Mendoza, Argentina
O que fazer em Mendoza: vinícolas com ou sem carro, Aconcágua e neve
Maipú de bicicleta, Luján de Cuyo de ônibus do vinho e Valle de Uco de carro: preço das degustações, onde ficar em Mendoza e a Vendimia de 2027.
Mendoza fica no meio de um deserto. Chove menos de 300 milímetros por ano, e mesmo assim as calçadas do centro são túneis de árvores. Quem rega tudo isso é a água do degelo dos Andes, que corre por valetas de pedra dos dois lados da rua, as acequias. À noite, olhe onde pisa ao atravessar.
Quase todo mundo vem pelo vinho, e a primeira dúvida é como chegar às vinícolas, espalhadas em três regiões. Umas se visitam de bonde e bicicleta, outras de ônibus turístico, outras só de carro ou com motorista.
As três regiões do vinho e como chegar a cada uma
Poucas vinícolas recebem quem aparece na porteira: visita e degustação são com hora marcada, e as mais disputadas lotam semanas antes na alta temporada.
Maipú de bicicleta: plano, perto e o mais barato
Maipú, a sudeste, é a região mais próxima e mais plana. O Metrotranvía, o bonde metropolitano, sai do centro e termina em Gutiérrez, já em Maipú. Perto da estação e ao longo do Carril Urquiza, em Coquimbito, há locadoras de bicicleta que entregam capacete e mapa das vinícolas, olivais e fábricas de azeite do caminho. Costumam entregar a bicicleta pela manhã e pedi-la de volta até o fim da tarde.
No trajeto estão a Bodegas López, em Gutiérrez, com museu da família, e a La Rural, da marca Rutini, em Coquimbito, com visita à adega histórica. Parte do caminho é dividida com carros: peça à locadora o percurso mais tranquilo. Espalhe as degustações ao longo do dia e deixe a última perto da locadora; a volta é pelo mesmo Metrotranvía.
Luján de Cuyo: o Malbec logo ao sul da cidade
Luján de Cuyo reúne as vinícolas mais conhecidas do Malbec, em Agrelo, Perdriel e Chacras de Coria, longe demais umas das outras para a bicicleta alugada.
A Norton, em Perdriel, está no km 23,5 da Ruta 15, a uns 20 minutos de carro da cidade, segundo a própria vinícola. O restaurante abre todos os dias, com cozinha das 12h às 14h30. Em Agrelo, a Catena Zapata recebe os visitantes num prédio em forma de pirâmide.
Sem carro, a saída é o Bus Vitivinícola, um ônibus turístico que sai todos os dias de manhã e recolhe passageiros em paradas fixas da cidade, entre 7h55 e 9h35. A parada é marcada na compra; quem a perde pode embarcar às 8h45 no Centro de Informes Turísticos, na Garibaldi 10, esquina com a San Martín.
A rota muda conforme o dia: Maipú na segunda e no sábado, Luján de Cuyo na quinta e na sexta, Valle de Uco na quarta e no domingo, e Maipú com Luján na terça. Em outubro de 2026, o dia inteiro em Maipú ou Luján custa 54 mil pesos (meio período, 47.400), sem as visitas, pagas à parte em cada vinícola. A tabela sobe em janeiro.
Valle de Uco: vinhedo a mil metros, colado na cordilheira
O Valle de Uco é a região mais alta, entre 900 e 1.700 metros, e a que tem a cordilheira mais perto dos vinhedos. Suas cidades, Tupungato, Tunuyán e San Carlos, ficam a 77, 82 e 105 quilômetros de Mendoza pela Ruta 40; as vinícolas estão mais para dentro, subindo em direção à montanha. Conte mais de uma hora e meia de estrada para cada lado.
Os nomes mais procurados são a Zuccardi Valle de Uco, em Paraje Altamira (San Carlos), e a Salentein, em Los Árboles (Tunuyán). Faça no máximo duas visitas por dia, uma delas com almoço. O Bus Vitivinícola também sobe até o vale (de 52.800 a 68.800 pesos o dia, conforme a rota, em 2026); com carro alugado ou motorista contratado, você escolhe as casas e o horário.
Bom saber
Se for dirigir: nas rodovias nacionais, como a Ruta 40 e a Ruta 7, vale a lei argentina de álcool zero ao volante; nas ruas e estradas da província, Mendoza manteve o limite de 0,5 grama por litro de sangue. Na prática, quem dirige não prova. A CNH brasileira serve para dirigir na Argentina, mas não como documento de entrada no país.
Quanto custa provar: preços de outubro de 2026
Pela tabela que o Bus Vitivinícola publica para as vinícolas das suas rotas:
- La Rural (Rutini), Maipú: visita à adega histórica com uma taça, 15 mil pesos; degustação de cinco varietais, 28 mil.
- Santa Julia, da família Zuccardi, Maipú: visita e degustação, 29 mil pesos.
- Casa Vigil, Maipú: visita pelos vinhedos com degustação, 35 mil pesos.
- Séptima, Luján de Cuyo: visita e quatro taças, 31 mil pesos.
- Zuccardi Valle de Uco: visita com cinco vinhos, 89 mil pesos, com pagamento antecipado obrigatório.
Almoço em vinícola sai de uns 45 mil pesos (menu de dois pratos com uma taça por prato) a 128 mil (menu harmonizado de vários tempos), pela mesma tabela. No dia 13 de outubro de 2026, o dólar MEP fechou em 1.539,94 pesos, segundo a Rava: a degustação da Santa Julia saía por menos de 20 dólares, e a da Zuccardi, por uns 58. Confira o preço no site de cada casa antes de ir.
A cidade que o terremoto redesenhou: praças, parque e siesta
O terremoto de 20 de março de 1861 destruiu a Mendoza colonial. A cidade nova, desenhada em 1863 pelo francês Julio Balloffet, tem a Plaza Independencia no centro, rodeada por quatro praças menores: España, Italia, Chile e San Martín.
A oeste do centro, o Parque General San Martín, desenhado por Carlos Thays a partir de 1896, tem 394 hectares, um lago de remo e portões de ferro fundidos na Escócia. No alto dele, o Cerro de la Gloria guarda o monumento ao Exército dos Andes e a melhor vista da cidade ao pôr do sol. Na encosta fica o Teatro Griego Frank Romero Day, palco da festa da Vendimia.
Entre 13h e 17h, a maior parte das lojas fecha. Siga o relógio local: vinícola de manhã e almoço na adega, cochilo à tarde, parque no fim do dia, jantar tarde.
Onde ficar: centro, Chacras de Coria ou no meio do vinhedo
Centro e Quinta Sección. Sem carro, é a base certa: Metrotranvía, paradas do Bus Vitivinícola e restaurantes ficam a pé. A Quinta Sección, entre o centro e o Parque San Martín, é residencial e arborizada, e tem na rua Arístides Villanueva a maior concentração de bares; quem dorme perto dela ouve barulho nas noites de fim de semana.
Chacras de Coria. Vilarejo de casas baixas em Luján de Cuyo, a uns 15 km do centro, com praça, restaurantes e vinícolas em volta. É tranquilo, mas o centro só se alcança de carro, táxi ou aplicativo.
Valle de Uco. Pousadas e lodges entre os vinhedos, com a cordilheira na janela e jantar no próprio hotel. Só faz sentido com carro ou motorista, e com pelo menos duas noites.
Aconcágua e a estrada para o Chile: um dia inteiro na Ruta 7
A Ruta 7 sobe o vale do rio Mendoza rumo à fronteira, passando por Potrerillos, Uspallata e o Penitentes, a uns 170 km da cidade. É asfaltada até o túnel; as excursões saem cedo e voltam à noite.
Em Puente del Inca, uma ponte natural de rocha cruza o rio Las Cuevas, tingida de amarelo e laranja pelos minerais das fontes termais. Embaixo estão as ruínas de um hotel termal destruído por uma avalanche em 1965. Em 2005, o governo de Mendoza cercou a parte de trás da ponte, os antigos banhos, a capela e as ruínas, por risco de desabamento: hoje se vê tudo de longe, do mirante.
A poucos quilômetros dali, a entrada do Parque Provincial Aconcágua leva por uma trilha curta à Laguna de Horcones, com a face sul do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, ao fundo. Na temporada 2025-2026 (de novembro a abril), o circuito até a ponte pênsil da Quebrada de Horcones custava 10 mil pesos por dia. Trekking longo e cume exigem outra permissão.
Do lado argentino, a estrada chega ao Túnel Internacional Cristo Redentor, a 3.185 metros, e segue para Santiago, a cerca de 360 km de Mendoza. O ônibus direto, que sai do terminal, leva de seis a oito horas, conforme a fila da aduana. Carro alugado só cruza a fronteira com a autorização de saída emitida pela locadora (nem todas dão, e costuma ser cobrada à parte) e com seguro internacional que cubra o Chile: peça os dois ao reservar.
Bom saber
No inverno, a neve fecha o passo com frequência e sem data para reabrir. Em 2026, ele ficou 34 dias seguidos fechado, de meados de julho a 18 de agosto, reabriu primeiro só para caminhões, com carros e ônibus ainda barrados no fim de agosto, e voltou a fechar em 19 de setembro, com nova nevasca. Quem quer emendar com Santiago por terra entre junho e setembro deve ter voo como plano B e consultar o estado do passo no site de Pasos Internacionales no dia.
Quando ir: Vendimia em março, folhas amarelas em abril, neve em agosto
Janeiro tem média de 24 °C, com tardes acima de 30 °C que às vezes chegam a 40 °C; julho tem média de 7 °C, dias de sol e noites geladas.
A colheita da uva vai de fevereiro a abril, e é quando acontece a Fiesta Nacional de la Vendimia. Em 2027, pelo calendário do governo de Mendoza, o desfile noturno da Vía Blanca é em 5 de março, e o Carrusel e o Acto Central, no Teatro Griego, em 6 de março, com segunda noite no dia 7. Para esse fim de semana, reserve a hospedagem com meses de antecedência.
Abril e maio trazem parreiras amarelas, menos gente e clima bom para pedalar.
Para neve, há duas opções. No Penitentes, parado como centro de esqui desde 2019, o Penitentes Park já oferecia trenó e passeio de cadeirinha, e em 8 de agosto de 2026 voltou a abrir os meios de elevação para esquiar: uma cadeirinha e a pista-escola, só uma parte da estação de antes. Pela tabela de junho de 2026, o passe diário de adulto custava 60 mil pesos fora das férias de julho, e o trenó, 20 mil. A estrada fecha nas nevascas fortes, e com ela o acesso ao parque: confira antes de subir.
Las Leñas, perto de Malargüe, é o centro de esqui de verdade, a cinco ou seis horas de carro de Mendoza. A temporada costuma ir de meados de junho a setembro; em 2026, abriu só em 11 de julho, atrasada pela falta de neve, e fechou em 28 de setembro.
Quatro dias resolvem a cidade e duas regiões do vinho; com cinco, cabe o Aconcágua.
Voo direto de Guarulhos e o caminho até o centro
O aeroporto El Plumerillo recebe voo direto de Guarulhos, de pouco menos de quatro horas: a LATAM voa cerca de três vezes por semana e a Gol manteve quatro voos semanais no verão de 2026. Em 2026 houve ainda rotas sazonais da Gol, do Galeão (janeiro a abril), e da Azul, de Campinas (fim de junho a começo de agosto). Fora isso, a conexão é por Buenos Aires ou Santiago.
O aeroporto fica a uns 8 km do centro. O ônibus urbano passa com pouca frequência; de mala, vá de táxi, remis (carro com preço fixo, contratado no saguão) ou aplicativo. Na cidade, ônibus e Metrotranvía custam 1.680 pesos por viagem desde julho de 2026, pagos com o cartão SUBE ou com cartão Visa ou Mastercard por aproximação (ou o celular) na validadora.
Cartão, Pix, RG e tomada: o que levar e onde ter cuidado
O cartão de crédito brasileiro é o jeito mais simples de pagar: a compra com cartão estrangeiro sai por uma cotação próxima à do dólar oficial argentino, que em outubro de 2026 estava praticamente igual à do MEP. Do lado brasileiro, incide IOF de 3,5%. O Pix funciona nas maquininhas Point Smart do Mercado Pago, mas a aceitação é pequena. Para dinheiro vivo, leve dólares em notas de 100 em bom estado e troque em casa de câmbio. A gorjeta costuma ser de 10%.
Bom saber
Na hospedagem inscrita no IVA, o turista estrangeiro que paga com cartão emitido fora do país e mostra o documento e o comprovante de entrada não paga os 21% de imposto sobre a diária. Em aluguel de particular, pergunte antes.
O brasileiro entra com RG físico em bom estado, emitido há menos de dez anos, segundo a Polícia Federal, ou com passaporte válido. CNH e identidade digital no celular não valem na imigração. Menor de idade viajando sem um dos pais precisa de autorização com firma reconhecida.
O fuso é o mesmo de Brasília. A tensão é de 220 V e a tomada tem pinos chatos inclinados: leve adaptador.
No terminal de ônibus, desconfie de quem pede dinheiro com história de assalto; no centro, à noite, atenção com bolsa e celular. No carro estacionado na porta da vinícola, não deixe nada à vista. Para emendar com a capital, veja o guia de Buenos Aires.
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