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Litoral Norte, São Paulo

Praias de Ubatuba por perfil: surfe, criança, água calma, trilha e onde ficar

Ubatuba tem mais de 100 praias ao longo da Rio-Santos. Veja onde surfar, onde levar criança, onde achar água calma, a trilha das Sete Praias e onde ficar.

Foto: Gustavo Asciutti · CC BY-SA 4.0

O melhor mapa de Ubatuba são as placas de quilômetro da Rio-Santos. No km 7 sai o acesso à vila de pescadores de Picinguaba, quase na divisa com o Rio. No km 35 fica Itamambuca, onde se disputam campeonatos de surfe. No km 54, a Praia Grande, com quiosque de ponta a ponta. No km 73, a Lagoinha, de onde parte a trilha das Sete Praias. São mais de 100 praias espalhadas por mais de 70 km de estrada, quase todas com a Serra do Mar atrás.

Onda, criança, água parada ou trilha: cada perfil tem seu trecho de estrada, e dormir no trecho errado sai caro. Do Prumirim ao Saco da Ribeira são cerca de 30 km de Rio-Santos em pista simples.

Onda: Itamambuca e Vermelha do Norte

Itamambuca (km 35) é a praia do surfe em Ubatuba e recebe etapas de campeonatos nacionais e mundiais. No canto direito, o Rio Itamambuca desemboca no mar. Há duas formas de chegar: entrar pelo Recanto de Itamambuca, junto à rodovia, e atravessar o rio, ou entrar pelo condomínio e rodar cerca de 2 km até a areia. Na maré alta, a travessia é a nado, e na temporada há barqueiros cobrando o trajeto.

O Rio Itamambuca perto da foz, ao nascer do solFoto: Romina Ferrini · CC BY-SA 3.0

Vermelha do Norte (km 41) é mais curta, com 1,2 km de areia fofa e mar forte, colada à rodovia, e está na lista da prefeitura dos melhores picos da cidade. Para banho com criança, nenhuma das duas é boa escolha.

Família: estrutura na Praia Grande, mar parado na Enseada e no Lázaro

Praia Grande (km 54) é a praia mais visitada de Ubatuba, a 4 km do centro. São 1,6 km de areia fina, e os surfistas ficam nos cantos: no Rock Point à direita e no Baguari à esquerda.

Ao lado, as Toninhas (km 56) são uma versão menor da mesma ideia: orla urbanizada, quiosques e ondas mais fracas do lado direito, que a prefeitura indica para banho.

As Toninhas, vizinhas da Praia Grande, num dia de verãoFoto: Themium · CC0

Perequê-Açu (km 45) é a praia de bairro logo ao norte do centro, com pousada, mercado e farmácia perto da areia. Tem base do Corpo de Bombeiros e guarda-vidas, o que pesa para quem vai com criança.

Com criança pequena, o mar mais calmo da cidade fica no sul: a Enseada (km 58), de areia batida e água parada, e o Lázaro (km 64), de água limpa e boa estrutura. Do canto esquerdo do Lázaro, uma trilha curta leva à Domingas Dias, com 400 metros de água calma e nenhum quiosque.

Água calma no norte: o Félix, a Ilha do Prumirim e a Ilha das Couves

Félix (km 34) tem 1,5 km de areia branca e dois mares diferentes. No canto esquerdo, o mar mexe e às vezes dá surfe; no canto direito, a água fica mansa, forma piscina e é ali que ficam os quiosques e as famílias. O acesso é pelo condomínio, aberto a visitantes, com 1,5 km de asfalto até o estacionamento e cinco minutos a pé até a areia.

A Praia do Prumirim (km 29) engana quem lê "água calma" na internet: é uma praia de tombo, que fica funda de repente, rústica e arborizada, com lagoa e mangue. A água parada está na Ilha do Prumirim, a menos de cinco minutos de barco. Os barcos saem do Canto Itaipu, a prainha colada ao lado esquerdo, depois da lagoa.

Mais ao norte, já perto de Picinguaba, sai o passeio mais disputado da região: a Ilha das Couves, a 15 minutos de barco da praia da vila. As saídas são às 8h, 11h e 14h, com limite de 177 visitantes por turno e hora de volta marcada. A ilha tem duas praias ligadas por uma trilha de cinco minutos, com piscina natural na menor.

Bom saber

Em feriado, chegue para a primeira saída. Se o turno estiver lotado, a alternativa no mesmo dia é ficar na Praia de Picinguaba ou seguir para a do Cambury, ali perto.

Trilha: as Sete Praias, com o Cedro no meio do caminho

A trilha das Sete Praias liga a Lagoinha (km 73) à Praia da Fortaleza, passando por Oeste, Peres, Bonete, Grande do Bonete, Deserto e Cedro. São uns 10 km. Caminhando rápido dá para fazer em três horas; com banho e almoço, conte de quatro horas e meia a cinco e meia.

O primeiro trecho, da Lagoinha à Grande do Bonete, é quase plano e serve para criança. Depois vem a parte mais dura: 2 km de subida forte em mata fechada entre a Grande do Bonete e o Cedro, e uma descida erodida perto do Deserto que escorrega depois de chuva. Saia cedo e leve água, lanche, calçado fechado e repelente: os quiosques só abrem na temporada.

O Cedro é a praia mais vazia do caminho, a cerca de 3 km da Fortaleza. Areia branca, pedras enormes na água, cultivo de mexilhão na baía e nenhum quiosque fixo. Na maré alta, a faixa de areia praticamente some. Quem vem pela Fortaleza encontra trilhas que se cruzam; a prefeitura recomenda um guia local para esse trecho.

A Praia do Cedro, última parada antes da FortalezaFoto: Gustavo Asciutti · CC BY-SA 4.0

Combine a volta antes de sair. A vila da Fortaleza fica a 7 km da rodovia, pela entrada da Praia Dura (km 68), e o ônibus municipal faz oito viagens por dia. Muita gente deixa um carro em cada ponta, e no Bonete e na Grande do Bonete há barqueiros que fazem o retorno, mas com mar agitado o barco pode não sair.

Ilha Anchieta: praia calma e as ruínas de um presídio

Em 20 de junho de 1952, uma rebelião no presídio da ilha em frente à Enseada matou soldados e funcionários, e 129 presos fugiram para o continente. Dos 129, 108 foram recapturados, 15 morreram na caçada e seis nunca foram encontrados. Ali funcionava desde 1908 uma colônia correcional que, nos anos 1930, recebeu presos políticos do governo Vargas. O presídio fechou em 1955, e desde 1977 a ilha é o Parque Estadual da Ilha Anchieta.

As ruínas ficam a 100 metros da Praia do Presídio, onde os barcos desembarcam. Uma obra de restauro de quase R$ 5 milhões, iniciada em 2024, fechou os pavilhões por um tempo. Hoje as ruínas estão abertas, com acesso só às celas liberadas, e vale contratar um guia credenciado para ouvir a história.

O pátio do antigo presídio, a poucos passos da Praia do PresídioFoto: Talles Gaspar · CC BY-SA 4.0

A maioria dos barcos sai do píer do Saco da Ribeira (km 63); também há saídas da Enseada e do Itaguá. A travessia leva de 15 a 45 minutos, conforme o barco, e os passeios de escuna costumam durar seis horas.

A taxa do parque é à parte: R$ 19 por pessoa para brasileiros (outubro de 2026), comprada com antecedência no site de ingressos dos parques paulistas. O parque fecha às quartas; nos outros dias abre das 8h às 17h, e o número de visitantes por dia é limitado.

Na ilha, a melhor praia para banho é a das Palmas, a maior, a 500 metros a pé do Presídio. A do Sapateiro tem mar de tombo. Para andar, há a trilha da Praia do Sul (2,2 km, cerca de 2 horas, no máximo 149 pessoas por dia) e a do Saco Grande (2,8 km ida e volta), ambas com monitor obrigatório e reserva de dois a sete dias antes.

A Praia do Presídio, onde os barcos desembarcam na Ilha AnchietaFoto: Marcos Simanovic · CC BY-SA 3.0

Onde ficar em Ubatuba: centro, Praia Grande, sul ou norte

Centro e Itaguá. A posição do meio, à mesma distância do norte e do sul. A orla do Itaguá tem quiosques, restaurantes, escunas para a Ilha Anchieta e o Projeto Tamar; dá para jantar a pé. O mar do Itaguá é calmo, mas a praia é mais de passeio do que de banho.

Praia Grande e Toninhas. A maior oferta de hospedagem e de comida, a 4 km do centro. Funciona para família que quer tudo perto e não se incomoda com movimento. Pesam contra a rodovia entre o bairro e a areia e a lotação em janeiro e no Carnaval.

Lázaro e Saco da Ribeira. Mar calmo, a Domingas Dias a pé e o píer da Ilha Anchieta a poucos minutos. A Lagoinha, início das Sete Praias, fica no caminho. Em compensação, Itamambuca e o Prumirim estão a mais de meia hora.

O costão da Praia do Lázaro, no sul de UbatubaFoto: Rafael Vianna Croffi from São Paulo, Brazil · CC BY 2.0

Itamambuca. Para surfista e para quem quer natureza com estrutura: no condomínio e na vila há pousadas, campings, padaria e mercado. Sem carro, dá para se virar com os ônibus municipais que saem do terminal do Centro rumo ao norte, mas são poucas viagens por dia, e o ponto fica na rodovia, a uns 2 km da praia. Confira os horários antes.

Félix e Prumirim. O trecho mais quieto, de casa de temporada e pousada pequena, com praia sem rodovia na frente. Os mesmos ônibus passam na entrada, mas o carro faz falta até para jantar, e o Saco da Ribeira fica a cerca de 30 km pela Rio-Santos.

Taxa ambiental e Zona Azul: o que o carro de fora paga

Ubatuba cobra a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) de veículos de fora que ficam mais de quatro horas na cidade. Câmeras leem a placa nas entradas, sem cancela. Em 2026, a diária de 24 horas é de R$ 13,86 para carro e R$ 3,72 para moto.

Dá para pagar antes, pelo site ou aplicativo da EcoUbatuba, ou em até 30 dias depois da saída, sem multa. Com tag de pedágio, o débito cai 15 dias depois da saída. Carros emplacados em Ubatuba, Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba, Paraty, Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra são isentos.

Em setembro de 2026, a prefeitura enviou à Câmara um projeto que sobe a diária do carro para R$ 25 a partir de 2027. Até o fechamento desta matéria, ele não tinha sido votado.

O estacionamento é outra conta. Desde 9 de outubro de 2026, a Zona Azul nas praias custa R$ 50 por até 12 horas, das 7h às 19h, em 18 áreas, entre elas a Praia Grande, as Toninhas, a Enseada, Itamambuca, o Félix, o Prumirim, o Perequê-Açu e a Lagoinha. Carros de Ubatuba são isentos.

Quando ir: chuva no verão, no fim do ano e o borrachudo

Ubatuba tem fama de chuvosa, e os números confirmam. Pelas médias do INMET, chove perto de 2.500 mm por ano. Janeiro (313 mm), março (311 mm) e fevereiro (290 mm) são os meses mais chuvosos, justamente os da alta temporada, com mar quente e cidade cheia.

De outubro a dezembro chove quase tanto (245 a 280 mm por mês), mas o mar já esquenta e a cidade só enche a partir do Natal. Abril ainda é chuvoso (232 mm).

Maio é a melhor troca: a chuva cai para perto de 120 mm, a máxima média passa de 26 °C e a cidade esvazia. De junho a agosto, o período mais seco (agosto tem 74 mm), é época de trilha e Ilha Anchieta, com máximas de 24 a 25 °C e água mais fria.

O borrachudo é parte da viagem, sobretudo perto de rio e mata: na foz do Itamambuca, no Prumirim, na Grande do Bonete e nas trilhas. Ele pica de dia, mais no começo da manhã e no fim da tarde. O guia de Ilhabela explica como ele age; aqui vale o mesmo repelente na bolsa de praia.

Como chegar: Oswaldo Cruz ou Tamoios, e a Rio-Santos para quem vem do Rio

De São Paulo são cerca de 225 km pela Oswaldo Cruz, o caminho mais curto, e um pouco mais pela Tamoios. Sem trânsito, conte três horas e meia.

  • Pela Oswaldo Cruz (SP-125): pela Ayrton Senna e a Carvalho Pinto até Taubaté; dali a SP-125 passa por São Luiz do Paraitinga e desce a serra direto em Ubatuba, em pista simples e curvas fechadas. Cai perto do centro e do norte.
  • Pela Tamoios (SP-099): pista duplicada e serra mais suave até Caraguatatuba. De lá, mais 52 km de Rio-Santos em pista simples, com muito carro, moto e bicicleta. É o caminho mais confortável e o melhor para quem vai ficar no sul.

Os ônibus da Litorânea saem do Terminal Tietê e levam de três horas e meia a cinco e meia, conforme o trânsito. Não há voo comercial para Ubatuba.

Do Rio são cerca de 320 km pela Rio-Santos (BR-101), sem serra, passando por Angra e Paraty. Conte cinco horas. Quem vem por esse lado entra pelo norte, por Picinguaba e o Prumirim, e Paraty fica a uns 73 km do centro de Ubatuba: dá para juntar as duas cidades na mesma viagem.

Quantos dias ficar e o erro de dormir no lado errado

Quatro dias dão para um dia de Ilha Anchieta (que não pode cair numa quarta), um de Sete Praias e dois de praia: Félix e Itamambuca, se a base for no norte, ou Lázaro e Domingas Dias, se for no sul.

O erro mais comum é dormir no sul e passar os dias no norte, ou o contrário, somando os 30 km de pista simples na ida e na volta. Escolha a base pelo que vai fazer e deixe a estrada para a chegada e a partida, de preferência fora da sexta antes de feriado e da volta de domingo, quando a Rio-Santos e as duas serras enchem.

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Praia Grande do Bonete vista das pedras do canto, com areia dourada, ondas na beira e morros de mata atlântica

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