daniel Case · CC BY-SA 3.0

A Cidade do México fica a 2.240 metros de altitude, uns 600 metros acima de Campos do Jordão, a sede de município mais alta do Brasil. Na primeira escadaria do metrô falta fôlego, e a primeira cerveja sobe mais rápido. Nos dois primeiros dias, ande devagar, beba água e deixe Teotihuacán para o terceiro.

Quatro ou cinco dias dão conta do essencial: o centro, Teotihuacán numa manhã, o Museu de Antropologia numa tarde, Coyoacán e Xochimilco no mesmo dia. Quem chega no fim de outubro ainda pega o Día de Muertos.

Roma, Condesa, Centro, Polanco ou Coyoacán: em que bairro ficar

O trânsito é lento: o bairro decide quanto tempo você passa no carro.

Roma Norte e Condesa, para a primeira viagem

Os dois bairros ficam lado a lado, separados pela Avenida Insurgentes. A Roma tem casarões do começo do século 20 e cafés e restaurantes em quase toda esquina das ruas Colima e Álvaro Obregón. A Condesa é mais verde: o Parque México e o Parque España, cercados de prédios art déco, e a Avenida Ámsterdam, um anel arborizado traçado sobre a pista de um antigo hipódromo.

O Parque México, no meio da CondesaFoto: ProtoplasmaKid · CC BY-SA 4.0

Dá para fazer quase tudo a pé ou de Metrobús, que corre pela Insurgentes. O lado ruim é o preço, com diárias acima da média da cidade, e o barulho: nas ruas de bares da Condesa, como a Tamaulipas, vai até tarde de quinta a sábado. Prefira as quadras em volta dos parques.

Centro Histórico, para quem quer os monumentos na porta

O Zócalo, a Catedral, o Templo Mayor e o Palácio de Bellas Artes ficam a poucas quadras uns dos outros. Em Bellas Artes, que fecha às segundas, o ingresso do museu dá acesso aos murais de Rivera, Orozco e Siqueiros, entre eles O Homem Controlador do Universo. A hospedagem costuma sair mais barata que na Roma. Quando o comércio fecha, muitas ruas esvaziam. À noite, fique nas vias movimentadas entre o Zócalo e a Alameda e não siga para o leste, rumo a La Merced e Tepito.

Polanco, para quem pode pagar mais

É o bairro rico, de embaixadas, lojas de grife na Avenida Presidente Masaryk e restaurantes caros. Tem calçadas largas, ruas silenciosas e o Bosque de Chapultepec do lado, com o Museu de Antropologia a uma caminhada. Fica longe do Centro e tem pouca vida de rua à noite.

Coyoacán: sossego, longe de tudo

A antiga vila colonial ao sul, onde fica a Casa Azul de Frida Kahlo, tem praças com fonte, igreja e mercado. É a opção mais tranquila e a mais distante: do Centro, conte uns 40 minutos de metrô ou mais de carro no horário de pico.

Teotihuacán sem excursão, antes dos grupos

A cidade das pirâmides fica a cerca de 40 km a nordeste, a uns 2.300 metros, um pouco acima da capital. A Pirâmide do Sol, com 65 metros, é a maior construção do lugar.

A Calzada de los Muertos e a Pirâmide do Sol, vistas da Pirâmide da Lua, em foto anterior ao fechamentoFoto: Arian Zwegers from Brussels, Belgium · CC BY 2.0

Como ir. Os ônibus da Autobuses México-San Juan Teotihuacán saem da Terminal del Norte, ao lado da estação Autobuses del Norte do metrô (linha 5), mais ou menos a cada meia hora. Confira se ele vai às ruínas (pirámides). A viagem leva cerca de uma hora e custa entre 60 e 80 pesos por trecho (2026), em dinheiro no guichê. Peça para descer na entrada mais próxima da Pirâmide do Sol e pergunte ao motorista o horário do último ônibus de volta.

Horário e ingresso. O sítio abre todos os dias das 8h às 17h, com última entrada às 16h30. Desde janeiro de 2026, o turista estrangeiro paga 210 pesos, inclusive aos domingos, quando só mexicanos e residentes entram de graça. Os grupos de excursão chegam no meio da manhã. Com um dos primeiros ônibus, você percorre a Calzada de los Muertos ainda no fresco.

Nenhuma pirâmide aberta à subida. A Pirâmide do Sol está fechada à subida desde a pandemia, e o INAH diz que não há projeto aprovado para reabri-la. A da Lua, reaberta até o primeiro patamar em maio de 2025, voltou a fechar depois de 20 de abril de 2026, quando um atirador atacou turistas do alto dela. Até meados de outubro de 2026, o INAH não tinha anunciado a reabertura da subida; confira no site do INAH antes de ir.

O sítio reabriu em 22 de abril. Desde o fim daquele mês, a Guarda Nacional revista as mochilas, e há arcos detectores de metal em todos os acessos. Leve pouca bagagem e conte com fila na revista.

Bom saber

Em Teotihuacán quase não há sombra, e o sol a essa altitude queima rápido mesmo com o céu nublado. Leve chapéu, protetor e pelo menos um litro de água por pessoa. No inverno, a manhã começa fria: vá de casaco e tire no caminho.

Antropologia e Casa Azul: os dois fecham na segunda, e a Frida só vende pela internet

Museu Nacional de Antropologia

Fica no Bosque de Chapultepec, no Paseo de la Reforma. Logo na entrada, o pátio é coberto por um guarda-chuva de concreto apoiado numa única coluna, de onde cai uma cortina de água. Lá dentro estão a Pedra do Sol, na sala mexica, e a réplica da tumba do rei maia Pakal.

O guarda-chuva do pátio do Museu de AntropologiaFoto: Nan Palmero from San Antonio, TX, USA · CC BY 2.0

Abre de terça a domingo, das 9h às 18h, e fecha às segundas. Em 2026, a entrada para estrangeiro passou para 210 pesos, segundo o museu; o domingo grátis vale só para mexicanos e residentes. Reserve uma tarde inteira e escolha as salas antes, porque são mais de 20 e ninguém vê todas.

Museu Frida Kahlo, a Casa Azul

A casa onde Frida nasceu, viveu com Diego Rivera e morreu fica em Coyoacán, a uns 20 minutos a pé da estação Coyoacán do metrô (linha 3). Não há venda de ingresso na porta: compre no site do museu, com cartão, de preferência uma ou duas semanas antes, porque os horários esgotam. A entrada geral custa 320 pesos (2026) e inclui uma visita ao Museu Anahuacalli, de Diego Rivera, no mesmo bairro.

A inscrição no pátio da Casa Azul, em CoyoacánFoto: Adiema12 · CC BY-SA 4.0

Abre de terça a domingo, das 10h às 18h (às quartas, a partir das 11h), e fecha às segundas. Às quintas há uma sessão noturna, a Noche Azul, das 17h15 às 21h, com venda à parte no site.

Bom saber

Segunda-feira é o dia de Teotihuacán ou de Xochimilco, que abrem todos os dias. Antropologia, Casa Azul e a maioria dos museus da cidade estão fechados.

Xochimilco: o preço é por barco, não por pessoa

Os canais do sul da cidade são o que restou do sistema de lagos onde os mexicas construíram Tenochtitlan. O passeio é de trajinera, barca de fundo chato com mesa no meio, empurrada com uma vara. De manhã, os canais estão vazios; no fim de semana à tarde, viram festa, com barcos de mariachi e de comida encostando no seu.

Trajineras à espera no embarcadouroFoto: Wotancito · CC BY-SA 4.0

A tarifa oficial divulgada pela prefeitura de Xochimilco em 2025 é de 750 pesos por hora por barco, para até 18 pessoas, nos dez embarcadouros autorizados; em 2026, os relatos ficam entre 700 e 800 pesos. O valor tem de estar afixado no embarcadouro: confira antes de embarcar e combine a duração.

Sem carro, vá de metrô até Tasqueña (linha 2) e de Tren Ligero até a estação final, Xochimilco. Da estação, um táxi curto leva aos embarcadouros; o de Nativitas é o mais movimentado.

Tamal de manhã, taco al pastor à noite e nada de água da torneira

Na rua se come bem o dia inteiro. De manhã, tamal com atole; ao meio-dia, tlacoyo e quesadilla, que aqui pode vir sem queijo se você não pedir; de noite, taco al pastor cortado do espeto giratório com um pedaço de abacaxi por cima. Escolha a barraca com fila de gente do bairro e comida feita na sua frente.

Água. Não beba da torneira nem escove os dentes com ela se tiver estômago sensível. Restaurantes costumam usar gelo de água purificada, mas, na dúvida, peça a bebida sem gelo.

Metrô a 5 pesos, Uber e o aeroporto certo

Metrô. A passagem custa 5 pesos (2026). O mais prático é pagar com o cartão recarregável Movilidad Integrada, que também vale no Metrobús (6 pesos) e no Tren Ligero (3 pesos). O metrô funciona até a meia-noite e abre às 5h nos dias úteis, às 6h no sábado e às 7h no domingo. Das 7h às 9h e das 17h às 19h, lota de verdade, sobretudo nas linhas 1, 2 e 3, e há vagões só para mulheres e crianças.

Uber e táxi. À noite, use aplicativo (Uber, DiDi). Táxi, só de ponto (sitio) ou pedido pela hospedagem, nunca o parado na rua: há risco de sequestro relâmpago.

AICM. O Aeroporto Internacional Benito Juárez, a leste, é onde pousam os voos sem escala do Brasil. Para sair dele, há três caminhos:

  • Táxi autorizado, pago no guichê dentro do terminal, por zona de destino. No horário de pico, a fila pode passar de meia hora.
  • Metrobús linha 4, que para nos dois terminais e vai até o Centro Histórico: 30 pesos, pagos com o cartão Movilidad Integrada, vendido nas lojas 7-Eleven do aeroporto.
  • Uber ou DiDi, que deixam passageiros no aeroporto mas não podem buscá-los lá dentro: o motorista leva multa, e o caso está na Justiça.

AIFA. O Aeroporto Felipe Ángeles (código NLU), a uns 45 km ao norte, recebe sobretudo voos domésticos e algumas rotas internacionais. Se a sua passagem marcar AIFA, desde 26 de abril de 2026 há trem até a estação Buenavista: cerca de uma hora de viagem na abertura, com meta de baixar para uns 45 minutos.

Quando ir: chuva no fim da tarde e o Día de Muertos de 2026

A estação seca vai de novembro a abril. Abril é o mês mais quente, com máximas médias perto de 27 °C; em janeiro, as mínimas ficam em torno de 8 °C e pedem casaco de manhã e à noite. A seca é também a época de ar mais poluído: inversão térmica nas manhãs de inverno e, de março a maio, os alertas de ozônio.

A chuva vai de maio a outubro, com pico em julho e agosto (perto de 175 mm por mês, contra 12 mm em janeiro). Ela costuma vir no fim da tarde, forte e às vezes com granizo, e passa. Faça os passeios ao ar livre de manhã e deixe museu e restaurante para depois das 16h.

Día de Muertos. Os dias dos mortos são 1º e 2 de novembro, que em 2026 caem num domingo e numa segunda (dia em que os museus fecham). A festa começa antes:

  • 18 de outubro a 1º de novembro: Festival de Flores de Cempasúchil na Reforma.
  • Domingo, 25 de outubro: Mega Procesión de Catrinas, também na Reforma.
  • 29 de outubro a 2 de novembro: Ofrenda Monumental no Zócalo.
  • Sábado, 31 de outubro, às 14h: Gran Desfile de Día de Muertos, da Glorieta de la Diana Cazadora, na Reforma, até o Zócalo. Inspirado na abertura de 007 Contra Spectre (2015), sai desde 2016.
  • 2 de novembro: La Alumbrada, a noite de velas nos túmulos de Mixquic, em Tláhuac, no extremo sudeste e longe do Centro.

Para o fim de semana de 31 de outubro a 2 de novembro, reserve a hospedagem já.

Catrinas no Gran Desfile de Día de Muertos, na Reforma, em 2017Foto: Mario Yaír TS · CC BY-SA 4.0

Visto eletrônico, voos sem escala, peso e tomada

Visto. Brasileiro precisa de visto para o México. Desde 5 de fevereiro de 2026, dá para pedir o visto eletrônico no portal da chancelaria mexicana: custa US$ 10 e vale para uma única entrada, só por via aérea, com estada de até 180 dias. Quem tem visto válido de múltiplas entradas dos Estados Unidos, do Canadá, do Reino Unido, do Japão ou do espaço Schengen, colado no passaporte, ou residência permanente num desses países, está dispensado. Fuja dos sites que imitam o portal e cobram bem mais.

Voos. Aeroméxico e LATAM voam sem escala de Guarulhos para o AICM, em cerca de dez horas. A Aeroméxico tem voo diário; a LATAM, alguns voos por semana. De outras cidades, as conexões mais comuns são na Cidade do Panamá e em Bogotá; quem emenda com o Caribe tem voo doméstico para Cancún várias vezes ao dia. Conexão nos Estados Unidos exige visto americano, mesmo sem sair do aeroporto.

Dinheiro. A moeda é o peso mexicano. Restaurante e loja aceitam cartão; mercado, barraca e trajinera pedem dinheiro. Saque em caixas dentro de agências bancárias e recuse a conversão para reais quando a máquina oferecer. Gorjeta de 10% a 15% nos restaurantes, quando não vem na conta.

Tomada, chip e fuso. A voltagem é 127 V, com tomadas de pinos chatos: leve adaptador. Para internet, eSIM comprado antes ou chip da Telcel. A cidade fica três horas atrás de Brasília o ano todo, já que o México acabou com o horário de verão em 2022.

Segurança. Roma, Condesa, Polanco e Coyoacán são tranquilos para o visitante, com os cuidados de qualquer cidade grande; evite bairros como Tepito e Doctores à noite. A cidade também treme: se ouvir a sirene do alerta sísmico, siga as pessoas para fora do prédio pela escada, sem elevador.

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Fachada de mármore do Palácio de Bellas Artes iluminada ao anoitecer, com a cúpula dourada sob céu azul-escuro e pessoas na praça em frente

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