Recife e Olinda, Pernambuco
Recife e Olinda em 4 dias: o que fazer, onde ficar e quando entrar no mar
Um dia inteiro em Olinda, os dois Brennand na Várzea, a Rua do Bom Jesus, as piscinas de Boa Viagem na maré baixa e onde ficar no Recife.
Do adro da Sé de Olinda, no alto da colina, o Recife aparece inteiro do outro lado da água: uma fileira de prédios altos na beira do mar. Embaixo, entre coqueiros e telhados de barro, ficam as ladeiras de pedra e as torres das igrejas. As duas cidades são vizinhas, e quase todo mundo dorme numa e passa o dia na outra.
Olinda foi fundada em 1535 e incendiada em 1631 pelos holandeses, que fizeram do porto, o Recife, a sede do seu governo. O Recife guarda o porto antigo, os museus de frevo e de sertão e uma orla urbana de 8 km. Quatro dias bastam para as duas, e o erro mais comum é tratar Olinda como uma tarde.
Recife Antigo a pé, do Marco Zero à Rua do Bom Jesus
O Bairro do Recife, o Recife Antigo, é uma ilha entre o Rio Capibaribe e o porto. Comece pela Praça do Marco Zero, com a rosa dos ventos de Cícero Dias no chão. Do outro lado da água, em cima do recife que deu nome à cidade, fica o Parque das Esculturas Francisco Brennand, com cerca de 100 peças e a Coluna de Cristal, de 32 metros. Reaberto em 2024, é grátis, abre de terça a domingo, e os barqueiros atravessam a partir do Marco Zero.
A uma quadra fica a Rua do Bom Jesus, de sobrados coloridos, terceira numa lista de ruas mais bonitas do mundo da Architectural Digest, em 2020. No 197 está a Kahal Zur Israel, considerada a primeira sinagoga das Américas, em obras desde 2025: confirme se está aberta. No 183, a Embaixada dos Bonecos Gigantes reúne dezenas de bonecos de carnaval; no fim de 2025, a entrada custava R$ 30. Aos domingos, a rua vira feira de artesanato e comida, que ganha movimento à tarde.
Paço do Frevo e Cais do Sertão, de graça às terças
O Paço do Frevo ocupa o prédio branco da antiga Western Telegraph e é dedicado ao ritmo que a Unesco reconheceu como patrimônio imaterial em 2012, com estandartes, partituras e aulas de dança em dias de programação. Abre de terça a sexta, das 10h às 18h, e nos fins de semana, das 11h às 19h. Em 2026, a entrada custava R$ 10 (meia de R$ 5), e às terças não se paga.
O Cais do Sertão conta o sertão nordestino a partir da obra de Luiz Gonzaga. Em outubro de 2026, abria de terça a sexta, das 10h às 16h, e nos fins de semana, das 13h às 18h, também com inteira de R$ 10 e entrada grátis às terças.
Bom saber
Segunda-feira é dia perdido: fecham o Paço, o Cais, o Parque das Esculturas e os Brennand.
Santo Antônio e São José, do outro lado da ponte
Atravessando a Ponte Maurício de Nassau, a dez minutos a pé do Marco Zero, começa o centro comercial. Ali estão a Capela Dourada, do Convento de Santo Antônio, forrada de talha dourada; o Pátio de São Pedro, com casario e bares em volta da igreja; o Mercado de São José, de estrutura de ferro do século XIX, com artesanato, ervas e comida; e a Casa da Cultura, antiga casa de detenção cujas celas viraram lojas de artesanato.
A Capela Dourada costuma abrir de segunda a sexta, com pausa para o almoço, e no sábado de manhã. A nave da igreja do convento está interditada desde 2025: confirme antes de ir. O Mercado abre todo dia às 6h, fecha às 13h no domingo e está em reforma por etapas desde 2024; o artesanato foi para um anexo na Rua da Praia, ao lado.
Para comer no caminho, peça bolo de rolo e cartola (banana frita com queijo, açúcar e canela) em qualquer padaria e um caldinho nos bares do Mercado de São José ou do Pátio de São Pedro. Nas noites de fim de semana, os bares se concentram na Rua da Moeda e na Rua do Bom Jesus.
Os dois Brennand na Várzea, a 15 minutos um do outro
Os primos Francisco e Ricardo Brennand deixaram na Várzea duas coleções opostas: a oficina de cerâmica de um, o castelo de armaduras do outro. Os dois cabem no mesmo dia. O bairro, na zona oeste, fica a uns 17 km do Marco Zero e 19 km de Boa Viagem, de 30 a 45 minutos de carro.
A Oficina Francisco Brennand nasceu em 1971 nas ruínas da olaria que o pai do artista fundou em 1917. Brennand trabalhou ali até morrer, em 2019, e deixou cerca de 2 mil obras: pássaros, ovos, figuras femininas e totens de cerâmica espalhados por pátios, galpões e jardins. Desde agosto de 2026, o ateliê, com a biblioteca e os objetos pessoais, também entrou na visita; o centenário do artista é em junho de 2027. A Oficina abre de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada até as 16h. Em agosto de 2026, a inteira custava R$ 50 e a meia, R$ 25; quem mora em Pernambuco pagava R$ 40.
O Instituto Ricardo Brennand, aberto em 2002, é um castelo de tijolo aparente cercado de jardim, com mais de 3 mil armas brancas e armaduras e a maior coleção particular de pinturas de Frans Post, o holandês que retratou Pernambuco no século XVII. Abre de terça a domingo, das 13h às 17h, e de quinta a domingo já a partir das 10h, com última entrada às 16h30; nas férias de meio de ano o horário costuma mudar. Em outubro de 2026, o museu custava R$ 60 (meia de R$ 30), ou R$ 80 com o Jardim Capela, e a bilheteria só aceitava Pix ou cartão. Na última terça do mês a entrada é grátis, menos em janeiro, julho e dezembro.
Faça a Oficina de manhã e o Instituto depois do almoço, a uns 15 minutos de carro ou aplicativo.
Olinda: suba ao Alto da Sé e desça pelas igrejas
O centro histórico de Olinda virou patrimônio mundial em 1982. Ele se vê a pé, e as ladeiras de pedra cansam no sol do meio-dia: comece cedo. Do Recife Antigo são uns 8 km, de 10 a 30 minutos de táxi ou aplicativo conforme o trânsito.
O Alto da Sé é o ponto mais alto, com barracas de tapioca e artesanato e a vista do Recife. A Igreja da Sé, que guarda o túmulo de Dom Hélder Câmara, fica no mesmo largo. Descendo, estão o Mosteiro de São Bento, cujo altar-mor dourado foi desmontado e exposto no Guggenheim de Nova York entre 2001 e 2002; o Convento de São Francisco, o franciscano mais antigo do país; e a Igreja do Carmo, primeira dos carmelitas no Brasil. Muitas igrejas fecham na hora do almoço; deixe a manhã para elas.
Olinda também tem praia, mas dentro da área de risco de tubarão: a Del Chifre soma seis incidentes, o último em janeiro de 2026, quando morreu um menino de 13 anos.
Boa Viagem: piscinas na maré baixa e as placas do tubarão
A Praia de Boa Viagem corre por uns 8 km entre o Pina e Piedade. Uma linha de recifes de arenito acompanha a orla perto da areia e, na maré baixa, segura a água em piscinas mornas e rasas. As maiores baixas caem perto da lua cheia e da lua nova; o horário está na tábua de marés da Marinha, estação do Porto do Recife.
Até outubro de 2026, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) contava 84 casos em Pernambuco desde 1992, 25 deles em Boa Viagem, a praia com mais registros. O mais recente foi em 1º de junho de 2026, quando uma estudante de 19 anos perdeu a perna direita. Em janeiro de 2025, o estado trocou as 150 placas nos 33 km entre a Praia do Farol, em Olinda, e a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho; em junho de 2026, cerca de 60 tinham sido arrancadas ou pichadas, e em agosto o estado começou a repô-las. Não conte com a placa para saber onde está o risco.
O que o Cemit orienta:
- não entre em mar aberto nem passe da linha dos recifes;
- evite a maré cheia, a água turva depois da chuva, a foz dos rios, o começo da manhã e o fim da tarde;
- não entre no mar depois de beber ou com ferimento;
- prefira os trechos com guarda-vidas.
Para mar de banho sem essas regras, o caminho é o sul: Porto de Galinhas, uns 30 km depois do fim da área de risco, tem guia próprio.
Onde ficar no Recife e em Olinda, bairro por bairro
- Boa Viagem. Concentra a maior parte dos hotéis e flats, a 4 km do aeroporto. O mar em frente é de banho só nas piscinas e na maré baixa, e o Recife Antigo e Olinda ficam a 10 e 20 minutos de carro sem trânsito. Há registro de furtos e assaltos na praia e no calçadão; leve só o necessário para a areia.
- Pina. Colado a Boa Viagem, do lado do centro, fica mais perto do Recife Antigo. Tem menos hotéis que o vizinho e uma orla mais curta, também dentro da área de risco do tubarão. É na Praia do Pina que o Recife faz a festa de Réveillon.
- Recife Antigo. Tudo a pé: Marco Zero, museus, Rua do Bom Jesus e os bares das noites de fim de semana. A oferta de hospedagem é pequena, e o bairro esvazia nas noites de semana e aos domingos depois da feira; à noite, ande pelas ruas movimentadas e use aplicativo para voltar.
- Olinda. Pousadas em casarões, sossego e as igrejas na porta. As ruas ficam vazias depois que os turistas do dia vão embora, as ladeiras complicam a vida de quem anda com dificuldade, e a orla está na área de risco do tubarão. No Carnaval é o contrário: barulho a noite inteira e diárias muito mais caras.
Carnaval de 2027: o Galo no sábado, as ladeiras até quarta
O Carnaval de 2027 vai do sábado, 6, à Quarta-feira de Cinzas, 10 de fevereiro. No Recife, a festa grande é o Galo da Madrugada, que o Guinness registrou em 1994 como o maior bloco de carnaval do mundo e que sai sempre no sábado de Zé Pereira. Em 2026, o desfile começou às 9h no Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, e seguiu por uns 6,5 km pelo centro. Vá sem nada de valor e combine um ponto de encontro.
Em Olinda, o Carnaval é de rua, com blocos, troças e orquestras de frevo nas ladeiras. O Homem da Meia-Noite, boneco gigante criado em 1931, sai à meia-noite do sábado de Zé Pereira, o Encontro de Bonecos Gigantes costuma ser na terça, e o Bacalhau do Batata fecha a festa na Quarta-feira de Cinzas. Para dormir em Olinda nessa semana, reserve com meses de antecedência; muitas pousadas só vendem o pacote do Carnaval inteiro.
Do aeroporto: 10 minutos até Boa Viagem, de táxi ou aplicativo
O Aeroporto Internacional do Recife fica a uns 4 km de Boa Viagem, uns 10 minutos de táxi ou aplicativo sem trânsito, e a uns 10 km do Marco Zero.
Uma passarela liga o terminal à Estação Aeroporto, mas o metrô serve a quem mora na cidade. Desde junho de 2025, não há bilhete avulso: a catraca só aceita o cartão VEM ou o Cartão Múltiplo da CBTU, que não se faz na estação do Aeroporto. O metrô não abre aos domingos desde janeiro de 2026, salvo em dias de evento, e, desde 12 de outubro de 2026, a Linha Sul roda só das 5h às 22h, por obras. Para quem chega de mala, não compensa.
Quando ir: chuva de abril a julho, sol de setembro a fevereiro
Pelas normais do Inmet de 1991 a 2020, junho é o mês mais chuvoso do Recife, com 390 mm em média, e maio e julho passam dos 300 mm. Novembro é o mais seco, com 39 mm, e de setembro a fevereiro nenhum mês passa de 130 mm.
A alta temporada vai do Réveillon ao Carnaval, quando sobem as diárias em Olinda e em Boa Viagem. Outubro e novembro juntam pouca chuva e cidade menos cheia.
Roteiro de quatro dias, sem gastar a segunda-feira nos museus
- Recife Antigo e Santo Antônio. Numa terça, o Paço do Frevo e o Cais do Sertão são de graça. Num domingo, a Capela Dourada fecha: fique no Recife Antigo, com o Parque das Esculturas de manhã, os museus depois do almoço (o Paço abre às 11h, o Cais às 13h) e a feira da Rua do Bom Jesus no fim da tarde.
- Os dois Brennand, nunca numa segunda.
- Olinda, o dia inteiro, do Alto da Sé ao Carmo, com o fim de tarde no adro da Sé.
- Piscinas de Boa Viagem, numa manhã escolhida pela tábua de marés.
Com mais noites, desça para Porto de Galinhas.
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