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Pernambuco

Fernando de Noronha em 5 dias: roteiro pela maré, sem Ilhatour

Sancho antes dos barcos, Baía dos Porcos na maré baixa e Atalaia agendada: quando ir, o que fazer em cada dia e quanto custam taxa e ingresso em 2026.

Foto: Roberto Noval · CC BY-SA 3.0

Noronha cobra duas vezes antes de você molhar o pé: a taxa da ilha, por dia de permanência, e o ingresso do parque nacional, sem o qual não se pisa no Sancho, no Leão nem na Baía dos Porcos. Some as duas à passagem e à pousada, e cinco dias é o mínimo que justifica a conta. Com menos do que isso, você passa a viagem correndo atrás de maré.

Os cinco dias abaixo dispensam o Ilhatour, o passeio de 4x4 que mostra quase todas as praias num dia só. Ele faz sentido para quem fica três dias. Com cinco, você chega a cada praia sozinho, de ônibus, táxi ou buggy alugado, e fica nela o tempo que quiser. Planejar, aqui, é olhar a tábua de marés, agendar as trilhas e não deixar o mergulho para a véspera do voo.

Antes de comprar: época, taxas e agendamento

Quando ir: mar parado de agosto a outubro, swell de novembro a março

A ilha tem dois lados. O Mar de Dentro, virado para o continente, tem Sancho, Baía dos Porcos, Conceição e as praias perto da vila. O Mar de Fora, virado para a África, tem Leão, Sueste e Atalaia.

  • Agosto e setembro são os meses de mar mais parado no Mar de Dentro e de céu firme. É a época das fotos de água verde-clara no Sancho, e a procura é alta, então reserve cedo.
  • De novembro a março é a temporada de swell, com pico em janeiro e fevereiro, os meses dos surfistas. O Mar de Dentro ganha ondas, o snorkel na beira do Sancho e da Baía dos Porcos fica com espuma e a Praia do Cachorro perde a areia. O Mar de Fora fica protegido.
  • De abril a julho é a época de chuva, mais forte entre abril e junho. Chove em pancadas, a ilha fica mais vazia e um pouco mais barata, e o swell vai perdendo força; o ICMBio avisa que até maio ainda pode vir mar forte.

Na prática: para snorkel e água transparente, vá entre agosto e o começo de outubro. Para gastar menos, abril a junho, aceitando chuva.

A taxa da ilha: R$ 520,50 por pessoa em cinco dias

A Taxa de Preservação Ambiental é cobrada por dia de permanência. Pela tabela de 2026 da Administração de Fernando de Noronha, os quatro primeiros dias custam R$ 105,79 cada; a partir do quinto, cada dia a mais sai mais barato. Cinco dias custam R$ 520,50 por pessoa.

Pague pelo site antes de embarcar, com cartão ou boleto; cartão emitido fora do Brasil só é aceito no balcão do aeroporto. A taxa é conferida no embarque de volta, e se você ficar mais dias do que declarou sem regularizar, os dias excedentes saem pelo dobro.

O ingresso do parque: compre pela internet

O ingresso do Parque Nacional Marinho custa R$ 384; brasileiros pagam metade, R$ 192 (valores em vigor em outubro de 2026, segundo o site do parque). Vale dez dias a partir da primeira ativação, num Posto de Informação e Controle ou na bilheteria. Menores de 12 anos e brasileiros com mais de 60 são isentos, com documentação. Há praias que não pedem ingresso: Cachorro, Meio, Conceição, Boldró, Americano, Bode, Cacimba do Padre e Porto. O passeio de barco pede.

Bom saber

Compre o ingresso pela internet, e não na ilha: só quem comprou online agenda as trilhas online. Quem compra no Centro de Visitantes, no Boldró, agenda lá, presencialmente, das 8h às 19h.

Atalaia e trilhas: agende assim que tiver o ingresso

Seis atrativos têm vagas limitadas por dia, e nas épocas cheias elas acabam rápido. Nos de piscina natural, o horário ainda depende da maré baixa.

  • Atalaia: dispensa guia.
  • Capim-Açu, Pontinha-Caieira e Atalaia-Pontinha-Caieira: exigem condutor credenciado pelo ICMBio.
  • Morro São José: exige condutor quando a maré não seca o bastante e a travessia é a nado.
  • Enseada do Abreu: também tem vaga por dia, com horário pela maré.

Dia 1: fuja da palestra do transfer e termine no Mirante do Boldró

A maior parte dos voos sai de Recife, a cerca de 545 km; o trecho leva pouco mais de uma hora. Rotas diretas de outras cidades entram e saem da malha conforme a temporada, então compare também o tempo de conexão, não só o preço.

No aeroporto, recuse o transfer compartilhado se ele vier com "palestra de boas-vindas". Em muitos casos é uma sessão de venda de passeios, e você perde a primeira tarde. Pegue um táxi (a ilha não tem transporte por aplicativo), deixe a mala e vá para a praia.

Se chegar até o meio da tarde, as praias do centro resolvem: Conceição, Meio ou Cachorro (esta só tem areia fora da época de swell). Na Praia do Cachorro ficam também o Buraco do Galego e a Lasca da Velha, duas piscinas naturais entre as pedras que reabriram em julho de 2026, em fase de teste, depois de oito meses fechadas. A entrada é só com maré baixa, das 9h às 17h, e fecha em dia de mar agitado; a recomendação é ir com guia credenciado. Se ainda não tem o ingresso do parque, a bilheteria do Centro de Visitantes do ICMBio, no Boldró, abre até as 19h.

Para o pôr do sol, o lugar clássico é o Mirante do Boldró, junto às ruínas do forte, de onde o sol se põe no mar com o Dois Irmãos em primeiro plano. Fica lotado porque todo Ilhatour termina ali. Se preferir pé na areia, a Conceição tem o Morro do Pico de frente.

O pôr do sol visto do Mirante do Boldró, com o Dois Irmãos em silhuetaFoto: Leonardo de Morais Soares · CC BY-SA 3.0

Dia 2: golfinhos cedo, Sancho e Baía dos Porcos

Este é o dia de acordar às 5h30. A essa hora o ônibus ainda não circula; combine o táxi na véspera ou vá de buggy.

6h30, Mirante dos Golfinhos. O acesso é pelo posto Golfinho-Sancho, que abre nesse horário. Lá de cima você observa a baía onde os golfinhos-rotadores descansam de manhã. A observação é só do alto: não se desce, não se nada e não passa barco na baía. Em 2025, a média de golfinhos na baía foi de 129 por dia, metade da de 2015, segundo o Projeto Golfinho Rotador; trate como bônus. Da mesma trilha sai o mirante dos Dois Irmãos, de onde se vê a Baía dos Porcos de cima.

Golfinhos-rotadores, que passam as manhãs descansando nas baías do Mar de DentroFoto: Rafael Nicolaidis · CC BY-SA 4.0

8h, Praia do Sancho. Do mesmo posto sai a trilha para a escada de descida, encaixada numa fenda do paredão. A escada funciona em janelas alternadas de descida e subida; a primeira, das 8h às 8h50, é livre nos dois sentidos. Vale chegar nessa primeira janela, porque a praia fica quase vazia até os barcos de passeio começarem a parar (só quatro podem ficar ao mesmo tempo). Leve máscara, água e lanche, porque na praia não se vende nada, e procure peixes junto às pedras dos cantos.

A Baía do Sancho, no Mar de Dentro: chega-se à areia pela escada; os barcos param na baía para o mergulhoFoto: Osaki · CC BY-SA 3.0

12h30, subida e almoço. Suba na janela das 12h30 às 13h20; a seguinte é só às 14h30. Nem o Sancho nem a Cacimba do Padre têm onde comer: almoce numa das vilas e siga para a Cacimba de táxi ou buggy, ou leve o almoço na mochila e vá direto.

Depois do almoço, Baía dos Porcos. O acesso por terra é uma trilha pelas pedras a partir do canto esquerdo da Cacimba do Padre e só funciona com maré baixa; confira a tábua de marés no site do parque. Com mar calmo, é onde o snorkel rende mais perto da areia: peixes nas pedras e água rasa. Num aviso oficial, o ICMBio bloqueou a área à esquerda da praia, junto ao paredão, por risco de queda de rochas, e manteve o banho no resto da baía.

Termine o dia na própria Cacimba do Padre, com o Dois Irmãos na ponta e o sol se pondo no mar.

Bom saber

Se a maré baixa cair de manhã, inverta: Baía dos Porcos cedo, Sancho depois. A Baía dos Porcos depende da maré; o Sancho, não.

Dia 3: barco até a Sapata e batismo no naufrágio do Porto

Faça o passeio de barco de manhã, quando os golfinhos estão mais ativos. Os barcos saem do Porto de Santo Antônio, seguem pelo Mar de Dentro até a Ponta da Sapata, na ponta oeste da ilha, e na volta param no Sancho. É comum cruzar com golfinhos no caminho. Pelas regras do parque, o barco contorna o grupo em vez de ir na direção dele, e ninguém pula na água.

O Morro do Pico, o ponto mais alto da ilha, visto do barco diante da Praia da ConceiçãoFoto: Thiago Tiganá · CC BY-SA 3.0

À tarde, faça um batismo de mergulho com cilindro, se nunca mergulhou. O batismo na Praia do Porto, onde há um naufrágio, sai mais barato porque parte da praia, sem barco. Só não deixe para o último dia: as operadoras pedem um intervalo de 24 horas entre o mergulho e o voo. Se não for mergulhar, a Praia do Porto é boa para snorkel com equipamento alugado ali mesmo.

À noite, veja se há palestra do Projeto Tamar. São gratuitas, no Centro de Visitantes do Boldró, mas não acontecem todas as noites.

Dia 4: Atalaia e Leão, no lado que não sente o swell

Atalaia e Leão ficam no Mar de Fora, e por isso este dia também é o seu plano B se o Mar de Dentro estiver com onda.

Atalaia, se você conseguiu vaga. A piscina natural fica no fim de uma trilha de cerca de 3 km ida e volta, e o horário depende da maré baixa do dia. As regras são rígidas: colete, máscara e snorkel; nada de ficar em pé, ajoelhar ou tocar o fundo; e nenhum protetor solar ou cosmético antes de entrar. De março a julho, com a trilha enlameada, chegue meia hora antes. Em alguns períodos a piscina é fechada por assoreamento; o aviso sai no site do parque.

Debaixo d'água na Atalaia: a piscina é rasa, e a regra é flutuar sem tocar o fundoFoto: Nayara Felipe · CC BY-SA 3.0

Praia do Leão à tarde. Uma faixa larga de areia no Mar de Fora, com o Morro do Leão e a Viuvinha na frente. O acesso é pelo posto do Leão, das 8h às 18h. Tem corrente forte: entre na água com cuidado, e o banho não é permitido nos recifes das duas pontas. Entre dezembro e maio é temporada de desova de tartarugas, e partes da areia ficam sinalizadas.

Do mesmo posto, uma trilha curta leva ao Mirante da Ponta das Caracas, bom para o fim da tarde e para ver aves marinhas. Da Atalaia ao Leão, vá de táxi ou buggy; se a maré da Atalaia for à tarde, faça o Leão de manhã.

Praia do Leão, no Mar de Fora: mar forte, mas protegida do swell que bate do outro ladoFoto: Rosana Antunes · CC0

Para quem caminha bem, troque a Atalaia pela trilha do Capim-Açu: 7,5 km só de ida, do posto Golfinho-Sancho até a Praia do Leão, passando pela Ponta da Sapata. Exige agendamento e condutor credenciado; vá de calçado fechado. Conte o dia inteiro e combine com o condutor a volta a partir do Leão, de táxi ou buggy, porque o ônibus só passa na estrada principal.

A Baía do Sueste, a praia do mangue e das tartarugas, estava com as atividades no mar suspensas na última atualização do site do parque; a areia segue aberta para caminhar e observar. Se reabrir, vale meia manhã.

Dia 5: canoa havaiana ou vila histórica antes do voo

O último dia depende do horário do voo. Com a manhã livre, duas boas opções perto do centro.

Canoa havaiana ao amanhecer, saindo do Porto, com guia a bordo; golfinhos aparecem com frequência pelo trajeto.

Vila dos Remédios a pé. A igreja de Nossa Senhora dos Remédios e, no alto, o Forte dos Remédios contam a fase em que a ilha foi presídio e, na Segunda Guerra, base militar. O forte foi restaurado pelo IPHAN e hoje é um espaço cultural administrado por uma concessionária; de lá se vê a Praia do Cachorro, a Conceição e o Morro do Pico. É também o seu programa para um dia de chuva.

Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na vila históricaFoto: Adelano Lázaro · CC BY-SA 4.0

O aeroporto fica a uns dez minutos da Vila dos Remédios. Como a taxa da ilha é conferida no embarque, chegue com o comprovante à mão.

Plano B para chuva, swell e cansaço

  • Swell no Mar de Dentro: vá para o Leão e a Ponta das Caracas; a Atalaia, só se a sua vaga já for daquele dia. Se a Capitania dos Portos restringir a navegação, o barco do dia 3 não sai: remarque para a manhã do dia 4, se a sua Atalaia for à tarde, ou do dia 5, se o voo for depois do almoço.
  • Chuva: mantenha o plano e tenha a vila histórica, o Centro de Visitantes e uma praia do centro como refúgio.
  • Cansaço: o dia 2 é o mais puxado. Se precisar, divida Sancho e Baía dos Porcos em dois dias e corte o mergulho.

Onde ficar em Noronha: Remédios, Floresta Nova ou uma vila mais quieta

A ilha não tem praia com fileira de hotéis. As pousadas ficam em vilas, quase todas a poucos minutos de carro umas das outras, e a escolha muda menos a viagem do que em outros destinos. Ainda assim:

  • Vila dos Remédios: o centro histórico, com comércio, restaurantes e a vida noturna, e a pé das praias do Cachorro, do Meio e da Conceição. A música dos bares perto da praça pode incomodar quem dorme cedo.
  • Floresta Nova: do outro lado da BR, em frente aos Remédios, com a maior concentração de pousadas. Dá para ir a pé ao centro.
  • Floresta Velha: a parte alta; muitas pousadas têm vista para o Morro do Pico, mas a volta para casa é ladeira.
  • Vila do Trinta e Colina: a meio caminho entre o centro e o Porto. De 10 a 15 minutos a pé até os Remédios, com subida na volta, e perto do início da trilha da Atalaia.
  • Boldró: perto do Centro de Visitantes, do Tamar e do pôr do sol, mais longe do agito.
  • Praia da Conceição: das poucas praias com pousadas pé na areia, todas disputadas e caras.

Para cinco dias sem carro, Remédios ou Floresta Nova poupam táxi à noite. Para quem vai alugar buggy, qualquer vila serve.

Ônibus, táxi ou buggy, e por que sair com lanche

O ônibus percorre a BR, a estrada principal da ilha, e para perto das entradas das praias. Em 2024 passava a cada meia hora, das 7h às 22h, e a passagem custava R$ 5, segundo o guia do site Travel.com.br. O táxi tem tarifa fixa por trecho e resolve a volta à noite. Buggy alugado dá liberdade para seguir a maré sem depender de horário.

Comer é a outra conta da viagem: quase tudo chega de avião ou de barco, e o mercado da vila é caro. Nas praias do parque, como Sancho, Leão e Atalaia, não se vende nada, então saia de manhã com água e lanche. A ilha proíbe plástico descartável desde 2019; leve garrafa reutilizável e sacola.

Com sete, quatro ou três dias

Com sete dias, a viagem muda de ritmo: dá para repetir o Sancho, esperar a maré certa para a Baía dos Porcos e agendar uma segunda trilha, como o Morro São José ou o Abreu.

Com quatro dias, corte o dia 4 e encaixe o Leão numa tarde. Com três, aí sim faça o Ilhatour no segundo dia e o barco no terceiro, e aceite ver as praias de passagem.

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Os dois morros do Dois Irmãos saindo do mar azul-turquesa da Baía dos Porcos, vistos do alto

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