Cairo, Luxor, Assuã e Abu Simbel, Egito
Egito em 8 dias: Gizé às 7h, trem-leito até Luxor e Abu Simbel de madrugada
Roteiro de 8 dias do Cairo a Abu Simbel, com ingressos de 2026 em libras, visto por QR code, trem-leito ou cruzeiro no Nilo e os alertas da guerra no Golfo.
Às 7h, quando abre o portão do platô de Gizé, as três pirâmides ainda projetam sombras compridas sobre a areia, e os ônibus de excursão não chegaram. Duas horas depois, o platô já passa dos 30 °C em boa parte do ano e os ônibus lotam a entrada. Quase toda escolha deste roteiro sai daí: começar cedo, parar no meio do dia e deixar templos e museus para o fim da tarde.
São oito dias: dois no Cairo, uma noite de trem-leito, dois em Luxor e dois em Assuã, com Abu Simbel de madrugada. No oitavo, um voo curto devolve você ao Cairo.
A guerra no Golfo e o Egito: o que dizem os alertas em outubro de 2026
A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, tirou boa parte do Oriente Médio dos roteiros. No alerta de 21 de julho, o Itamaraty pede que brasileiros não viajem ao Irã, a Israel, ao sul do Líbano, a Gaza e ao Iêmen, e que evitem viagens não essenciais a dez outros lugares, entre eles Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Emirados. O Egito não está em nenhuma das listas.
O governo britânico, em aviso de 4 de agosto ainda em vigor, desaconselha qualquer viagem ao Sinai do Norte e à faixa de 20 km junto à Líbia, e as não essenciais a outras áreas de deserto e do Sinai. Cairo, Luxor, Assuã e Abu Simbel ficam fora de qualquer restrição. O aviso registra que, em 29 de julho, um aparente ataque de drone danificou dois navios ancorados perto de Damietta, no norte do país. Os Estados Unidos mantêm o Egito no nível 2 de 4, o de cautela redobrada.
O efeito mais concreto está nas conexões. Em março, o fechamento do espaço aéreo parou a Emirates e a Qatar Airways por dias, e a Qatar passou meses com grade reduzida em São Paulo. Os ataques recomeçaram em julho e seguem em outubro no estreito de Ormuz; a agência europeia de aviação recomenda não sobrevoar o golfo Pérsico até pelo menos 16 de novembro. Escala em Dubai ou Doha não é proibida pelo Itamaraty, mas a rota por Istambul, Casablanca ou pela Europa tira esse risco da conta. Releia os alertas perto do embarque e faça seguro que cubra cancelamento.
Antes de embarcar: visto, vacina, voo e dinheiro
Visto pela internet, por QR code ou no guichê do banco
Brasileiro precisa de visto de turista, de 30 dias, e pode tirá-lo antes ou na chegada. O e-Visa sai no portal oficial, o visa2egypt.gov.eg, por US$ 30, com pedido ao menos sete dias antes.
No aeroporto do Cairo, em teste desde 1º de agosto de 2026, o visto na chegada também sai como QR code, no site apps.visaonarrival.gov.eg, no aplicativo ou em totens do saguão: US$ 36 (US$ 30 de visto e US$ 6 de emissão), só no cartão. Enquanto isso, o adesivo de papel segue à venda nos guichês de banco. O passaporte precisa de seis meses de validade.
Febre amarela: o certificado entra na mala
O Egito exige o certificado de vacina contra febre amarela de quem chega de país com risco de transmissão, como o Brasil, a partir dos 9 meses de idade. Tome a vacina pelo menos dez dias antes e emita o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) pelo gov.br. Sem ele, a pessoa pode ficar até seis dias em quarentena.
Voo: sempre com escala
Não há voo direto do Brasil. As conexões passam por Casablanca (Royal Air Maroc), Istambul (Turkish Airlines), Paris ou Roma, além de Dubai e Doha.
O Aeroporto Internacional do Cairo (CAI) fica em Heliópolis, do lado oposto da cidade em relação a Gizé. Use Uber, Careem ou inDrive em vez de táxi de rua, e compre um eSIM antes. O fuso é de seis horas a mais que Brasília até 29 de outubro de 2026, quando acaba o horário de verão egípcio; depois, cinco.
Deixe o drone em casa: ele só entra no país com autorização do Ministério da Defesa, sob pena de até sete anos de prisão.
Dinheiro: cartão na bilheteria, notas pequenas na rua
A moeda é a libra egípcia (EGP, também escrita LE). Em setembro de 2026, US$ 1 valia cerca de 50 libras. Cartão, saque e compra de moeda pagam 3,5% de IOF.
Desde 2023, o governo vem tirando o dinheiro vivo das bilheterias: pirâmides, Vale dos Reis e a maioria dos sítios e museus só aceitam cartão. Na rua é o contrário: troco é raro, então saque valores quebrados, como 350 libras, para receber cédulas menores.
Gorjeta, o baksheesh, faz parte do dia. Referências de 2026: de 3 a 10 libras para o atendente do banheiro, de 50 a 100 por pessoa por dia para o motorista de passeio, de 150 a 200 por dia para a equipe de um cruzeiro, divididos entre todos. Policial não recebe gorjeta.
Quando ir: de novembro a fevereiro, com o calor de Assuã como régua
O sul decide. Em Assuã, de junho a agosto, a máxima média fica perto de 42 °C, e a mínima, de 27 °C a 28 °C. De dezembro a fevereiro, as máximas ficam entre 23 °C e 26 °C, com mínimas de 10 °C a 12 °C e quase nenhuma chuva.
No verão, o roteiro funciona com um ajuste: visitas das 6h às 10h, intervalo com ar-condicionado e volta depois das 16h. Vale dos Reis, Hatshepsut e Karnak abrem às 6h o ano todo. Em 2027, o Ramadã deve ir do começo de fevereiro ao começo de março: os sítios fecham mais cedo, e o ritmo das cidades muda.
Em 22 de fevereiro e 22 de outubro, o sol nascente entra no grande templo de Abu Simbel e ilumina as estátuas do santuário; nesses dias, o ingresso sobe para 1.272 libras.
Dias 1 a 3: Cairo e Gizé
Onde ficar no Cairo: Gizé ou a beira do Nilo
- Gizé, perto do platô: pirâmides e Grande Museu, a uns 2 km um do outro, e a estação de Gizé atende o trem-leito. Fica longe do Cairo islâmico e do aeroporto principal.
- Zamalek e Garden City: Zamalek é uma ilha no Nilo, com restaurantes e cafés; Garden City fica na beira-rio. Perto do Cairo islâmico, mas Gizé fica do outro lado do trânsito.
Dia 1: chegada
Chame o carro pelo aplicativo, vá direto ao hotel e durma cedo.
Dia 2: as pirâmides às 7h e o Grande Museu à tarde
O platô abre às 7h, com última entrada às 16h. Desde abril de 2025, a entrada principal fica na estrada para Faiyum, ao sul das pirâmides; carros e ônibus de excursão param ali, e ônibus elétricos circulam pelo platô.
O ingresso da área custa 700 libras e não inclui o interior de nenhuma pirâmide. Entrar na Grande Pirâmide, a de Quéops, custa mais 1.500 libras. A cota diária se esgota na alta temporada: compre esse bilhete junto com o da área, logo na abertura. Lá dentro, uma passagem baixa e abafada leva à Grande Galeria e à câmara do rei, com um sarcófago vazio e nenhuma pintura.
Almoce e siga para o Grande Museu Egípcio (GEM), aberto por completo desde novembro de 2025. As galerias funcionam das 9h às 18h; às quartas e aos sábados, até as 21h, com última entrada uma hora antes. O ingresso de estrangeiro equivale a US$ 30, cobrado em libras; em maio, o ministro Sherif Fathy anunciou que ele passa a US$ 35 em 1º de novembro de 2026. Compre com horário marcado no visit-gem.com, o único site oficial.
O bilhete cobre as galerias de Tutancâmon, com o tesouro do faraó, a Grande Escadaria e o museu dos barcos de Quéops. Reserve quatro horas.
Dia 3: Cairo islâmico e o trem da noite
Deixe a mala no hotel depois do check-out e vá ao Museu Nacional da Civilização Egípcia (550 libras, última entrada às 16h), em Fustat, onde a Sala das Múmias Reais fica no subsolo. Dali, um carro de aplicativo leva à Cidadela de Saladino, com a mesquita de Muhammad Ali (550 libras). Lá dentro, ombros e joelhos cobertos, e as mulheres cobrem o cabelo com lenço, emprestado na porta.
No fim da tarde, caminhe pela rua Al-Muizz até o bazar de Khan el-Khalili e tome um chá no café El Fishawy.
O trem-leito 86, da Abela Trains, sai às 19h45 da estação Alto Egito, também chamada Bashtil, para em Gizé às 20h15 e chega a Luxor às 6h10, pelo horário de 2026 do Seat61. Na classe Elite (escolha-a na compra, porque o mesmo trem leva carros mais antigos), a cabine dividida custa US$ 125 por pessoa, e a individual, US$ 170, com jantar e café da manhã. As vendas abrem de quatro a cinco meses antes, no abelatrains.com.
Bom saber
Plano B: o voo do Cairo a Luxor leva cerca de uma hora. Durma a terceira noite no Cairo e voe cedo no dia 4.
Dias 4 e 5: Luxor, uma margem por dia
Onde ficar em Luxor: leste ou oeste do Nilo
- Margem leste: hotéis, restaurantes, a estação e os templos de Karnak e de Luxor, e também os vendedores mais insistentes do país; quem sai a pé do hotel é abordado a cada quarteirão.
- Margem oeste: mais quieta, perto das tumbas, com poucos lugares para jantar. A balsa pública cruza o rio por 20 libras para estrangeiro (outubro de 2025).
Dia 4: Vale dos Reis antes do calor
O Vale dos Reis abre às 6h, com última entrada às 17h no verão e às 16h no inverno. O ingresso de 750 libras dá direito a três tumbas, escolhidas entre as abertas no dia, que mudam por rodízio de conservação. Três cobram à parte:
- Tutancâmon (KV62): 700 libras. É pequena, mas a múmia do faraó continua lá; o tesouro do Grande Museu saiu dela.
- Seti I (KV17): 2.000 libras, uma das mais longas e decoradas do vale.
- Ramsés VI (KV9): 220 libras, com o teto astronômico pintado.
O carrinho da bilheteria até as tumbas custa 20 libras (janeiro de 2026). Foto com celular é livre, e flash é proibido.
Siga para o templo de Hatshepsut, em Deir el-Bahari (440 libras), e pare nos Colossos de Mêmnon na volta.
Descanse no meio do dia. Ao entardecer, entre no Templo de Luxor (500 libras, última entrada às 19h) e veja as luzes se acenderem sobre o obelisco e as estátuas de Ramsés II.
Bom saber
Os balões saem ao amanhecer; em 2026, operadores cobram de US$ 70 a US$ 150 por pessoa, conforme o horário e o tamanho do cesto, com cestos para 20 a 30 pessoas. O histórico de segurança pesa: em 2013, um balão pegou fogo sobre a margem oeste e matou 19 pessoas.
Dia 5: Karnak às 6h e a tarde no rio
Chegue a Karnak (600 libras) na abertura, às 6h. O salão hipostilo, com 134 colunas, fica melhor com sol baixo e sem grupos. Do templo, a Avenida das Esfinges, reaberta em 2021, segue por 2,7 km até o Templo de Luxor.
No fim da tarde, saia de faluca, o veleiro tradicional do Nilo, para o pôr do sol; combine o preço por hora antes de embarcar.
Dia 6: de Luxor a Assuã, por trilho, estrada ou rio
De trem, são pouco mais de três horas: o leito do Cairo sai de Luxor às 6h10 e chega a Assuã às 9h25, e há trens diurnos de assento.
De carro com motorista, vai o dia, com duas paradas: o templo de Hórus, em Edfu (550 libras), um dos mais bem conservados do Egito, e o templo de Kom Ombo (450 libras), dedicado ao deus-crocodilo Sobek e a Hórus.
Chegando de trem, dê a volta à tarde na ilha Elefantina de faluca. Às quintas e sextas, o Museu Núbio (400 libras) reabre das 18h às 21h.
Ou de cruzeiro: três noites de Assuã a Luxor
O barco faz o mesmo trecho devagar, parando em Edfu e Kom Ombo e passando pela eclusa de Esna. Na versão de rio, inverta o sentido para caber nos oito dias: voe do Cairo a Assuã na noite do dia 3 e embarque no dia 4 num cruzeiro de três noites até Luxor.
Filae costuma estar no programa do primeiro dia, e Abu Simbel é opcional na madrugada do segundo, antes de o barco zarpar. Desembarque em Luxor no dia 7, veja o que o barco não cobriu e voe ao Cairo no dia 8.
- A favor: a mala fica no quarto, a pensão é completa e muitos pacotes trazem guia egiptólogo.
- Contra: ingressos em geral fora do preço, horários de grupo e dias de saída fixos de cada barco. Peça o programa dia a dia antes de pagar.
Dias 7 e 8: Abu Simbel de madrugada e Filae de manhã
Onde ficar em Assuã: a Corniche ou as ilhas
- Corniche, na margem leste: perto do mercado, da estação e dos restaurantes; nos quartos de frente, a vista é a do rio.
- Elefantina e margem oeste: vilas núbias e silêncio; cada jantar fora pede travessia de barco.
Dia 7: três horas de estrada até Ramsés II
Abu Simbel fica a cerca de 280 km ao sul de Assuã, a umas três horas de estrada. Os micro-ônibus das agências saem por volta das 4h ou 5h; o sítio recebe visitantes até as 16h. Na ida, sente do lado esquerdo para ver o nascer do sol e, de dezembro a fevereiro, leve casaco: o deserto antes do sol é frio. Quem prefere voar tem voos da EgyptAir saindo de Assuã.
O ingresso custa 822 libras no site oficial, o egymonuments.com, e inclui o templo menor, de Nefertari. Os dois foram cortados em blocos e remontados mais acima nos anos 1960, para escapar das águas do lago Nasser.
De volta no começo da tarde, veja o Obelisco Inacabado (220 libras, última entrada às 15h): teria 42 metros, mas rachou e ficou deitado na pedreira.
Dia 8: Filae e o voo para o Cairo
O templo de Ísis, em Filae, abre às 7h (550 libras, última entrada às 15h). Remontado na ilha de Agilkia depois das barragens, só se chega de barco a motor, contratado no cais de Shellal: combine antes o preço de ida e volta com espera.
À tarde, o voo de Assuã ao Cairo leva pouco mais de uma hora. Com passagens separadas, deixe pelo menos quatro horas entre o doméstico e o internacional.
Assédio e golpes: o que acontece e como sair
Nas áreas turísticas do Cairo, de Luxor e de Assuã, o policiamento é ostensivo, e o problema mais comum para o visitante é o golpe pequeno:
- Táxi sem preço: combine o valor antes de entrar. No aplicativo, se o motorista quiser renegociar depois de aceitar, cancele e chame outro.
- Guia que aparece sozinho: quem explica um templo sem ser chamado cobra no fim.
- Camelo e cavalo em Gizé: feche preço total, duração e moeda antes de montar.
- "Fábrica" de papiro ou perfume: a demonstração é grátis, e a comissão do motorista vai no preço.
- Foto com guarda: nas tumbas e templos, quem oferece foto ou acesso a área fechada cobra baksheesh por algo proibido.
"La, shukran" (não, obrigado), dito com calma e sem parar de andar, encerra a maioria das abordagens. Se passar do ponto, chame a polícia de turismo.
Continue lendo

Madri, Espanha
O que fazer em Madri: Prado de graça no fim da tarde, onde ficar e Toledo e Segóvia de trem
Em Madri, o Prado é de graça no fim da tarde e o jantar começa às 21h. Em que bairro ficar, onde comer tapas e como chegar a Toledo e Segóvia de trem.

Mendoza, Argentina
O que fazer em Mendoza: vinícolas com ou sem carro, Aconcágua e neve
Maipú de bicicleta, Luján de Cuyo de ônibus do vinho e Valle de Uco de carro: preço das degustações, onde ficar em Mendoza e a Vendimia de 2027.

Istambul, Turquia
Onde ficar em Istambul, quanto custam os monumentos e o Bósforo de ferry
Em qual lado do Bósforo dormir em Istambul, quanto custam Hagia Sophia (€25) e Topkapı, o ferry de 65 liras e os dias em que cada monumento fecha.