mesmoteto
Blog

Praga, Viena e Budapeste, Europa Central

Roteiro de 10 dias por Praga, Viena e Budapeste: dois trens e três moedas

Praga, Viena e Budapeste em 10 dias de trem, sem carro nem avião: onde ficar, o que reservar antes, câmbio sem golpe, taxas de 2026 e o Gellért fechado.

Foto: Godot13 · CC BY-SA 4.0

Até 1918, Praga, Viena e Budapeste tinham o mesmo soberano: imperador em Viena, rei em Budapeste. Hoje são três países, com três moedas: a coroa tcheca, o euro e o forint. Do império ficou a linha de trem: quatro horas de Praga a Viena e duas horas e quarenta de Viena a Budapeste. Dá para fazer as três em dez dias sem avião e sem carro.

Três noites em cada cidade, na ordem que a passagem aérea mandar

São nove noites para dez dias. Praga pede três porque o centro se vê a pé e cansa, com ladeira até o Castelo e paralelepípedo o dia inteiro. Viena pede três porque museus e Schönbrunn ocupam manhãs inteiras. Em Budapeste, o banho termal do penúltimo dia serve de descanso antes do voo longo. Sobrando uma noite, ela vai para Budapeste, a maior das três.

Nenhuma das três tem voo direto do Brasil. Compre a passagem multidestino, chegando por Praga e saindo por Budapeste (ou o contrário, se sair mais barato), para não perder um dia voltando de trem ao ponto de partida.

Os dois trens: railjet ou RegioJet, e quanto custa comprar antes

Praga a Viena. Os railjets das ferrovias tcheca (ČD) e austríaca (ÖBB) saem da estação central de Praga (Praha hlavní nádraží) a cada duas horas e chegam à Wien Hauptbahnhof em pouco mais de quatro horas. A RegioJet, empresa privada tcheca, faz até quatro viagens por dia, em cerca de 4h20. Railjet e RegioJet partem de €14,90 na tarifa antecipada, no site de cada empresa (Seat61, outubro de 2026).

Viena a Budapeste. Railjets e EuroCity da ÖBB com a MÁV, a ferrovia húngara, saem de hora em hora da Hauptbahnhof e levam cerca de 2h40 até a estação Keleti. A tarifa antecipada parte de €19,90 no site da ÖBB (Sparschiene) e de €13 no da MÁV, contra €52,70 da tarifa cheia comprada no dia (Seat61, outubro de 2026). A RegioJet faz quatro viagens por dia, chega à estação Déli, do lado de Buda, e vende a partir de €9.

Um railjet da ČD na Wien HauptbahnhofFoto: Bahnfrend · CC BY-SA 4.0

A tarifa barata de ČD e ÖBB vale só para aquele trem, e a da ÖBB não tem reembolso; a da RegioJet aceita troca até 15 minutos antes. Em 2026, atrasos fizeram alguns railjets começar ou terminar em Kelenföld, do lado de Buda, em vez de Keleti; aí a passagem vale no metrô M4 entre as duas. Confira a estação na véspera.

Bom saber

Leve o passaporte à mão no trem: a Áustria vem renovando controles temporários nas fronteiras com a República Tcheca e a Hungria.

Coroa, euro e forint: cartão, saque e o golpe da rua em Praga

Cartão por aproximação funciona em quase tudo nas três cidades; Pix não existe por lá. A armadilha está na maquininha e no caixa eletrônico: quando a tela oferecer cobrar em reais, recuse e escolha a moeda local, porque a conversão da máquina embute margem própria.

O comércio turístico de Praga e Budapeste aceita euro, com câmbio próprio; pague em coroa ou forint. Saque em caixa de banco, não nos independentes do centro.

Em Praga, nunca troque dinheiro na rua. Em setembro de 2026, a polícia prendeu dois homens que abordavam turistas no centro oferecendo câmbio e entregavam rublos bielorrussos sem valor, segundo o Expats.cz. Nas casas de câmbio licenciadas, a lei tcheca garante o direito de desfazer a troca em até três horas, para valores até o equivalente a €1.000. Guarde o recibo, que registra o horário; o tempo fora do expediente da casa não conta.

Taxa de turismo: 50 coroas, 5% e cada distrito com a sua

  • Praga: 50 coroas por pessoa por noite, cobradas pela hospedagem, segundo a lei municipal em vigor desde 2022. Menores de 18 anos não pagam.
  • Viena: desde 1º de julho de 2026, a Ortstaxe é de 5% sobre a diária sem impostos e sem café da manhã, segundo a Câmara de Comércio de Viena (WKO).
  • Budapeste: cada distrito define a sua, uma porcentagem da diária ou um valor fixo por noite, somada na conta da hospedagem.

Onde ficar em Praga, Viena e Budapeste

Praga. A Cidade Velha (Staré Město) põe tudo a pé, mas é a parte mais cara e, nas noites de sexta e sábado, a mais barulhenta. Malá Strana, do outro lado da Ponte Carlos, esvazia à noite e fica a meio caminho do Castelo, com ladeiras e pedras que castigam a mala. Vinohrady, a 10 ou 15 minutos de metrô, tem preço melhor, cafés de bairro e vida própria.

Viena. O 1º distrito (Innere Stadt), dentro do Ring, é o mais caro e o mais bonito. Neubau e Mariahilf (7º e 6º distritos), colados no MuseumsQuartier, têm cafés, lojas e metrô U2 e U3. Perto da Hauptbahnhof, a mala chega e sai do trem em minutos, mas o entorno não tem o charme do centro.

Budapeste. O 5º distrito (Belváros-Lipótváros), entre o Parlamento e a Ponte das Correntes, é central e plano. O 7º (Erzsébetváros), o antigo bairro judeu, tem os bares em ruínas e o barulho que vem com eles até de madrugada. Do lado de Buda, o 1º distrito, em volta do Castelo, é quieto à noite, mas não tem metrô no alto da colina.

Dia 1: chegada a Praga e os apóstolos do relógio

Do aeroporto Václav Havel, o trólebus 59 leva uns 15 minutos até Nádraží Veleslavín, onde se pega a linha A do metrô; com o bilhete de 90 minutos, a viagem toda custa 46 coroas no aplicativo PID Lítačka (tarifa de 2026). O ônibus Airport Express (AE) vai direto à estação central em cerca de 35 minutos, por 200 coroas em 2026, tarifa própria que não entra nos passes (confira em pid.cz).

Depois do check-in, chegue à Praça da Cidade Velha um pouco antes de uma hora cheia: das 9h às 23h, o relógio astronômico da prefeitura antiga põe os apóstolos para desfilar.

Dia 2: Ponte Carlos às 7h, Castelo na abertura

7h. A Ponte Carlos, de 1357, tem 30 estátuas barrocas e, depois das 10h, uma multidão difícil de atravessar. Antes das 8h, a ponte é dos fotógrafos e dos varredores. Atravesse rumo a Malá Strana.

A Ponte Carlos às primeiras horas, rumo a Malá StranaFoto: Roman Boed from The Netherlands · CC BY 2.0

9h. Suba ao Castelo pela rua Nerudova, a pé, ou pelo bonde 22 até a parada Pražský hrad. Os pátios ficam abertos das 6h às 22h; os prédios históricos abrem às 9h e fecham às 17h de abril a outubro e às 16h de novembro a março. O circuito principal, que inclui a catedral de São Vito, o Antigo Palácio Real, a basílica de São Jorge e a Ruela Dourada, custa 450 coroas, segundo a prefeitura de Praga. Aos domingos, a catedral só recebe turistas depois da missa, a partir do meio-dia.

O Castelo de Praga visto da margem do MoldavaFoto: Mgimelfarb · CC BY-SA 4.0

Tarde. Desça pelos jardins até Malá Strana para almoçar. À noite, veja o Castelo iluminado da margem da Cidade Velha.

Dia 3: o bairro judeu de manhã, Vyšehrad no fim da tarde

Josefov, o antigo gueto, guarda seis sinagogas e o cemitério judeu antigo, com lápides empilhadas umas sobre as outras. O Museu Judaico, que administra quatro das sinagogas e o cemitério, fecha aos sábados e nos feriados judaicos; a Velha-Nova, da comunidade, tem ingresso à parte. Não deixe este dia cair num sábado.

À tarde, pegue o metrô C até Vyšehrad, a fortaleza ao sul do centro, com o cemitério onde estão Dvořák e Smetana e uma vista do rio longe da multidão.

Bom saber

Plano B para chuva: troque Vyšehrad pela Biblioteca do Clementinum, com visita guiada que inclui a torre astronômica.

Dia 4: trem para Viena e a Ópera em pé

Com o trem das 8h ou 9h, você chega a Viena no começo da tarde, a tempo de percorrer o Ring, a avenida aberta no lugar das muralhas, com Ópera, prefeitura, Parlamento e museus em sequência. Os bondes 1 e 2 fazem boa parte do trajeto.

À noite, a Ópera Estatal. Os 435 lugares em pé são vendidos a partir das 10h do dia do espetáculo, pelo site ou nas bilheterias, e cada lugar tem tela própria de legendas, inclusive em inglês. A temporada vai de setembro a junho; em julho e agosto, a casa não tem récitas.

A Ópera Estatal, no RingFoto: Igorkojic97 · CC BY-SA 4.0

Dia 5: Schönbrunn com hora marcada e a tarde nos cafés

O palácio de verão dos Habsburgo fica a poucas estações do centro pela linha U4. A entrada nos salões tem horário fixo; garanta em imperialtickets.com o primeiro horário do dia. Em outubro de 2026, o ingresso State Apartments, com cerca de 40 minutos de visita, custava €30, e o Palace Ticket, com 75 minutos e os aposentos de Maria Teresa, €42; os preços mudam por temporada.

Os jardins são de graça. Suba até a Gloriette, a colunata no alto do morro, para ver o palácio inteiro com a cidade atrás.

Schönbrunn visto da colina da GlorietteFoto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0

À tarde, o café vienense: ninguém apressa quem fica horas com o jornal, e o costume está na lista austríaca de patrimônio imaterial da Unesco. No Café Sperl, de 1880, há piano aos domingos das 15h30 às 17h30 (em julho e agosto, fecha aos domingos). O Café Central, o mais famoso, está fechado para reforma desde março, com reabertura prevista para o inverno; enquanto isso, funciona o provisório Decentral, no Palais Harrach (Freyung 3), todos os dias das 7h30 às 22h.

Dia 6: Klimt, Bruegel e um vinho de Heuriger

Escolha dois museus no máximo. O Kunsthistorisches tem a maior coleção de Bruegel do mundo e, desde setembro de 2026, só recebe com horário marcado; às quintas, abre até as 21h. O Belvedere Superior guarda O Beijo, de Klimt, com entrada por horário.

No fim da tarde, o bonde 38 sobe até Grinzing, nos vinhedos ao norte da cidade, onde as tavernas dos produtores (os Heurigen) servem o vinho da casa com bufê de frios.

Dia 7: trem para Budapeste e o Danúbio à noite

Saia de Viena depois do café e chegue a Budapeste no começo da tarde; de Keleti, o metrô M2 leva ao centro.

No fim do dia, caminhe pela margem de Pest até a Ponte das Correntes, fechada para carros desde a reforma de 2023. Na mesma margem, perto do Parlamento, os Sapatos à Beira do Danúbio, 60 pares de ferro, lembram os judeus fuzilados ali em 1944 e 1945.

Dia 8: Parlamento com ingresso e Buda ao pôr do sol

Manhã. A visita ao Parlamento só é guiada, dura uns 45 minutos e inclui a Santa Coroa da Hungria. Reserve pelo site oficial, porque os horários esgotam na alta temporada. Desde 1º de janeiro de 2026, o ingresso de adulto de fora do Espaço Econômico Europeu custa 14.000 forints. Em português, só há audioguia.

Tarde. Atravesse para Buda e suba ao bairro do Castelo, com a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores. A parte baixa do Bastião é de graça; as torres de cima cobram ingresso. Fique para o pôr do sol, com o Parlamento iluminado do outro lado do rio, a vista da foto de abertura.

Dia 9: Széchenyi antes das 9h e os bares em ruínas

Banho. O Gellért, o banho art nouveau mais fotografado da cidade, está fechado desde 1º de outubro de 2025, com reabertura prevista para 2028, segundo o próprio site. Fica o Széchenyi, no parque Városliget, com piscinas ao ar livre aquecidas o ano inteiro. A linha M1, o metrô de 1896, para na porta, na estação Széchenyi fürdő.

Pela tabela oficial de 2026, a entrada com armário custa 13.200 forints de segunda a quinta e 14.800 de sexta a domingo. Quem entra até as 9h, de segunda a quinta, paga 10.500 (ingresso Good Morning) e pega a piscina ainda tranquila. Leve chinelo.

A piscina ao ar livre do SzéchenyiFoto: Marc Ryckaert (MJJR) · CC BY 3.0

Noite. Os bares em ruínas (romkocsmák) ocupam prédios abandonados do 7º distrito, com móveis desencontrados e pátios internos. O Szimpla Kert, um dos primeiros e o mais conhecido, não cobra entrada e abre até as 4h; aos domingos, das 9h às 14h, o pátio vira feira de produtores.

O pátio coberto do Szimpla KertFoto: Jorge Franganillo · CC BY 2.0

Dia 10: o ônibus 100E até o aeroporto

O ônibus 100E sai da Deák Ferenc tér, passa pela Kálvin tér e chega ao aeroporto em cerca de 40 minutos. A passagem especial custa 2.500 forints, paga com cartão na máquina dentro do ônibus; quem tem o passe de 72 horas compra um complemento de 1.000 no aplicativo BudapestGO. O ônibus roda 24 horas. Saia com folga: na volta, o voo costuma ter conexão na Europa, e a fila do EES (veja abaixo) também aparece na saída de Schengen.

Mercado de Natal, verão ou inverno: quando ir

Fim de novembro a dezembro. Mercados de Natal, com vinho quente e barracas nas praças. Para pegar os três abertos, viaje entre o fim de novembro e 26 de dezembro. Escurece antes das 16h30, e a máxima média de janeiro fica perto de 4 graus nas três cidades (normais 1991–2020).

Em 2026, o da Rathausplatz, em Viena, vai de 13 de novembro a 26 de dezembro. O da Praça da Cidade Velha, em Praga, costuma abrir no sábado antes do primeiro domingo do Advento e ir até 6 de janeiro (em 2026, a previsão é 28 de novembro). O da Vörösmarty tér, em Budapeste, costuma ir de meados de novembro a 31 de dezembro.

Verão. Dias longos e filas maiores; em julho, a máxima média vai de 26 a 29 graus, e a Ópera de Viena está de férias. Maio, junho, setembro e outubro são o meio-termo.

Passaporte, EES, passes de transporte e tomada: o que deixar resolvido

Brasileiro não precisa de visto para até 90 dias em qualquer período de 180 no espaço Schengen, e as três cidades fazem parte dele. O passaporte deve valer pelo menos três meses além da data de saída. Na imigração podem pedir passagem de volta, reserva de hospedagem e comprovante de dinheiro para a estadia; leve também seguro-viagem com cobertura médica.

Desde 10 de abril de 2026, o Sistema de Entrada e Saída (EES) funciona em todas as fronteiras do espaço Schengen e registra foto e digitais no lugar do carimbo, o que alonga a fila da primeira entrada. O ETIAS, autorização eletrônica de €20 para quem entra sem visto, ainda não começou e não tem data oficial; a imprensa europeia aponta 2027. Até lá, site que cobra pelo ETIAS é golpe. Acompanhe em travel-europe.europa.eu.

  • Transporte: em Praga, o passe de 24 horas custa 140 coroas e o de 72 horas, 340, no aplicativo PID Lítačka. Em Viena, o de 24 horas sai por €9,70 no aplicativo; os de 48 e 72 horas acabaram em janeiro de 2026; para três dias, o de 7 dias digital (€25,20) sai mais barato que três de 24 horas. Em Budapeste, o de 72 horas da BKK custa 5.750 forints.
  • Internet: um eSIM europeu cobre os três países.
  • Tomada: 230 V, dois pinos redondos (tipo E na República Tcheca, F na Áustria e na Hungria). O plugue brasileiro fino de dois pinos encaixa; o de três pinos precisa de adaptador.
  • Gorjeta: em Praga e Viena, arredonde a conta ou deixe uns 10%. Em Budapeste, olhe o rodapé antes: muitos restaurantes já incluem a taxa de serviço (szervizdíj), de 10% a 15%.
  • Segurança: cuidado com batedor de carteira no bonde e nas praças cheias. Em Budapeste, recuse convite de desconhecido para um bar escolhido por ele, golpe antigo de conta altíssima.
  • Fuso: cinco horas à frente de Brasília no horário de verão europeu, do último domingo de março ao último domingo de outubro, e quatro horas no resto do ano.
1 de 8
O Parlamento húngaro iluminado ao entardecer, refletido no Danúbio, com o domo central e as torres góticas sob céu lilás

Continue lendo